Impostos Centeno admite canalizar todo o alívio fiscal do IRS para rendimentos mais baixos

Centeno admite canalizar todo o alívio fiscal do IRS para rendimentos mais baixos

O ministro das Finanças pretende que a folga orçamental existente para mexer nos escalões do IRS seja totalmente usada para os contribuintes de rendimentos mais baixos, referindo que "há outros mecanismos" implementados "a partir de 2018".
Centeno admite canalizar todo o alívio fiscal do IRS para rendimentos mais baixos
Bruno Simão
Lusa 18 de setembro de 2017 às 20:19

Quando questionado sobre se a folga orçamental que existe para mexer nos escalões do IRS vai ser integralmente canalizada para o alívio fiscal no segundo escalão, Mário Centeno disse que "a fórmula ainda não está fechada" e que "o objectivo é inequívoco e é trazer um alívio em termos fiscais adicional aos portugueses de rendimentos mais baixos".

 

Mas o ministro, que falava durante a apresentação do relatório do grupo de trabalho para a reforma da supervisão financeira, que decorreu hoje no Ministério das Finanças, em Lisboa, destacou a palavra "adicional" para evidenciar que "há outros mecanismos que vão também ser implementados a partir do ano de 2018".

 

Reconhecendo que "é verdade que uma alteração linear dessas taxas iria beneficiar todas as famílias que têm rendimentos superiores ao escalão onde se vai intervir", o governante afirmou que "tecnicamente é possível desenhar os escalões de forma a que isto não aconteça".

 

"Também faz parte da decisão que temos de tomar decidir qual é o espectro de rendimentos para os quais por via desta medida adicional -- e eu usei a expressão adicional -- isso pode vir a acontecer", disse ainda Mário Centeno, sem no entanto explicitar a "medida adicional" em causa.

 

No programa do Governo, o Governo tinha-se comprometido com um alívio da carga fiscal dos contribuintes com rendimentos mais baixos, uma intenção anunciada já em 2015 e cujo montante foi calculado no Programa de Estabilidade, apresentado em Abril, em 200 milhões de euros em 2018.

 

Tanto o ministro das Finanças como o primeiro-ministro já afirmaram publicamente que o objectivo é desenhar uma medida direccionada aos contribuintes do segundo escalão (com rendimentos entre os 7.091 e os 20.261 euros anuais), a qual poderá passar pelo desdobramento do segundo escalão.

 

No entanto, o mero desdobramento deste escalão iria beneficiar os contribuintes do novo escalão, mas também todos os que estiverem nos níveis superiores de rendimento, uma vez que o rendimento é tributado a diferentes taxas ao longo da distribuição de rendimentos.

 

Um exemplo hipotético: se se criar um novo escalão para que, até 15 mil euros de rendimento bruto, a taxa de tributação seja de 20%, isto fará com que os primeiros 15 mil euros de matéria colectável de todos os contribuintes que aufiram pelo menos aquele rendimento anual, incluindo os do patamar mais alto de rendimentos, passem a ser tributados a 20% em vez de a 28,5%, como actualmente acontece.

 




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mais votado Anónimo Há 4 dias

Os agregados familares que recebem 45 ou 50 mil anuais sao gente rica para o BE e também para este PS e podem continuar pagar quase 40% de IRS!!!!!

comentários mais recentes
As Greves Políticas PCP BE PSD Há 1 semana

Com os resultados Autárquicas,era sabido, o PCP e o BE iam deitar Mãos as poderosas Armas Politicas, e mandatários Sindicais, tal como o PSD ha muito vem fazendo com Enfermeiros, como o Povo vai reagir nas próximas Eleições face as greves previstas ? Castigar os Responsáveis das Greves com + ou - %?

Já não Há Mentira que Pegue Há 3 semanas

Não se vê Razão nenhuma para votar em outro Partido nas eleições, vê-se Todas as Razões para Votar no PS, 1º porque ninguém quer voltar a Trás, aos Saques do PSD e CDS,2º Acabar com a dependência do BE, já que o PSD se Auto Excluio das Soluções para Portugal, agarrados que estavam ao TACHO.

Anónimo Há 4 dias

Os agregados familares que recebem 45 ou 50 mil anuais sao gente rica para o BE e também para este PS e podem continuar pagar quase 40% de IRS!!!!!

otario Há 4 dias

Mais um prémio para todos aqueles que fogem aos impostos e declaram pouco mais que o salário mínimo e ainda assim, compram carros de 80.000€,
E os outros, que tem de declarar cada cêntimo que ganham e ver quase metade do rendimento a ser confiscado , não podemos deixar de nos sentir roubados

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