União Europeia Brexit: Londres pode ter de injectar dinheiro na economia se negociações não tiverem progressos rápidos

Brexit: Londres pode ter de injectar dinheiro na economia se negociações não tiverem progressos rápidos

O ministro britânico das Finanças revelou que se, no início do próximo ano, não houver progressos significativos nas negociações para o Brexit, o Reino Unido vai ter de começar a libertar mais dinheiro para a economia.
Brexit: Londres pode ter de injectar dinheiro na economia se negociações não tiverem progressos rápidos
Reuters
Ana Laranjeiro 11 de outubro de 2017 às 16:09

Numa altura em que ainda decorre a quinta ronda de negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Philip Hammond, ministro britânico das Finanças, pode ter colocado mais pressão sobre as negociações. Presente no comité do Tesouro do Parlamento britânico, Hammond defendeu que vai ter de ser injectado mais dinheiro na economia de forma que esta se possa preparar para um cenário em que a saída do Reino Unido ocorre sem um acordo com o bloco económico. Isto no caso de, no início do próximo ano, não haver progressos nas negociações que permitiam vislumbrar nomeadamente um período de transição, para o pós-Março de 2019.

"Vai haver algumas áreas nas quais precisamos de começar a gastar dinheiro no próximo ano se não conseguirmos dizer que estamos a movermo-nos de uma forma constante e bastante segura em direcção a um acordo de transição", afirmou, citado pela Bloomberg.

Antes destas palavras, o líder das Finanças britânicas já tinha descartado a possibilidade de essa injecção de capital fosse realizada já. "Não acredito que devamos estar no negócio de fazer gastos insignificantes" até ao momento em que o tenhamos de fazer. "Vamos estar preparados, não vamos gastar o dinheiro antes do necessário só para demonstrar o nosso ponto de vista".

Hammond defendeu ainda, citado pela Bloomberg, que Londres tem de estar preparado para a possibilidade de as negociações não terminarem bem e o Reino Unido não conseguir "cooperação e, no pior cenário, ficar numa situação em que as pessoas não estejam actuar necessariamente no seu melhor interesse económico".

A questão de o Reino Unido "divorciar-se" da União Europeia sem um acordo entre as partes, ganhou força na passada segunda-feira, 9 de Outubro, quando a primeira-ministra britânica, Theresa May, revelou no Parlamento que estavam a ser feitos planos de contingência para preparar o cenário de saída da União Europeia sem um acordo com o bloco. May afirmou que, apesar de pretender que as negociações com Bruxelas sejam bem-sucedidas, "também é nossa responsabilidade, como governo, preparar-nos para todas as eventualidades".

Já esta quarta-feira, Theresa May assumiu que está a ser preparada uma verba para a eventualidade do Brexit ocorrer sem que Londres e Bruxelas tenham alcançado um acordo. Mas, ainda assim, reiterou que o Reino Unido está a "trabalhar activamente" nas negociações.

"Estamos a preparar-nos para qualquer eventualidade", disse a primeira-ministra britânica, citada pela Reuters. May prosseguiu dizendo que Londres está a preparar uma almofada "para o Brexit, incluindo para um cenário em que não haja um acordo. Estamos a trabalhar activamente nas negociações com a União Europeia para assegurar que temos um bom acordo".

 

Quinta ronda termina amanhã

Depois de a semana passada ter sido complicada para o Governo britânico, na segunda-feira quando os negociadores britânicos chegaram a Bruxelas para a quinta ronda de negociações, a tensão política parecia ter já acalmado. À partida, as expectativas para esta ronda eram baixas. Mas havia quem perspectivasse que, no final da próxima semana, na cimeira dos líderes europeus, possam ser decidido dar alguma margem de manobra a Theresa May, de forma que possam ser alcançados acordos até à cimeira de Dezembro, eventualmente permitindo que, de seguida, as negociações foquem-se no acordo de transição.

Até aqui, haverá países da UE que estão bloquear as propostas que permitam que as negociações avancem para o tema do período de transição, de acordo com a informação avançada pela Bloomberg há dias. Até aqui, os 27 têm falado a uma só voz. Mas esta união pode começar a ter fracturas se as negociações sobre a relação comercial forem adiadas para além de Dezembro, segundo diplomatas citados pela Bloomberg. A Holanda e a Dinamarca são dois dos países que querem dar início, o quanto antes, a estas negociações.

A quinta ronda de negociações termina amanhã, uma semana antes de começar a cimeira europeia. Os líderes das negociações devem fazer uma conferência de imprensa na qual vão revelar a evolução das negociações.




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