Angola Bloomberg: José Eduardo dos Santos vai manter o poder mesmo fora da Presidência

Bloomberg: José Eduardo dos Santos vai manter o poder mesmo fora da Presidência

O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, vai manter o poder e a imunidade bem para lá das eleições, por ter colocado os seus apoiantes em locais estratégicos, como tribunais e forças de segurança.
Bloomberg: José Eduardo dos Santos vai manter o poder mesmo fora da Presidência
Reuters
Lusa 02 de agosto de 2017 às 09:48

"José Eduardo dos Santos deve manter o controlo nos bastidores quando deixar de ser Presidente de Angola, este mês, depois de quase quatro décadas no poder", escreve a agência de informação financeira Bloomberg, num artigo dedicado à maneira como o chefe de Estado angolano está a gerir a saída da Presidência, cargo que ocupa desde 1979.

 

"Dos Santos não tem qualquer intenção de largar o poder", disse o analista da NKC African Economics Gary van Staden, na Cidade do Cabo, à Bloomberg, acrescentando que o objectivo é "manter bem colocadas as alavancas que garantem o poder, assegurando-se que os seus amigos das forças de segurança ficam nos seus postos e que ele fica protegido".

 

No artigo, a Bloomberg escreve que José Eduardo dos Santos, agora com 74 anos, liderou o país durante a guerra civil e deixou Angola no topo dos maiores produtores de petróleo em África, mas também nos índices que denunciam a corrupção e o nepotismo.

 

"A família do Presidente e os seus aliados acumularam fortunas impressionantes enquanto mais de metade da população de 27 milhões continua a agonizar na pobreza", diz esta agência de informação financeira, exemplificando com a fortuna de 2,3 mil milhões de dólares atribuída a Isabel dos Santos, filha do Presidente e a mulher mais rica de África, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.

 

Apesar das críticas aos negócios feitos pelo Presidente e pela sua família, "dos Santos não deverá ser 'chamado à pedra' por qualquer irregularidade", já que no final de Junho o Parlamento garantiu-lhe um lugar no Conselho da República, um órgão de aconselhamento do Presidente cujos membros gozam de imunidade judicial.

 

Já no final deste mês, o Parlamento aprovou uma lei que prolonga o mandato dos líderes de militares, polícias e dos serviços de inteligência de seis para oito anos, só podendo ser demitidos se forem culpados de "conduta criminal ou disciplinarmente grave".

 

Assim, a maior ameaça à manutenção do poder de José Eduardo dos Santos não vem dos inimigos políticos, nem da oposição, mas sim da sua saúde, considera a Bloomberg, lembrando as "visitas de carácter privado a Espanha" para receber tratamento médico.

 

Em caso de morte ou impossibilidade de cumprir o mandato até ao fim, o vice-presidente e candidato presidencial do MPLA, João Lourenço, avança automaticamente para o topo da hierarquia, mas até lá está vinculado ao Presidente.

 

"Ele não tem capital político e vai ter dificuldades em estabelecer a sua autoridade porque os membros da família de Eduardo dos Santos vão manter a sua influência", concluiu o director executivo da consultora de risco EXX Africa, Rober Besseling.

 

As eleições angolanas estão marcadas para dia 23 de agosto, com as sondagens a apontarem para uma vitória do MPLA, com cerca de 60%.

 




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Hã????? 02.08.2017

O novo Presidente demite essa cambada. Não entendo esta terrinha de corruptos.

Anónimo 02.08.2017

Uma farsa estas eleições! Mas para um povo burro, não merecem mais.

Guilherme 02.08.2017

O poder angolano, de quem o Cavaco tanto gostava.

pub