Política Monetária Carney defende que depreciação da libra depois do Brexit "era necessária"

Carney defende que depreciação da libra depois do Brexit "era necessária"

O governador do banco central inglês deu a entender que a depreciação da moeda de Sua Majestade era esperada devido à limitações que o Brexit trará à economia, mas não quer comprometer-se com um limite para a perda de valor da divisa.
Carney defende que depreciação da libra depois do Brexit "era necessária"
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 15 de Novembro de 2016 às 13:20
O governador do Banco de Inglaterra defendeu que a depreciação sofrida pela libra nos dias seguintes à decisão de saída do Reino Unido da União Europeia tomada em referendo era "necessária" e que ajudará o país a reduzir o défice da sua balança de pagamentos.

"A alteração era necessária. Era preciso que algumas coisas acontecessem para alterar o actual défice de conta corrente e uma delas era o ajustamento da moeda," afirmou Mark Carney esta terça-feira, 15 de Novembro, aos deputados.

O actual défice de conta corrente do Reino Unido está na casa dos 6% do PIB, com o governador a estimar que nos próximos dois anos o valor possa passar para entre 3% e 3,5%, refere o Financial Times citando o responsável.

Carney explicou que a queda da moeda reflectiu os receios dos investidores em relação à economia britânica que, com a possível perda de acesso ao mercado único, se tornaria mais fechada.

Na primeira sessão de negociação depois do Brexit a libra afundou mais de 8% e, desde essa data – 23 de Junho – o valor em relação à moeda norte-americana já se reduziu em cerca de 16%, cotando agora em 1,24 dólares. Na sessão desta terça-feira, recua 0,43%.

O governador não quis alongar-se quanto à dimensão que o ajustamento da moeda terá de alcançar, concretizando que os "acontecimentos futuros" é que vão definir se é ou não adequado. "O que acontecer entre o actual momento e a saída do Reino Unido terá um tremendo impacto na validade destas suposições," afirmou.

A primeira-ministra britânica Theresa May definiu o final de Março de 2017 como data limite para que o Reino Unido accione os procedimentos formais de saída da União Europeia, iniciando-se então um período de cerca de dois anos de negociações.

Esta terça-feira a BBC e o Times noticiaram que, de acordo com um relatório externo, o Governo britânico não tem um plano geral para implementar o Brexit. Mais tarde o Executivo afastou a paternidade do documento e disse desconhecer as suas recomendações.



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