Política CDS avança com moção de censura

CDS avança com moção de censura

Assunção Cristas anunciou que o CDS vai mesmo avançar com uma moção de censura ao Governo devido às tragédias provocadas pelos incêndios que provocaram mais de 100 mortos nos últimos quatro meses. A líder do CDS diz que “não chega aprovar medidas para o médio e longo prazo”.
CDS avança com moção de censura

"É altura do sr. primeiro-ministro se apresentar para as devidas consequências", afirmou Assunção Cristas, líder do CDS, justificando a apresentação da moção de censura. A responsável adiantou que já informou o Presidente da República sobre esta decisão.

"O Estado falhou na prevenção, no combate" aos incêndios "e terá falhado no socorro" às populações, defende a responsável, com base nos estudos sobre o que aconteceu em Pedrógão Grande, em Junho.

"Há quatro meses remetemo-nos ao silêncio. Hoje estamos unidos na dor, fazemos luto, respeitamos as vítimas, mas hoje isso é dar voz à indignação pela repetição de uma tragédia de tão larga dimensão humana", sublinha a líder do CDS.

O CDS vai assim avançar com uma moção de censura "pela falha grave em cumprir a mais básica função do Estado: proteger as pessoas". Assunção Cristas considera que o Governo "não parece ter retirado qualquer consequência" do que aconteceu em Pedrógão Grande há quatro meses e este fim-de-semana.

 

"O primeiro-ministro não agiu, não corrigiu os erros, não assumiu as responsabilidades e pautou-se pela inacção. Podia, e devia, ter agido e não o fez. Uma vez repetida a tragédia, o Governo não assume uma única responsabilidade, não reconhece um único erro, não faz um pedido de desculpas. Não chega aprovar medidas para o médio e longo prazo", salienta.

 

"O primeiro-ministro não tem demonstrado que está à altura de compreender a essência das funções do Estado" e os "portugueses tão podem ter um Governo que numa situação de catástrofe não compreende a sua função e não responde à altura das exigências."


Assunção Cristas acusa ainda o Governo de "inacção total" e de "total incapacidade de assumir desculpas".

 
Na segunda-feira, o primeiro-ministro António Costa rejeitou demitir a ministra da Administração Interna e prometeu para sábado decisões no âmbito da protecção civil, na sequência do relatório da comissão técnica independente que deixou um conjunto de recomendações depois das 64 mortes de Pedrógão em Junho deste ano. 

Os incêndios deste domingo acrescentaram 37 vítimas mortais. 

Os partidos que suportam o Governo na Assembleia têm recusado também pedir a demissão de Constança Urbano de Sousa, embora peçam uma alteração de políticas. 

Para ter sucesso, a censura ao Governo teria de ter a maioria dos votos no Parlamento. CDS e PSD - que têm assumido o grosso das críticas ao Executivo - não têm votos que cheguem para viabilizar uma censura. 

Em resposta aos jornalistas, Assunção Cristas sinalizou compreender a fraca probabilidade de a censura passar, o que provocaria a queda do Governo. 

"Não ignoramos as circunstâncias parlamentares e o apoio de que o primeiro-ministro e o Governo dispõe" no Parlamento, disse a líder do partido. 

No entanto, Assunção classificou esta como uma "situação em que se justifica a censura ao Governo". "Uma situação ímpar", afirmou. 

Questionada sobre como os restantes grupos parlamentares votarão, Cristas remeteu para os próprios, mas avisou: "Quem achar que o Governo fez tudo bem nesta matéria, estará ao lado do Governo".  


Cristas informou antes o Presidente da República e o líder do PSD. Segundo a líder do partido, a audiência com Marcelo deverá acontecer esta quarta-feira.

(Notícia actualizada às 16:13 com mais declarações)




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