Autarquias Câmara de Lisboa aprova projecto para edifício do Diário de Notícias com reservas da oposição

Câmara de Lisboa aprova projecto para edifício do Diário de Notícias com reservas da oposição

A Câmara de Lisboa aprovou esta quinta-feira um pedido de informação prévia de um promitente-comprador que quer reabilitar e ampliar o edifício onde funcionou o Diário de Notícias, para ali criar 32 fogos de habitação e um espaço comercial.
Câmara de Lisboa aprova projecto para edifício do Diário de Notícias com reservas da oposição
Vítor Mota/Correio da Manhã
Lusa 15 de dezembro de 2016 às 20:17

A proposta, que foi apreciada em reunião privada, contou com o voto contra do PCP, abstenção do PSD e do CDS-PP e com votos favoráveis da maioria socialista (que inclui o movimento Cidadãos por Lisboa).

 

As reservas da oposição prendem-se essencialmente com a salvaguarda do património do edifício, situado nos números 266-266A da Avenida da Liberdade e 111 a 111E da Rua Rodrigues Sampaio, freguesia de Santo António, classificado como de interesse público e distinguido com o Prémio Valmor.

 

Falando à agência Lusa no final do encontro, o vereador comunista Carlos Moura referiu que "obviamente o PCP não poderia ter outra postura que não votar contra". "Sempre alertámos para a preocupação de preservar o património e não estamos só a falar do prédio, estamos a falar do conjunto patrimonial: o prédio e o seu recheio", concretizou.

 

Para o PCP, não se devem "preservar apenas algumas questões arquitectónicas" e "não é claro" que todo o património esteja salvaguardado.

 

Por seu lado, o social-democrata António Prôa realçou que "aquele é um edifício muito especial na cidade, com muito valor arquitectónico, mas também simbólico". "Não estamos conformados com o facto de ser transformado num edifício de habitação", referiu, defendendo que o imóvel deveria, antes, "ter uma função de serviço púbico para ser usufruído pela cidade".

 

João Gonçalves Pereira, do CDS, lembrou que se trata de um pedido de informação prévia condicionado a "uma série de pareceres", entre os quais da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), o que causa "uma série de reservas" ao centrista. Ainda assim, João Gonçalves Pereira considerou ser "positivo que haja habitação naquela zona, sem ser apenas hotéis e escritórios".

 

Confrontado com as reservas, o vereador do Urbanismo da autarquia, Manuel Salgado, referiu que "não fazem sentido nenhum", uma vez que "não há qualquer questão patrimonial que esteja em causa no processo", até porque a DGPC "está a acompanhar" o projecto.

 

Sobre os próximos passos, referiu que se segue a concretização da venda do imóvel e, posteriormente, a realização de um pedido de licenciamento.

 

A proposta em causa "preconiza a viabilidade de alteração, incluindo a legalização de obras executadas ao longo dos anos do edifício do jornal do Diário de Notícias, dotando-o de características técnicas, funcionais e estéticas adequadas aos usos propostos: habitação (32 fogos), comércio (um espaço comercial) e estacionamento (44 lugares)", especifica o documento hoje aprovado e assinado por Manuel Salgado.

 

A proposta refere que "esta operação urbanística implica, também, a viabilidade de alteração de fachada".

 

Chamada a pronunciar-se, a DGPC emitiu um parecer favorável condicionado, salientando que deveria ser entregue o "projecto de execução de arquitetura e demais especialidades, de forma a verificar a sua adequação patrimonial para o imóvel classificado".

 

Segundo a mesma entidade, "no desenvolvimento futuro do projecto deverá ser mantido o vão de ligação da caixa de escada comum ao terraço coberto (antigo 'alpendrado')" e deve-se também "ponderar/estudar de forma cuidada a proposta de substituição das caixilharias para a fachada principal, elemento arquitectónico que se considera decisivo na concepção original do projecto".




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