Economia Bloco leva a votos na quarta-feira fim do contrato PPP com o SIRESP

Bloco leva a votos na quarta-feira fim do contrato PPP com o SIRESP

O Bloco de Esquerda (BE) leva a votos na próxima quarta-feira no Parlamento um projecto de resolução que recomenda ao Governo o fim da Parceria Público-Privada (PPP) com a sociedade SIRESP, SA, para não continuar "a pagar a um privado que falha sempre".
Bloco leva a votos na quarta-feira fim do contrato PPP com o SIRESP
"Na altura mais difícil [incêndio de Pedrógão, que ceifou 64 vidas] o SIRESP falhou", acusou Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda.
Reuters
Lusa 01 de julho de 2017 às 19:18

Em declarações aos jornalistas no final da Mesa Nacional do BE, a coordenadora do partido, Catarina Martins, explicou a escolha do tema do debate que os bloquistas levarão ao parlamento a 5 de Julho, e que foi conhecido na sexta-feira.

 

"Há ainda muito por apurar [sobre os incêndios da região Centro], mas há coisas que já se sabem: uma delas é que na altura mais difícil o SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) falhou e essa é a notícia que nós temos sempre que há um problema no país", criticou Catarina Martins.

 

"Não há ninguém que compreenda no país que o sistema que serve para momentos de catástrofes nunca trabalhe em momentos de catástrofe", acrescentou.

 

A coordenadora do Bloco salientou que se trata de um Parceria Público-Privada (PPP), que diz ter custado "cinco vezes mais do que o sistema custa".

 

"Tentar corrigir o SIRESP, que precisa de ser corrigido, no âmbito da PPP significa dar mais dinheiro aos privados que têm falhado sempre para fazer o que devia ser feito", considerou.

 

Por isso, disse, o BE proporá no parlamento a 5 de Julho que "o contrato PPP com o SIRESP termine, que seja assumido o sistema de comunicações da esfera pública e que as alterações sejam feitas e assumidas pelo próprio Estado".

 

"Não podemos continuar a pagar a um privado que falha sempre", afirmou.




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mais votado Anónimo 01.07.2017

Esta tragédia é sintomática da quebra do investimento público em bens de capital, numa altura em que o investimento público em % do PIB em Portugal atingiu um mínimo desde 1960. Não fazer uma boa gestão de recursos humanos promovendo o excedentarismo e fazendo do despedimento um tabu, dá nisto.

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Anónimo 05.07.2017

Alguém gostaria de ter que ficar colado como cliente ao mesmo banco, à mesma operadora de telecomunicações, ao mesmo fornecedor de energia, cabeleireiro, supermercado, concessionário automóvel ou ao SIRESP durante a vida toda ou mesmo por uma série de anos? Quem presta serviço não pode exigir períodos de fidelização extensos pois isso vai obrigar a que o pagador requerente do serviço não possa mudar para tecnologias mais avançadas, propostas mais adequadas às suas necessidades e soluções mais económicas oferecidas pelo mercado concorrencial. Os consumidores, os accionistas e os contribuintes percebem facilmente todas as implicações relacionadas com estes actos. Quando é que os sindicalistas atingirão o mesmo estado de discernimento e honestidade intelectual e deixarão que o mercado tendencialmente aberto, livre e concorrencial possa funcionar de modo a desbloquear de uma vez por todas toda a criação de valor que a economia portuguesa pode efectivamente alcançar?

Anónimo 05.07.2017

Deve haver rescisões de contratos, incluindo despedimentos. Deve ser encontrado no mercado melhor e mais adequado talento e capital na área em questão. Mas isso só é possível porque em Portugal, na área e organismo em questão, não existem as blindagens contratuais anti-mercado que ocorrem noutros meandros. Ainda bem que neste caso existe flexibilidade para ir ao encontro das reais necessidades, preferências e expectativas e portanto, das reais condições de procura e oferta. Aos poucos, o pensamento primário anti-mercado começa a entender as forças de mercado e a sua importância e desejabilidade.

Anónimo 02.07.2017

Os Neros lusitanos geringonceiros estão loucos de contentamento. A austeridade acabou, mas orçamento para limpeza de matas junto a vias de comunicação e aviões apaga-fogos não há. Nem para serviço nocturno do INEM em cidades como Aveiro, Covilhã e Chaves. Aço e cimento para vedações nos paióis militares e sistemas de alarme e video-vigilância, também não. É preciso é dignificar o excedentarismo de carreira sindicalizado. E a dívida pública para eu e os meus pagarem continua a subir. Está muito bem...

Anónimo 02.07.2017

A incompetência, o dolo e o desleixo subjacentes aos escândalos de Tancos e Pedrógão são reflexo da incompletude das reformas sugeridas a Portugal pelo FMI, a União Europeia e a própria OCDE. Se o excedentarismo continuadamente subsidiado e o sobrepagamento bem acima do preço de mercado, têm a primazia por parte do poder político e da sociedade em geral, com prejuízo para o investimento reprodutivo, a inovação e o empreendedorismo capazes de criar valor, Tancos, Pedrógão e o 6 de Abril de 2011, serão sempre o corolário lógico de tais opções políticas e desígnios populares.

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