Política Centeno: "Desejo que em Dezembro apenas festejemos o Natal" 

Centeno: "Desejo que em Dezembro apenas festejemos o Natal" 

O ministro das Finanças sustenta que a proposta de Orçamento é um instrumento virtuoso, que reforça a coesão social e cumpre os compromissos internacionais. E espera que os holofotes que têm estado virados para Portugal se desliguem.
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Elisabete Miranda 27 de outubro de 2016 às 11:19

Há uns meses, quando a Ordem dos Economistas organizou a conferência anual para debater o Orçamento do Estado para 2016, Mário Centeno fez-se representar através de vídeo. Esta quinta-feira está em debate o Orçamento do Estado para 2017 e o ministro das Finanças já marcou presença física, mas nem por isso está com a agenda mais folgada. "Um ministro das Finanças tem uma vida difícil", desabafa, lembrando que, desde Dezembro do ano passado não houve mês em que não tivesse de reagir a previsões, relatórios, cartas sobre exercícios orçamentais, processos de sanções que se fecham e reabrem... Uma canseira que faz Mário Centeno ter um desejo simples: "Os votos que eu faço é que, em Dezembro deste ano, apenas festejemos o Natal".

 

O apontamento humorístico foi a pedra de toque com que Mário Centeno encerrou a sua intervenção na conferência anual da Ordem dos Economistas, que decorre está quinta-feira, 27 de Outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

 

Durante a sua exposição, em que se socorreu de gráficos e power-points, instrumentos consentidos pela formação académica da plateia, o ministro das Finanças voltou a defender que este Orçamento do Estado é "um exercício orçamental equilibrado, justo" e que "cumpre o programa de Governo e os compromissos internacionais".

 

Resultado "de um diálogo muito alargado, interno e externo, sobre as escolhas que o Governo tem de fazer", esta estratégia orçamental traz uma "visão muito clara de estabilidade do quadro fiscal, de reforço da coesão social e de recuperação dos rendimentos", sistematiza Centeno.

 

O ministro voltou a recorrer ao indicador de clima económico do Instituto Nacional de Estatística (INE) para advogar que a sua estratégia está a colher frutos. Quando o Governo tomou posse, este indicador estava em forte queda e, desde então, tem vindo a recuperar aceleradamente, encontrando-se nos 1,4 pontos, o dobro do indicador de Dezembro. 

 

A revisão em baixa das perspectivas do crescimento para 2016 e a previsão de um crescimento modesto em 2017, de 1,5%, ficou a dever-se a uma desaceleração generalizada das economias mais avançadas e do comércio internacional, e não a falhanços no modelo económico ou de má gestão, como os críticos apontam. 

 

Em sua defesa, o ministro apresentou uma tabela com as previsões de crescimento que foram sendo libertadas ao longo do ano pelas principais organizações internacionais – e todas elas foram fazendo sucessivas revisões em baixa, para as economias avançadas e para Portugal.

 

Ainda assim, espera-se que o clima externo melhore, pelo que a economia deverá recuperar ligeiramente face a este ano. O investimento público também dará uma ajuda, agora que os dinheiros europeus no âmbito do Portugal 2020 começam a entrar em velocidade cruzeiro.
 

Pacto de estabilidade: complexo, imprevisível mas cumprido

 

Mário Centeno volta a garantir que o OE/2017 cumpre o défice estrutural (está prevista uma redução de 0,6 pontos), apesar de haver um foco de tensão com Bruxelas neste ponto, e volta a atirar-se às regras europeias, que, pela sua complexidade, "dificultam a execução da política económica e a vigilância sobre a condução da política económica".

 

" Os contratos têm de ser simples, claros e baseados em realidades observáveis. E nada disto se verifica no pacto de estabilidade e crescimento", considera o ministro das Finanças, que lembra que o PEC passou de um documento com 90 páginas para um tratado com mais de 600.

 

É tudo o que não se deve fazer, diz Centeno, que traz à liça os dois prémios Nobel da economia que este ano, muito oportunamente para a tese do Governo, foram distinguidos pela teoria dos contratos. "Na academia sabe-se exactamente o que não se deve fazer", diz o ministro. Em Bruxelas, pelos vistos não (podia ter acrescentado).


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mais votado Anónimo 27.10.2016


O peso da CGA

Enquanto o peso da despesa com pensões da CGA representa quase 40% do total de pensões pagas em Portugal, o número de pensionistas da CGA não chega a 17% do total de beneficiários.

Entre 2000 e 2013, a despesa com pensões da CGA aumentou mais de 150%.

comentários mais recentes
Anónimo 27.10.2016


AS PENSÕES DOURADAS DA CGA

As reformas mais antigas são as mais elevadas porque tiveram fórmulas mais favoráveis.

São também aquelas em que as pessoas se reformaram/aposentaram com menos idade.

Por isso devem ter os maiores cortes.

Anónimo 27.10.2016


O peso da CGA

Enquanto o peso da despesa com pensões da CGA representa quase 40% do total de pensões pagas em Portugal, o número de pensionistas da CGA não chega a 17% do total de beneficiários.

Entre 2000 e 2013, a despesa com pensões da CGA aumentou mais de 150%.

PAI NATAL 27.10.2016

Sr ministro, o sr vai ter um bom Natal, mas o mesmo não direi dos gajos do PSD. Esses vão continuar a arrastar-se pelas ruas da amargura. E o pior para eles é que vão passar muitos natais na oposição. Claro que as broas de milhões foram ao ar. É disso que eles tem saudade. Dos milhõezitos.

IS 27.10.2016

Dado que a estratégia de Prof Centeno tem potencial para falir caem pela base as acusações de imposição de austeridade feitas ao governo PSD /CDS-PP, amplamente divulgadas e repetidas ad nauseam sem um segundo de reflexão, dado que tudo aponta para que a dita austeridade se mantenha inalterada.

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