Política Catarina Martins: "O salário milionário dos administradores [da CGD] é pura e simplesmente inaceitável"

Catarina Martins: "O salário milionário dos administradores [da CGD] é pura e simplesmente inaceitável"

BE, PCP e PEV mostraram-se esta quarta-feira contra os "salários milionários" da nova administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e criticaram o futuro tratado económico-comercial entre União Europeia e Canadá (CETA) no debate parlamentar preparatório do Conselho Europeu.
Lusa 19 de Outubro de 2016 às 17:28

O primeiro-ministro, António Costa, optou por não responder às críticas à sua esquerda sobre as remunerações do novo presidente da CGD (423 mil euros anuais e os vogais executivos 337 mil euros), garantindo que o CETA é diferente do tratado também em negociação com os Estados Unidos (TTIP) e que a melhor forma de garantir alguma regulação numa época de globalização é através da forte presença institucional da União Europeia no mundo.

 

"O salário milionário dos administradores é pura e simplesmente inaceitável. Não vamos discutir, como a direita, se deve ser quatro ou cinco vezes o salário do primeiro-ministro. A Assembleia da República será confrontada novamente com esse tema. Para o BE, este não é assunto encerrado", prometeu a líder bloquista, Catarina Martins.

 

O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, recordou que a proposta de limitar os "salários e privilégios" dos gestores públicos ao nível do salário do chefe do executivo foi chumbada em sede de comissão parlamentar com os votos contra de PS e PSD, "permitindo assim um farto aumento".

 

"O que este Conselho Europeu devia fazer era desatar o nó cego do Tratado Orçamental", afirmou Catarina Martins, defendendo a recusa de "limitações à soberania democrática" de quem vive em Portugal e aquilo que "a Constituição determina".

 

A coordenadora do BE afirmou também que o CETA é igual ao TTIP "porque muitas empresas norte-americanas estão estabelecidas no Canadá", sendo igualmente "inaceitável". O BE apresentou ainda um requerimento com quatro perguntas dirigidas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o assunto, designadamente sobre se o Governo "pondera mudar de posição sobre a ratificação do acordo".

 

"O PCP continua a manifestar o seu repúdio por sucessivas chantagens que a Comissão Europeia, em conluio com maioria do Parlamento Europeu, faz, visando prolongar a discussão sobre as sanções (por incumprimento das metas orçamentais), com único objectivo de levar a polémica até à discussão final do OE2017. Talvez fosse altura de lhes lembrar que quem manda em Portugal são os portugueses", referiu, por seu turno, Jerónimo de Sousa.

 

O líder comunista enalteceu ainda a posição da Bélgica, que se opôs à assinatura do acordo com o Canada, alertando para as consequências para produção nacional, soberania e segurança alimentar em Portugal.

 

"Denunciámos a falta de informação. Qual o receio de quem está a negociar de que os povos e populações conheçam os conteúdos destes tratados?", questionou a líder parlamentar de "Os Verdes", Heloísa Apolónia, sublinhando a "perda de soberania" e o "passo para a subordinação do poder político ao económico" que considera implicar tanto CETA como TTIP.

 

O primeiro-ministro defendeu que "a globalização é um dado" [adquirido] da "inserção no mundo" e se se a quer "regulada", há que "ter a capacidade institucional" de o fazer.

 

"A função da UE tem de ser a organização que representa o conjunto da Europa, um instrumento fundamental, se queremos ter protecção da produção, dos direitos dos trabalhadores, sustentabilidade ambiental, saúde pública e qualidade alimentar, temos de ter uma política europeia que assegure que a concorrência a nível mundial decorre nos termos europeus e não pelas normas praticadas noutras regiões do mundo", afirmou.

 

António Costa declarou ainda que o CETA, por exemplo, prevê não "um puro mecanismo de arbitragem", mas sim um "tribunal permanente, designado pelos Estados e não pela iniciativa privada", ao contrário do TTIP. O líder do Governo português garantiu que, dada a sua "natureza mista", os diferentes parlamentos nacionais serão ainda chamados a pronunciar-se.

 

O deputado do PS Eurico Brilhante Dias, referindo-se ao TTIP, afirmou que será o tratado "discutido com a maior transparência desde que há tratados internacionais" e que "se fosse assim tão desfavorável para a Europa, os EUA já o tinham subscrito".




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mais votado JCG Há 3 semanas

Sejamos realistas: muitos dos rapazes e raparigas que estão no Governo e na AR a votar estas coisas têm expectativas de que após cumprirem uns anitos de "serviço público" remunerados com salários de 3 ou 4 mil euros por mês tenham a sua oportunidade de dar o grande salto para manjedouras douradas com remunerações na ordem dos 30 ou 40 mil euros mensais.

Lembram-se do que veio a público sobre a remuneração daquele caixeiro viajante - Monteiro - que anda a tentar vender o NB?

Logo, não são burros ao ponto de aprovarem agora leis e normas que lhes possam prejudicar essa possibilidade mais adiante.

A menos que uma opinião póblica consciente, informada e íntegra os pressione a sério.

comentários mais recentes
JCG Há 2 semanas

Continuo sem ver qualquer informação do Governo quanto a objetivos atribuidos à administração da CGD. Parece que as manadas de papagaios opinantes também não se preocupam muito com isso e jão dão como adquirido que o gangue do Domingos vai faturar pela fasquia máxima, ou seja, com prémios e bónus e tudo o que essa casta quiser.

Pois bem, eu avanço 2 objetivos (sem os quais não percebo qual a lógica de se manter a CGD como empresa pública):

1º Um objetivo de COBERTURA INTEGRAL DO PAÍS com representação comercial da CGD, podendo essa cobertura ser assegurada em pequenos aglomerados (com pelo menos 50 ou 100 residentes) por caixas móveis ou pequenos balcões com abertura a tempo parcial ou até com balcões móveis, como faz a cabeleireira de Trás-os-Montes;

2º Um objetivo de RENTABILIDADE que deverá exigir uma taxa de lucro (lucro líquido a dividir pelos capitais próprios) no mínimo igual à taxa de juros mais alta paga na dívida pública portuguesa. Com lucros até essa fasquia não haverá prémios e bónus para ninguém.

Será adicionalmente escandaloso que a CGD comece a pagar bónus e prémios (os que lá trabalham já recebem os seus salários) antes de conseguir assegurar lucros ao acionista que cubram pelo menos os custos que este tem em juros com o financiamento do dinheiro que injetou e injetar na CGD.

Acho até que se o Governo não tiver a ética e o decoro mínimos de fixar claramente este objetivo de rentabilidade haverá fundamento para os contribuintes/ acionistras recorrerem para instâncias judiciais, por exemplo processando o governo por gestão danosa de recursos públicos.

Anónimo Há 2 semanas


Um governo de ladrões

PS . BE . PCP - ESTRAGAM A VIDA A 9 MILHÕES DE PORTUGUESES

Para dar mais dinheiro e privilégios a 1 milhão de FP e seus pensionistas.


Carbo Há 2 semanas

No decurso de 140 anos de história, a CGD tem finalmente um presidente executivo sério e competente e é nesse momento que se lembram de criticar o salário. E vivem bem com múltiplos desse valor pagos a centenas de funcionários redundantes.

SÍTIO MUITO MANHOSO Há 2 semanas


...AFINAL PALAVRA DADA NÃO É PALAVRA HONRADA...NEM NUNCA FOI COM "ESTES POLÍTICOS" !!!

AFINAL, ,APOIAM O GOVERNO P.S. E ESTÃO CONTRA !!! SE ESTÃO CONTRA, SE ESTÃO CONTRA, RETIREM O APOIO. . . OU É SÓ CONVERSA PARA MAIS UMA VEZ ENGANAREM O POVO . . . QUE DUMA FORMA OU OUTRA É SEMPRE... ENGANADO !!!

JÁ NÃO HÁ PACHORRA !!!

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