Política Catarina Martins: "Não houve nenhuma ilegalidade” no caso Robles

Catarina Martins: "Não houve nenhuma ilegalidade” no caso Robles

A coordenadora do Bloco de Esquerda assume que "as circunstâncias demonstraram que se tornava difícil o exercício de funções" do ex-vereador da Câmara de Lisboa.
Sábado 31 de julho de 2018 às 16:59

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, voltou a defender o ex-vereador da Câmara de Lisboa Ricardo Robles, garantindo que não foi cometida nenhuma ilegalidade no caso do prédio de Alfama que levou à demissão do bloquista.  

"A direcção política do Bloco analisou [o pedido de demissão] e compreendemos que havia uma opção que contraria os princípios do Bloco, mas não houve nenhuma ilegalidade", afirmou a dirigente bloquista após a reunião, em Belém, com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O Chefe de Estado está a receber os partidos para abordar o Orçamento do Estado para 2019 e falar sobre o próximo ano parlamentar.

"As circunstâncias demonstraram que se tornava difícil o exercício de funções de Ricardo Robles", reconheceu, porém, a líder do BE, garantindo que o ex-vereador "não deixará de ser um activista pelo direito à habitação" apesar da saída do cargo e da polémica.

"A direção do BE manteve a sua inteira solidariedade com Ricardo Robles neste tempo todo", declarou Catarina Martins. Catarina Martins reiterou que, apesar de terem existido "notícias reais" sobre o imóvel comprado por Ricardo Robles, houve "notícias falsas", relativamente às quais "nunca foram publicados os desmentidos, os direitos de resposta foram negados", e que contribuíram para as circunstâncias que levaram à renúncia ao cargo de vereador. 

"Quando se compreendeu que, face ao ruído criado, de mistura entre notícias verdadeiras, legítimas, de escrutínio dos titulares dos cargos políticos, e notícia falsas, com agendas políticas determinadas de ataque ao Bloco, se tornava difícil o esclarecimento do que precisava de ser esclarecido e as explicações que precisam de ser dadas face à perplexidade que a situação criou, o Ricardo fez também o que eu acho ser exemplar, protegeu o partido, pedindo a sua demissão", disse.

A demissão de Ricardo Robles surgiu na sequência de uma notícia avançada na edição de sexta-feira do Jornal Económico segundo a qual, em 2014, o autarca adquiriu um prédio em Alfama por 347 mil euros, que foi reabilitado e posto à venda em 2017 avaliado em 5,7 milhões de euros.

Esta segunda-feira, a Comissão Política do BE revelou que o professor Manuel Grilo, número três na lista, vai substituir Robles como vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa. A número dois na lista, Rita Silva, "manifestou a sua indisponibilidade para assumir o cargo, tendo em conta as responsabilidades dirigentes que tem num movimento social e que considera incompatíveis com o exercício do cargo de vereadora".




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