União Europeia Brexit: City de Londres já só pede acesso parcial ao mercado único

Brexit: City de Londres já só pede acesso parcial ao mercado único

A proposta do principal lobby financeiro do Reino Unido passa por chegar a acordo com a União Europeia para um acesso mútuo entre os mercados, reduzido às matérias sobre as quais as autoridades dos dois lados entenderem aceitar reciprocidade.
Brexit: City de Londres já só pede acesso parcial ao mercado único
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 12 de janeiro de 2017 às 01:08

O principal lobby financeiro britânico, o TheCityUK, terá desistido de tentar manter o acesso total aos mercados da União Europeia depois de o Reino Unido abandonar o espaço comunitário e agora já defende apenas um acordo limitado de transacções.


Num documento com 17 pontos, citado pela Reuters, os bancos, seguradoras e gestoras de activos representados na organização defendem a existência de um acesso mútuo entre os mercados, mas reduzido às matérias sobre as quais as autoridades dos dois lados da Mancha entenderem aceitar reciprocidade.


Refere o documento, avançado esta quinta-feira, 12 de Janeiro, por aquela agência noticiosa, que o Reino Unido deve procurar ter acesso "ao leque mais vasto possível de produtos e serviços financeiros" na futura configuração da União Europeia. O que assume deixar para trás parte do sector.


Este acordo parcial estaria assente em regimes de equivalência entre os dois territórios que permitissem às instituições em solo britânico continuar a prestar serviços aos seus clientes no continente.


Isso obrigaria a que, para todos os produtos em causa, se chegasse a um acordo de reconhecimento mútuo e a um entendimento que tomasse por válidas e reforçasse as decisões tomadas em ambas as jurisdições - como nos casos do mercado de derivados, em que os contratos de swaps negociados entre empresas europeias são resolvidas em tribunais britânicos.


Este género de acordos tornaria possível, refere a Reuters, manter a negociação de instrumentos como acções e obrigações e de outros produtos específicos entre os dois mercados.


A proposta surge numa altura em que, apesar das garantias do Governo, há receios de que possa sair das negociações uma desvinculação "dura" da União Europeia, colocando em risco o sector financeiro que é o maior exportador britânico e a maior fonte de receita fiscal empresarial do país.


No caso de um Brexit "duro" que fechasse a Londres o mercado da Europa continental, a indústria financeira britânica arriscaria perder 38 mil milhões de libras (43,75 mil milhões de euros à cotação actual).


O acesso ao mercado único é a maior preocupação do sector financeiro britânico, mas os membros da União Europeia têm feito saber que não haverá "cherry picking" na negociação dos termos de saída. Ou seja, que Londres não vai poder escolher entre o que quer e o que não quer ter no final das negociações. Não pode, por exemplo, rejeitar a livre circulação de pessoas – a recuperação do controlo da imigração foi um dos argumentos para o Brexit – e querer manter a livre circulação de capitais. 


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Anónimo 12.01.2017

Em matéria de impostos aprenderam com os portugueses. Estamos sempre na vanguarda, quando se ouve os polificos portugueses, dizem sempre porque na frança fazem isto, na alemanha faz-se aquilo ,na espanha ja ha muito que praticam etc.etc. na questão de impostos e roubalheira portugal corta a meta

beachboy 12.01.2017

...elos vistos os negociadores da UE não estão pelos ajustes...
...e ainda bem...
...ou seja, já foram!...
...como dizia o grande António Variações...
...quando a cabeça não tem juízo...
...o corpo é que paga!...

Nelio R F Pedra 12.01.2017

Façam ao contrário, saiam do UK com a mesma condição ...

beachboy 12.01.2017

...lol...
...só se a UE fosse doida...
...esta é a oportunidade de ouro para a UE se livrar da maior fonte de desestabilização da economia Europeia...
...é para pôr fim à piratararia finaceira dos bancos de Investimentos cediados em Londres...
...bye Froggies...

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