Cavaco Silva: Subida da extrema-direita na Europa causa "grande preocupação"
07 Maio 2012, 12:51 por Jornal de Negócios Online | negocios@negocios.pt
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Presidente da República diz que o directório franco-alemão não é uma solução de coesão para a Europa e que é preciso aguardar o desfecho das negociações para formação do governo na Grécia.
Cavaco Silva comentou esta manhã os resultados das eleições que decorreram ontem na França e na Grécia, assinalando que “antecipei muita coisa que depois veio a acontecer”.

Para o Presidente da República, a Grécia é um caso “muito complexo” e nesta altura “não há outra coisa a fazer se não esperar”, pois os resultados são inconclusivos quanto à formação do próximo Governo.

Cavaco Silva lembrou que a Grécia está a ser alvo de um segundo resgate internacional e que os Estados-membros da União Europeia vão ter que em breve tomar decisões se desembolsam ou não as próximas tranches do empréstimo internacional ao país.

Questionado sobre a subida da extrema-direita nas eleições em países europeus, Cavaco Silva respondeu que essa tendência causa uma “preocupação grande”, pois tanto na Grécia como noutros países, os movimentos eurocépticos estão a ganhar força.

Deste modo, os “políticos europeus devem saber o que é preciso fazer para que os europeus acreditem no projecto de construção europeia”.

Esta tendência “dá que pensar”, assinalou Cavaco Silva, lembrando que a crise não está a atingir apenas países sujeitos a programa de ajustamento, lembrando também o caso da Holanda, onde o Governo caiu devido ao desequilíbrio entre medidas de austeridade e pró-crescimento.

Na Grécia os partidos que apoiam a saída do país do euro obtiveram votações expressivas. O Aurora Dourada, de extrema-direita radical, obteve 6,97% dos votos, o que lhe garante 21 lugares no parlamento. Na primeira-volta das eleições em França o partido de extrema-direita, liderado por Marine Le Pen, ficou próximo de 20% dos votos. As legislativas em França decorrem em Junho.

Questionado sobre o discurso que fez em Florença, contra a liderança da Europa pelo eixo franco-alemão, Cavaco Silva afirmou que na altura “antecipei muita coisa que depois veio a acontecer”.

“Um directório de apenas dois países, num conjunto de 27, não é solução de coesão e equidade num projecto que interesse a todos”, afirmou Cavaco Silva, durante a visita à Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal.

Quanto à sua expectativa sobre as alterações que a vitória de Hollande em França vai provocar na Europa, o Presidente da República afirmou que “vamos aguardar as reacções às ideias do novo presidente de França”.



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