Orçamento do Estado Catarina Martins quer subir impostos sobre rendimentos de capital

Catarina Martins quer subir impostos sobre rendimentos de capital

Além de mais escalões do IRS, o Bloco de Esquerda quer os rendimentos de capital a pagar mais imposto. O partido recupera uma medida que já apresentou no OE de 2015 e que contou com a abstenção do PS.
Catarina Martins quer subir impostos sobre rendimentos de capital
Miguel Baltazar/Negócios
Marta Moitinho Oliveira 29 de agosto de 2017 às 19:10
O Bloco de Esquerda quer aumentar a tributação sobre os rendimentos de capital, para financiar uma subida nos salários e nas pensões. A sugestão foi lançada por Catarina Martins em durante uma visita a uma Associação Cultural, na mesma altura em que uma delegação do Bloco estava reunida com o Governo para negociar o Orçamento do Estado para 2018.

"Há soluções do ponto de vista da receita fiscal e da receita fiscal que não sobre rendimentos do trabalho - sobre os rendimentos do capital, por exemplo -, que podem ser utilizadas para permitir este alívio dos salários e das pensões", explicou a dirigente bloquista citada pela Lusa.

A líder do BE notou que, em Portugal, "infelizmente é quem trabalha que paga quase tudo e os rendimentos do capital, os rendimentos muito altos, pagam muito poucos impostos".

Perante as "várias medidas em cima da mesa" nas negociações entre o BE e o Governo sobre o OE2018, o partido tem "toda a abertura" para encontrar soluções, desde que contribuam para "aumentar a progressividade fiscal", acrescentou.

"Para o Bloco de Esquerda é essencial criar-se mais escalões de IRS e assim aliviar quem está neste momento a pagar uma factura pesada demais, recuperando rendimento do trabalho, de salários e pensões e, ao mesmo tempo, também repondo alguma justiça fiscal num país que é muito desigual e tem injustiças a mais", disse ainda citada pela Lusa.

A intenção dos bloquistas não é nova e o recado foi deixado logo no primeiro Orçamento apoiado pela geringonça. A 22 de Fevereiro de 2016, a deputada do Bloco Mariana Mortágua defendeu o mesmo no Parlamento. Ao longo de 2016 e nas propostas dos próximos Orçamentos vai ser necessário proceder a reformas de fundo", disse Mariana Mortágua,acrescentando que o Bloco de Esquerda quer "simplificar" o imposto, reduzindo a "floresta de isenções" e "aplicar o princípio do englobamento dos vários rendimentos para determinação da matéria colectável".

O englobamento dos rendimentos em sede de IRS foi uma das propostas feitas pelo partido no Orçamento do Estado para 2015, que foi rejeitada pela então maioria parlamentar PSD/CDS, mas que contou com a abstenção dos socialistas.

Na lei actual, os rendimentos de depósitos, obrigações, títulos de dívida e acções ficam fora do cálculo do IRS, sendo tributados à parte, com uma taxa de 28%. Se estes rendimentos forem englobados, podem vir a pagar a taxa máxima de IRS, actualmente de 48%.

A líder do Bloco de Esquerda pediu mais progressividade fiscal no IRS e disse querer "medidas significativas " no OE. Se a reposição de rendimentos para as famílias "for meramente simbólica" as pessoas não vão "sentir que ela existiu e isso não tem nenhum sentido", avisou.



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mais votado Anónimo 30.08.2017

Ou seja, o BE quer dar um emprego a todas as pessoas. Nem que seja um emprego como excedentário, ou sobrepago, para a vida inteira. Ainda vamos ver auxiliares a ganhar mais do que um médico especialista e motoristas a cobrar salário ao empregador para andarem a passear em carros "driverless".

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pertinaz 31.08.2017

FIONA LOUCA...!!!

Greed & Fear 30.08.2017

Estão aí as eleições. Votem.
E não se enganem, votar PS, BE ou PCP é a mesma coisa.

Anónimo 30.08.2017

Os impostos sobre o trabalho é que devem baixar gulosa. Não é aumentar os do capital para compensar a roubalheira que são os do trabalho. Os dois devem é BAIXAR GALIFONA IGNORANTE. Baixar.
E os que celebram uma eventual subida não se apercebem que se sobem os de capital. Subiram os do trabalho.

Anónimo 30.08.2017

A Holanda é tão mais orientada para o mercado, tão amigável para os negócios e empresas, e tem um mercado laboral tão mais flexível e um mercado de capitais tão mais forte e dinâmico, que até diversos artistas portugueses de esquerda e extrema esquerda têm, a par com várias sociedades empresariais portuguesas, relocalizado a sua residência fiscal para lá onde os seus rendimentos sob a forma de royalties sobre propriedade intelectual, lucros, mais-valias e dividendos, são salvaguardados. Isto quer dizer alguma coisa certamente sobre quem são os estúpidos ou os espoliados no meio desta história toda...

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