Economia Centeno antecipa crescimento em torno de 2% “ou um pouco acima” nos próximos anos

Centeno antecipa crescimento em torno de 2% “ou um pouco acima” nos próximos anos

O ministro das Finanças assegura que a redução dos estímulos do BCE não terá qualquer "impacto" em Portugal no próximo ano e que a robustez da economia "vai continuar".
Centeno antecipa crescimento em torno de 2% “ou um pouco acima” nos próximos anos
Miguel Baltazar/Negócios
Rita Faria 08 de novembro de 2017 às 10:31

As estimativas do Governo apontam para uma desaceleração do crescimento da economia portuguesa de 2,6% este ano para 2,2% em 2018, uma estimativa que o ministro das Finanças admite ser "muito prudente". Em entrevista à Bloomberg TV, Mário Centeno antecipou que, nos próximos anos, o crescimento deverá estabilizar em torno de 2% "ou um pouco acima".

Uma subida do PIB de 2,2% em 2018 "é uma previsão muito prudente", reconheceu Centeno esta quarta-feira, 8 de Novembro, citando os bons dados do mercado de trabalho, exportações e investimento. "Vemos uma economia muito dinâmica. Mas em termos orçamentais, é melhor projectar uma evolução prudente para a nossa economia. A robustez que vemos vai continuar no próximo ano", acrescentou.

Questionado sobre se o crescimento vai estabilizar em torno de 2% nos próximos anos, o ministro das Finanças afirmou que esse ritmo "é provavelmente o crescimento potencial da economia portuguesa agora". "Depois de estabilizarmos o sector financeiro, estamos muito optimistas quanto à capacidade da economia de crescer. Neste processo de recuperação, em torno de 2% ou um pouco acima, é o que esperamos para a economia nos próximos anos", concluiu.

Mário Centeno reconheceu que a melhoria do rating por parte da S&P, em Setembro, foi um "grande evento" para Portugal, com muita importância para as condições de financiamento do país.

Recordando que os juros da dívida a dez anos já estão abaixo de 2%, o governante antecipou que Portugal vai conseguir os juros mais baixos "desde que regressou ao mercado" na emissão de obrigações que vai ter lugar esta quarta-feira.

Na mesma entrevista, o ministro assegurou ainda que a redução dos estímulos à economia por parte do Banco Central Europeu (BCE) não terá qualquer impacto "material" em Portugal no próximo ano.

"A decisão que o BCE anunciou não terá um impacto material em Portugal no próximo ano. A redução já tem vindo a acontecer em Portugal por causa das regras específicas que o BCE usa quando compra obrigações. A redução irá acontecer ao mesmo tempo que a economia recupera e não esperamos qualquer impacto para Portugal no próximo ano", afirmou Centeno.

Sobre a eventual nomeação para a presidência do Eurogrupo, o ministro das Finanças disse apenas que "nesta fase não queria confirmar essa ideia". "Tenho falado com os meus colegas. Estas conversas são abertas e francas e vamos chegar a uma decisão talvez no fim deste mês", referiu.




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mais votado Anónimo Há 1 semana

Nos Estados-membros mais ricos e desenvolvidos, assim como no restante primeiro mundo mais avançado, estas coisas andam sempre aliadas a reestruturações profundas com recurso a despedimentos. Seja numa universidade escandinava, numa multinacional alemã, numa empresa pública irlandesa como a companhia das águas, numa autarquia escocesa ou numa repartição de finanças inglesa. É aí que se poupa e cria valor que irá extravasar por toda a economia e sociedade elevando-as para outro patamar. Aqui aviam os turistas enquanto eles não deixarem de vir e cria-se dívida insustentável enquanto der.

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Caros jornalistas, na Austrália e territórios equiparáveis, já se faz disto no sector público, da administração central à local. São economias e sociedades mais avançadas, que não perdem soberania, não vão à falência, não pedem resgates, não têm emigração forçada e em massa à saída da faculdade, não têm pobres full-time a ordenado mínimo, etc. "...there has been a significant investment in technology to drive a much more contemporary and responsive workforce," www.bordermail.com.au/story/3919912/council-job-cuts-a-slap-in-the-face/

Anónimo Há 1 semana

Depois das falências de municípios, algumas empresas industriais e instituições financeiras de renome nos Estados Unidos da América, a que se juntaram alguns resgates governamentais, motivadas pelo excedentarismo e a sobrecapacidade que eram o reflexo da excessiva rigidez atingida nos mercados de factores produtivos ligados a estes sectores, negócios e cidades nos Estados Unidos da América aprenderam a fazer mais com menos factor trabalho alocado. Este processo ainda não terminou. Continua a passo acelerado. Em Portugal e Grécia, pelo contrário, ainda nem começou. O excessivo peso do turismo e da administração pública nessas economias, a par dos baixos níveis de transparência, não ajudarão certamente. Mas algo terá que ser feito nesse sentido. O sentido do progresso que conduz à equidade, sustentabilidade e prosperidade. “Businesses and cities have learned to make do with fewer people.” https://blogs.wsj.com/economics/2013/10/23/u-s-cities-still-reeling-from-great-recession/

Anónimo Há 1 semana

O Jornal de Negócios que elabore sobre as reformas viradas para as reais condições de mercado que se fazem nas regiões mais desenvolvidas do mundo de modo a esclarecer a importância das mesmas para a prosperidade e o bem-estar das suas populações:
"IRS will cut 7,000 jobs because the majority of people are filing their tax returns online" http://www.dailymail.co.uk/news/article-3811646/IRS-cutting-7-000-jobs-vast-majority-people-file-tax-returns-online-meaning-fewer-people-needed-process-paper-forms.html
"Inland Revenue to cut 1500 jobs between 2018 and 2021" www.stuff.co.nz/business/industries/78231571/inland-revenue-to-cut-1500-jobs-between-2018-and-2021
"Australian Taxation Office axes 4400 jobs in 19 months" (April 9, 2015 http://www.canberratimes.com.au/national/public-service/australian-taxation-office-axes-4400-jobs-in-19-months-20150409-1mhhgq.html)

Anónimo Há 1 semana

O Jornal de Negócios que foque a sua atenção para os bons exemplos que nos chegam das sociedades e economias mais prósperas e avançadas:
Reino Unido, Primeiro Mundo (2015): "Job cuts to shrink civil service to 1940s size" https://www.thetimes.co.uk/article/job-cuts-to-shrink-civil-service-to-1940s-size-5blwv2z6qmd
EUA, Primeiro Mundo (2014): "The Federal Government Now Employs the Fewest People Since 1966" https://blogs.wsj.com/economics/2014/11/07/the-federal-government-now-employs-the-fewest-people-since-1966/
Austrália, Primeiro Mundo (2016): “The intention of this reform is to streamline administration and governance arrangements and consolidate government agencies, bodies, boards and committees,” www.dailytelegraph.com.au/news/nsw/treasurer-gladys-berejiklians-plan-for-public-service-job-cuts-to-streamline-departments/news-story/7c73fcba059e7f8ee8102112c9f63850

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