Política Monetária Carvalhas: "Voltámos ao século XIX" com perda de autonomia ditada pelo euro

Carvalhas: "Voltámos ao século XIX" com perda de autonomia ditada pelo euro

O economista e ex-líder do PCP justifica campanha contra o euro, e defende que sem a influência do PCP e Bloco de Esquerda António Costa cederia às pressões da direita, incluindo as de Francisco Assis, que Carvalhas não distingue de Paulo Rangel.
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Rui Peres Jorge 16 de março de 2017 às 11:29

Carlos Carvalhas reconhece que o euro é uma moeda simpática, que facilita os câmbios, as deslocações e as transacções dentro da Zona Euro, mas que não tem racionalidade económica para Portugal. É uma moeda cara, que prejudica nas exportações, e é uma solução que retira a autonomia monetária ao país, na medida em que o fornecimento de liquidez pode ser cortado pelo BCE. "Voltámos ao século XIX", afirma, em entrevista à Antena 1, onde defende a preparação da saída do país da Zona Euro, uma opção que, no entanto, não é uma condição para o apoio do PCP a programas de governo do PS.

O Euro é uma "moeda que não tem em conta a racionalidade económica, que nos cria dificuldades. É uma moeda muito cara que nos obriga a ficar dependente dos mercados, mesmo nos pagamentos internos. Nós voltámos ao século XIX", afirma na entrevista à rádio pública, considerando que a campanha do PCP para uma saída da Zona Euro não é uma questão ideológica, mas sim uma questão económica, e que nessa medida não é um tema "determinante para apoiar o actual governo".

O ex-secretário-geral do PCP considera que o país se deve preparar para uma saída do euro e uma reestruturação da dívida pública, estudando o tema como já fez o parlamento holandês, colocando depois a questão ao BCE e à União Europeia, e avançando quando se sentir preparado, sem colocar a questão a referendo pois a reacção dos mercados seria negativa: com os níveis de dívida "levava à especulação, só por isso", defende.

PS de Francisco Assis de PSD de Paulo Rangel. Qual a diferença?

"Sinceramente António Costa, se estivesse sozinho no Governo faria esta política que está a ser seguida? Ou pelas pressões, ou até pelo pensamento que tem o Partido Socialista em muitas destas questões tinha seguido um outro caminho? Tinha cedido às pressões, às pressões de direita. Até inclusivamente no seu próprio partido?", afirma ainda o ex-secretário geral do PCP, avançando as questões que colocaria ao líder de governo sobre a orientação ideológica das políticas que tem adoptado. Este é o contributo que o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda dão à actual solução governativa.

Para fundamentar a sua posição, Carvalhas refere as pressões de direita a que o PS está sujeito. Em particular as pressões que chegam de dentro do próprio partido, exemplificando com Francisco Assis, o eurodeputado do PS que tem sido o crítico mais vocal da actual solução: " A gente ouve o Assis, e qual a diferença que há entre um Assis e um Rangel? Eles escrevem no Público, mas se um dia lhes trocassem o nome, e dissessem: ‘este é o artigo do Rangel’, mas tinha sido escrito pelo Assis, alguém dava conta?", diz, não encontrando distinções entre o PS de Francisco Assis e o PSD de Paulo Rangel.




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comentários mais recentes
Mas eles querem o euro não tem controle ? 16.03.2017

O euro só serve para os meninos não fazerem cambio,e dá jeito aos maus portugueses esconderem nas offhores,e sacarem em Portugal e irem pagar impostos na Holanda,assim o nosso País não se levanta,votante do PSD vou votar geringonça ,são sérios.

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