Saúde Caso Huawei: Dirigentes da Saúde põem lugar à disposição, ministro prefere esperar

Caso Huawei: Dirigentes da Saúde põem lugar à disposição, ministro prefere esperar

Seis dirigentes da Saúde colocaram hoje os lugares à disposição, na sequência da polémica das viagens pagas por um parceiro da Huawei - a Nos - à China. O ministro apreciou o gesto, mas prefere esperar pela IGAS antes de aceitar a saída dos seis dirigentes.
Caso Huawei: Dirigentes da Saúde põem lugar à disposição, ministro prefere esperar
Bruno simão
Bruno Simões 28 de agosto de 2017 às 18:07

As polémicas viagens à China pagas por uma empresa parceira da Huawei - que o Eco diz ser a Nos - a dirigentes dos Ministérios da Saúde e Finanças levaram hoje pelo menos seis dirigentes a colocarem os seus lugares à disposição, incluindo um que (ao que se sabe) nem sequer participou nas viagens: o presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS). De acordo com um comunicado do gabinete do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes registou o gesto, mas prefere esperar pela investigação em curso antes de tomar uma decisão.

 

A notícia foi dada pelo Expresso no passado sábado: em 2015, cinco altos quadros do Ministério da Saúde e outro da Autoridade Tributária viajaram até à China (este último noutra altura) pagos por uma empresa associada da Huawei. De acordo com o jornal online Eco, essa empresa foi a Nos, que gastou 12.516 euros para levar 14 pessoas à China - além dos cinco dirigentes da Saúde, viajaram ainda nove representantes dos três maiores grupos de saúde privada nacionais.

No caso da Saúde, todos os funcionários trabalham nos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS): Artur Trindade Mimoso, vogal do conselho de administração, Nuno Lucas, director de sistemas de informação, Ana Maurício, directora de comunicação, Rui Gomes, director de sistemas de informação e Rute Belchior, directora de compras.

 

O ministro da Saúde pediu uma "intervenção urgente" da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS). Esta segunda-feira "ocorreram diversas reuniões com os referidos dirigentes, na sequência das quais foram colocados à disposição os respectivos lugares", lê-se no comunicado enviado às redacções, "em particular pelos senhores presidente e vogal do Conselho de Administração da SPMS".

 

De acordo com a notícia do Expresso, o presidente da CA não faz parte dos elementos da SPMS que viajaram até à China.

 

Contudo, Adalberto Campos Fernandes nada decidiu, para já. "O Ministério da Saúde, na convicção de que o exercício de funções públicas exige obrigações especiais de transparência, rigor comportamental e observância dos princípios éticos, regista como positiva esta atitude", mas entende "ser adequado aguardar pelas respectivas conclusões" da investigação da IGAS, as quais habilitarão a uma tomada de decisão definitiva, justa e fundamentada". A investigação tem "carácter de urgência" e que encontra-se "em desenvolvimento".

 

Do lado do Ministério das Finanças, o funcionário em causa, Carlos Santos, que é chefe de equipa multidisciplinar de 2.º nível do Núcleo de Sistemas Distribuídos, está a ser investigado pela própria Autoridade Tributária, que abriu um inquérito para "verificação das circunstâncias que levaram à autorização e aceitação da viagem em questão".

Em Julho, o Observador já havia noticiado que a Huawei tinha pago viagens à China a diversos políticos e detentores de cargos públicos. Entre eles estavam Sérgio Azevedo, um dos vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Luís Newton, presidente da junta de freguesia da Estrela, Ângelo Pereira, presidente do PSD Oeiras e candidato do partido ao município, Paulo Vistas, presidente da câmara de Oeiras, Nuno Custódio, vice-presidente do PSD Oeiras, Rodrigo Gonçalves, vice-presidente do PSD Lisboa, e João Mota Lopes, ex-director do Instituto de Informática da Segurança Social.

Nuno Barreto, que também viajou até à China a expensas da Huawei, demitiu-se do cargo de adjunto do secretário de Estado das Comunidades.


Notícia actualizada às 18:35 com a informação de que a parceira é a Nos.




A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
pertinaz 29.08.2017

O MINISTRO PODE IR TAMBÉM...!!!

??? 29.08.2017

Mas será que o PSD tem gente que não é corrupta e oportunista? Não me parece

Anónimo 29.08.2017

O actual ministro da saude e o PS nada têm a ver com este esquema pois ocorreu quando ainda era governo o PSD/CDS. Como tal, o Socrates também nada tem a ver com esta vergonha. O melhor será a direitalha meter a viola no saco e ficar caladinha à espera de melhores dias

fa 29.08.2017

Esta gente honrada colocou o lugar à disposição. E porquê? Porque como os chefes também estão metidos no negocio tem de se fazer de conta. Em Lisboa o esquema é de tal ordem que os chefes nem deram conta que os subordinados se tinham ausentado. Em Lisboa vive-se do expediente

ver mais comentários
pub