Conjuntura BPI espera crescimento de 1,5% em 2017 ajudado pelo investimento

BPI espera crescimento de 1,5% em 2017 ajudado pelo investimento

Alterações à política monetária do Banco Central Europeu e subida dos juros da dívida são os principais riscos identificados pelos economistas do banco, que aponta para um défice de 2,5% em 2017.
BPI espera crescimento de 1,5% em 2017 ajudado pelo investimento
Bloomberg
André Veríssimo 23 de janeiro de 2017 às 16:14

O BPI espera uma aceleração do crescimento do PIB em Portugal este ano, subindo dos 1,3% estimados em 2016 para 1,5% em 2017. As previsões constam do Iberian Book, onde o banco actualiza as suas perspectivas para a economia e as cotadas portuguesas e espanholas, divulgado na segunda-feira, dia 23.

Esta expectativa de aceleração da actividade económica é sustentada sobretudo num regresso do crescimento do investimento, que deverá aumentar 0,8% este ano, depois de um decréscimo de 2,7% estimado para 2016. O consumo privado sobe 1,4%, menos que os 2% previstos para o ano passado. As exportações deverão crescer 3,5% em 2017, enquanto as importações se ficam pelos 2,3%.

De notar que a previsão para a evolução do PIB de 1,5% é a mesma que foi inscrita pelo Governo no Orçamento do Estado. A diferença está na forma como se chega lá. Por exemplo, enquanto o Executivo de António Costa espera uma quebra de 1,2% no consumo público, o BPI acredita que ele subirá 0,1%.

BPI estima defice muito acima do Governo

Outra diferença substancial face às contas do ministro das Finanças diz respeito ao número do défice. Mário Centeno definiu uma meta de 1,6% para este ano, enquanto os economistas do BPI estimam 2,5%. No relatório observa-se que "o caminho de consolidação orçamental está dependente de medidas extraordinárias e dos efeitos positivos da evolução económica (sobretudo em termos de receita fiscal), que poderão eventualmente obrigar à implementação de medidas orçamentais mais restritivas".

Os economistas do banco antecipam uma descida da taxa de desemprego, para 11%, mas não tanto como o Governo (10,3%). E salientam que continua a ser "muito elevada entre a população jovem".

O BPI identifica como principais riscos de curto prazo "uma alteração da política monetária do BCE e uma potencial maior subida das taxas de juro e dos custos de financiamento". Ainda assim, "o actual nível de depósitos do Estado ajudam a mitigar estes riscos no curto prazo". O banco estima que a dívida pública se situe nos 128,5% do PIB no final do ano.

Portugal vs. Espanha

As estimativas do BPI permitem ainda contrastar a situação da economia portuguesa face à espanhola em 2017. Se para a primeira a previsão é de 1,5%, para o país vizinho é de 2,4%, com Espanha melhor em quase todas as componentes. A diferença mais expressiva está no investimento, que o banco estima possa crescer 4% do lado de lá da fronteira e apenas 0,8% do lado de cá.




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