União Europeia Britânicos reconhecem pela primeira vez que terão de pagar factura do Brexit

Britânicos reconhecem pela primeira vez que terão de pagar factura do Brexit

O Reino Unido admite, pela primeira vez, que terá de pagar à União Europeia pela sua saída. Numa declaração escrita no Parlamento o Governo fala em obrigações financeiras e atenua o discurso recente do ministro Boris Johnson.
Britânicos reconhecem pela primeira vez que terão de pagar factura do Brexit
Reuters
Negócios 14 de julho de 2017 às 09:45

"O governo reconhece que o Reino Unido tem obrigações para com a União Europeia e que a União Europeia tem obrigações, que vamos sobreviver à retirada [da União Europeia] e que isso precisa de ser resolvido". Num comunicado escrito, dirigido ao Parlamento britânico, o Governo de Theresa May reconheceu, pela primeira vez, que o Reino Unido tem obrigações financeiras com a UE.

 

O comunicado de Joyce Anelay, ministra britânica para o Brexit, foi divulgado pelo Financial Times e mostra uma nova postura face ao que o Pais sempre tem defendido, de que não haverá uma factura financeira a pagar. Este aspecto, presente desde o início nas negociações sobre a retirada do Reino Unido da UE, é um dos assuntos mais conflituosos em cima da mesa.

 

E o valor mais recente, não oficial, mas avançado também pelo Financial Times, colocaria essa conta em valores de cerca de 100 mil milhões de euros, com a França e a Alemanha a aumentarem a pressão e a fazerem subir a parada. Do lado britânico a resposta tem sido até agora negativa.

 

Em Maio, quando este valor foi noticiado, David Davis, o então negociador do Reino Unido para o Brexit, garantiu que o país não iria pagar esse montante e que, se fosse preciso, envolveria o Tribunal de Justiça da União Europeia na disputa. E afirmava ainda que, sem um acordo comercial não haveria lugar a qualquer pagamento.

 

Joyce Anelay põe agora água na fervura. "O Governo tem sido claro no sentido de que  vai trabalhar com a União Europeia para alcançar um acordo justo que salvaguarde os direitos e deveres do Reino Unido como Estado-membro de partida, de acordo com a lei e espírito da nossa contínua parceria", afirmou ao Parlamento.

 

A declaração de Anelay contrasta com o tom mais belicoso usado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, há apenas dois dias também no Parlamento, lembra a Bloomberg. Nessa altura, Johnson deu razão ao eurocéptico Philip Hollobone e afirmou que "as somas que tenho visto que se propõem a pedir a este país são uma extorsão e bem podem esperar sentados". 




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