União Europeia Carlos Moedas: Portugal ganhou credibilidade para "levantar a voz na Europa"

Carlos Moedas: Portugal ganhou credibilidade para "levantar a voz na Europa"

"Agora sim, temos a credibilidade para levantar a voz, para dizermos aquilo que queremos, para avançar com reformas que outros não querem e que para nós são tão importantes. Eu acho que isso é bom para o país no seu todo", disse o comissário.
Carlos Moedas: Portugal ganhou credibilidade para "levantar a voz na Europa"
Pedro Elias
Lusa 28 de maio de 2017 às 11:51

O comissário europeu Carlos Moedas, que fez parte do Governo durante o resgate financeiro, considera que, com a saída do Procedimento por Défice Excessivo, Portugal ganhou credibilidade para poder "levantar a voz na Europa" e influenciar reformas e decisões.

 

"Podemos ter uma voz mais forte na Europa. É interessante, porque quando estava no Governo estávamos na parte pior e as pessoas [diziam] ‘porque é que eles não gritam, porque é que eles não vão lá e dizem isto não pode ser?’. Porque nessa altura não vale a pena gritar", disse, em entrevista à TSF e ao DN, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação.

 

"Agora sim, temos a credibilidade para levantar a voz, para dizermos aquilo que queremos, para avançar com reformas que outros não querem e que para nós são tão importantes. Eu acho que isso é bom para o país no seu todo", acrescentou.

 

Para Carlos Moedas, que integrou o Governo de Passos Coelho (PSD), Portugal deve ter em conta três prioridades na União Europeia, a começar pelos mercados capitais.

 

"Portugal hoje sofre no sentido que as nossas empresas têm taxas de juro superiores a países como a Alemanha e isso é injusto, porque temos a mesma qualidade, o mesmo talento, e estamos a ser prejudicados por um mercado de capitais e uma união bancária que não aconteceu", afirmou.

 

Moedas sublinhou também que Portugal está em condições de dizer à Europa que "durante um período de ajustamento foi dos países que mais liberalizaram os seus serviços".

 

"Portugal hoje tem um mercado de serviços liberalizado e há países que não têm. E pode ser também uma voz mas da importância de essa transposição dos serviços que é importante para criar emprego, ser feita porque nós a fizemos e isso criaria mais riqueza na Europa", apontou.

 

No âmbito das prioridades, Carlos Moedas destacou ainda que Portugal tem caraterísticas "extraordinárias" na ciência e inovação: "Hoje temos ciência fundamental ao nível dos melhores países do mundo […] e podemos posicionar-nos nessa área", disse.

 

Na entrevista à TSF e Diário de Notícias, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação disse que se deve olhar para a questão da dívida em geral como "uma questão europeia".

 

"Mas, para que haja um dia à volta da mesa dos países da União [Europeia] vontade de fazer aquilo que se chama a mutualização de uma parte da dívida, é preciso que os países respeitem as regras, porque ninguém vai deixar que se mutualize a dívida, ou seja, que sejamos todos responsáveis pela dívida uns dos outros", afirmou.

 

Para Carlos Moedas, "é importante", na senda do que tem sido feito nos últimos anos, conseguir reduzir a dívida para que "um dia isso esteja em cima da mesa".

"Agora, quando é que isso vai estar em cima da mesa, não sei", afirmou.




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mais votado Anónimo 28.05.2017

As políticas do governo PS preparam-se para secar tudo isso que foi sábia e oportunamente fomentado pelo governo do PSD/CDS e estava de acordo com as sugestões e orientações técnicas veiculadas pelo FMI, a União Europeia e a própria OCDE perante a grandes transformações e desafios que se vivem na economia e na sociedade contemporâneas.

comentários mais recentes
I silva 29.05.2017

Na UE só a Alemanha levanta a voz porque tem excedentes de tesouraria que aplica na divida de outros Estados Europeus. Isto mesmo disse a deputada alemã que interveio num debate da recente campanha eleitoral francesa informando que a dívida era para pagar porque 27% pertenciam a Alemanha.

lol 28.05.2017

só aziados lololololol carrega PS

Anónimo 28.05.2017

A solução é flexibilização do mercado laboral, coisa que já existe em grande medida nas economias mais desenvolvidas mas não em Portugal, e Estado de Bem-Estar Social, coisa que já existe em grande medida nas economias mais desenvolvidas mas não em Portugal porque o Estado de Bem-Estar Social português é só para uma parte da população e por isso temos uma Função Pública (e agora também um sector bancário) de Bem-Estar Social, mas não um Estado. Para a sustentabilidade dos Estados, a competitividade das economias e a equidade das sociedades do mundo desenvolvido, os custos do excedentarismo e da blindagem anti-mercado que o garante e perpétua são incomensuravelmente maiores do que aquele Estado de Bem-Estar Social universal num mercado efectivamente concorrencial e flexível.

Anónimo 28.05.2017

O PS nunca espera "nos primeiros tempos" que o excedentarismo, a rigidez do mercado laboral, o esquema em pirâmide das prestações sociais públicas, o despesismo keynesiano, o sindicalismo marxista, o neoludismo tecnofóbico, os resgates aos bancos falidos, as pensões vitalícias dos deputados, etc., tenham impacto no défice e na dívida. O que é certo é que nos segundos, terceiros ou quartos tempos, e por ai adiante, um impacto muito negativo aparece sempre.

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