Economia Braço direito de Lula arrisca 12 anos de prisão

Braço direito de Lula arrisca 12 anos de prisão

José Dirceu, antigo chefe da Casa Civil de Lula da Silva, foi condenado pelo crime de corrupção activa, depois de ter sido identificado pelo Ministério Público como mentor e "chefe da quadrilha" responsável pelo "Mensalão". Dirceu manterá fortes ligações a Portugal, designadamente ao ministro Miguel Relvas, à Ongoing, à PT e ao BES.
Negócios 10 de outubro de 2012 às 12:18
A maioria dos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou ontem à noite José Dirceu pelo crime de corrupção activa no âmbito do caso “Mensalão”, nome pela qual ficou conhecida a rede de desvio de dinheiros públicos e de cobrança de “luvas” por homens fortes do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula da Silva (na foto) e que se destinava fundamentalmente a pagar a deputados da oposição que votassem favoravelmente as propostas do antigo Presidente. A condenação de Dirceu deixa ainda mais vulnerável o próprio Lula, que sempre disse desconhecer o conluio.

Segundo a maior parte dos juízes, Dirceu foi o "responsável intelectual" pelo Mensalão que terá servido, entre outros, para fazer aprovar a reforma da Previdência, que o PT bloqueara aquando do anterior Governo de Fernando Henrique Cardoso.

A par de Dirceu, foram também condenados por corrupção activa o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o empresário Marcos Valério, que operacionaliza o esquema. Todos eles estão ainda a ser julgados por formação de quadrilha, o que, no muito provável caso de condenação, elevará consideravelmente as penas.

Numa mensagem dirigida “ao povo brasileiro”, o ex-ministro-chefe da Casa Civil de Lula escreveu no seu blogue que foi “ prejulgado e linchado”, “sob forte pressão da imprensa”."Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater". Sete dos dez juízes integrantes em actividade no Supremo foram indicados por governos “petistas”, nota a revista “Veja” que, em 2005, revelou o escândalo que chegou a salpicar empresários e políticos portugueses.

A coberto da sua actividade como publicitário, Marcos Valério reuniu-se em Portugal com António Mexia, ministro das Obras Públicas entre 2002 e 2004, e Miguel Horta e Costa, presidente executivo da Portugal Telecom entre 2002 e 2006, e com dirigentes do Banco Espírito Santo.

Segundo o juiz Joaquim Barbosa, relator do processo no Supremo, “foi José Dirceu quem se fez representar por Marcos Valério nesses encontros. Pela envergadura das pessoas envolvidas, percebe-se que Marcos Valério falava em nome de José Dirceu e não como um pequeno publicitário de Minas Gerais. Marcos Valério era seu broker".

Roberto Jefferson, presidente do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro, partido cujos votos eram activamente “comprados” pelo PT) que esteve na base da denúncia do Mensalão, afirmou, por seu turno, que foi Dirceu quem lhe pediu para enviar um representante para a reunião em Portugal. O objectivo seria negociar uma contribuição de oito milhões de euros a ser dividida entre os dois partidos: PT e PTB. Barbosa destacou que o próprio Valério admitiu ter feito outras viagens a Portugal e que chegou a ser apresentado a autoridades do governo português.

O relator destacou ainda que o presidente do Banco do Espírito Santo no Brasil, Ricardo Abecassis, afirmou que só conseguiu uma reunião com Dirceu por intermédio do publicitário. Horta e Costa, António Mexia e o banqueiro do BES Ricardo Salgado foram arrolados como testemunhas de defesa, nomeadamente, de José Dirceu e de Marcos Valério, tendo sido ouvidos em Portugal no âmbito do processo que entrou agora na recta final.


Ligações a Portugal e à maçonaria

Não obstante o afastamento do Governo brasileiro, José Dirceu – o advogado José Dirceu Oliveira e Silva – tem-se mantido no "centro da teia dos negócios luso-brasileiros, em especial, dos que necessitam de aprovações políticas". O “Público” escrevia em Agosto último que Dirceu é sócio do escritório Lima, Serra, Fernandes & Associados, chefiado por Fernando Lima, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), actual presidente da Galilei (ex-SLN/BPN). Paralelamente, tem o pé em três sociedades de advogados no Brasil (a JD Consultores, a Oliveira e Silva & Associados, ambas com sede em São Paulo, e a JD&S, de Brasília).

O "Público" revelava ainda que Dirceu tem ligações próximas a Miguel Relvas, ministro dos Assuntos Parlamentares, filiado na mesma loja maçónica de Fernando Lima, a Universalis, e à Ongoing. “Foi João Abrantes Serra, sócio da sociedade Lima, Serra, Fernandes & Associados, que apresentou Dirceu ao presidente e vice-presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos e Rafael Mora". O jornal revelava também que a Ongoing contratara a namorada de Dirceu para colaborar com o grupo em São Paulo.



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