Segurança Social Cáritas retém 2,4 milhões de euros no banco há dez anos

Cáritas retém 2,4 milhões de euros no banco há dez anos

Contas da Cáritas de Lisboa estão sob suspeita. O Ministério Público abriu um inquérito para avaliar a credibilidade de uma denúncia que aponta para crime de burla qualificada.
Cáritas retém 2,4 milhões de euros no banco há dez anos
Miguel Baltazar
Negócios 09 de março de 2017 às 09:50

Apesar das queixas sobre faltas de meios, a Cáritas de Lisboa tem há pelo menos dez anos mais de 2,1 milhões de euros em depósitos e 320 mil euros investidos em obrigações. As contas de 2014, reveladas esta quinta-feira por uma investigação do jornal Público, indicam que em 2014 a instituição teve um lucro de 110 mil euros. No mesmo ano, terá recebido donativos particulares de 325 mil euros e dedicado 147 mil euros em ajuda aos pobres.

O jornal nota, contudo, que as contas dos diferentes documentos a que tem vindo a ter acesso, por vezes apenas na sequência de uma ordem judicial, não batem certo. O relatório de actividades de 2014, publicado em Março do ano passado, indica que os apoios encaminhados para ajuda aos pobres serão mais residuais: 11,3 mil euros em apoio a 319 famílias.

Questionada sobre o facto de esta instituição sem fins lucrativos ter em tempos de crise económica mais de 2,4 milhões de euros em depósitos e investimentos financeiros, além dos 119 mil euros de lucro e do património imobiliário  – avaliado em 1,4 milhões de euros – a Cáritas justifica a almofada com a necessidade de acautelar o agravamento da crise ou o aumento de pedidos.

O objectivo é "manter os valores patrimoniais actualizados", uma vez que "continuam muito incertas as expectativas futuras", para fazer face à "necessária cobertura de défices de exploração expectáveis", já que "é por ventura esperado o aumento de solicitações" dos pobres, "a par de um abaixamento de doações". O jornal nota, no entanto, que o presidente da instituição, Carlos Frias Gomes, já revelou ao jornal da diocese que quer alocar 1,5 milhões de euros à criação "de uma residência universitária pra estudantes carenciados".

As contas dos jornal sugerem que os 407 mil euros recebidos do Estado, em parte via fundos comunitários, representam 34% das despesas totais da Cáritas, que fala antes num financiamento público de 20%.


Ministério público abriu inquérito

De acordo com o mesmo jornal, que cita fonte oficial, o Departamento de Investigação de Acção Penal (DIAP) de Lisboa instaurou um inquérito, em Janeiro, no qual são visados o presidente da Cáritas de Lisboa, José Carlos Frias Gomes, e o cónego Álvaro Bizarro, responsável pelas finanças do Patriarcado de Lisboa.

O inquérito visa avaliar a credibilidade de uma denúncia que aponta para a prática do crime de burla qualificada por parte dos dirigentes, na qual são visados o presidente da Cáritas de Lisboa, José Carlos Frias Gomes, e o cónelo Álvaro Bizarro, responsável pelas Finanças.

Só depois desta avaliação é que o Ministério Público decide se avança para investigação.

O patriarcado de Lisboa nega que o responsável tenha recebido notificação, enquanto a Cáritas de Lisboa afirmou ao Público desconhecer a existência "de qualquer queixa ou processo pendente".

 


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comentários mais recentes
ze 09.03.2017

Era bom que fossem os únicos ... infelizmente o que não falta ai são profissionais da pobreza, a quem não interessa que a pobreza acabe nunca, já que se assim fosse, perdiam o seu rendimento.

pertinaz 09.03.2017

TAL COMO DEFENDE O BLOCO DE ESQUERDA:

SACAR O DINHEIRO A QUEM ACUMULA...

ACUMULAR É CRIME ... QUE LOUCURA...

A PGR QUE FAÇA O SEU TRABALHO... !

Luis 09.03.2017

Vejam a misericórdia de Lisboa, todos os ajustes diretos a amigos do PSD.

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