Finanças Públicas Centeno entende reivindicações dos enfermeiros mas lembra restrições orçamentais

Centeno entende reivindicações dos enfermeiros mas lembra restrições orçamentais

O ministro das Finanças admitiu esta sexta-feira, em Talin, que as reivindicações dos enfermeiros são "muito importantes" e "têm que ser ouvidas", afirmando-se confiante num entendimento, mas que respeite a "responsabilidade orçamental", pois o país ainda se debate com restrições.
Centeno entende reivindicações dos enfermeiros mas lembra restrições orçamentais
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 15 de setembro de 2017 às 09:21
À entrada para uma reunião informal de ministros das Finanças da zona euro, na capital da Estónia, Mário Centeno, questionado sobre os protestos dos enfermeiros (promovido Sindicato dos Enfermeiros e pelo Sindicato Independente do Profissionais de Enfermeiros), que cumprem hoje o último de cinco dias de greve em Portugal, disse entender as reivindicações, lembrando que algumas têm já "décadas", mas apontou também que "muito tem sido feito pela valorização da administração pública, pelas carreiras", incluindo neste sector.

"Há uma negociação em curso, na qual o Governo está naturalmente empenhado. Aquilo que é preciso compreender, e tenho a certeza que todos entenderão, é que o Governo tem feito um esforço muito grande", disse, apontando a título de exemplo que "o crescimento de enfermeiros no último ano e meio é muito significativo, para fazer face às necessidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".

Segundo o ministro das Finanças, "há dificuldades específicas em sectores determinados, que são já de várias décadas, e que não podem deixar de ser ouvidas e analisadas", e que, "em sede orçamental, têm necessariamente que ser integradas".

"Aquilo que eu posso garantir, do ponto de vista do Governo, é que a responsabilidade orçamental é muito grande, que todas e todos os portugueses têm exactamente essa percepção e que vamos com certeza chegar a uma plataforma de entendimento e de compressão de como fazer face a reivindicações que são de facto muito importantes e que, como eu disse, têm várias décadas em alguns casos", reforçou.

Por outro lado, Mário Centeno argumentou que, quando se fala de uma sociedade inclusiva e de um crescimento inclusivo, está-se "obviamente a falar de uma sociedade e de um crescimento que é de todos e para todos, e é nesse perspectiva que tem que ser entendido", pelo que "não há uma hierarquização de prioridades que não possa deixar de ter em conta toda a restrição que objectivamente ainda existe sobre o país".

Os enfermeiros cumprem hoje o último de cinco dias de greve nacional e juntam aos vários protestos que têm realizado pelo país uma concentração junto à Assembleia da República, no dia em que se comemoram os 38 anos da criação do SNS.

Durante os quatro primeiros dias de greve a adesão dos profissionais tem andado em valores entre os 80 e os 90%, segundo o Sindicato dos Enfermeiros, que marcou a paralisação em conjunto com o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem.

Várias cirurgias programadas foram adiadas e muitas consultas canceladas.

Os enfermeiros reivindicam a introdução da categoria de especialista na carreira de enfermagem, com respectivo aumento salarial, bem como a aplicação do regime das 35 horas de trabalho para todos os enfermeiros, mas a Secretaria de Estado do Emprego considerou irregular a marcação desta greve, alegando que o pré-aviso não cumpriu os dez dias úteis que determina a lei.

Esta irregularidade da marcação determinada pelo Governo pode levar à marcação de faltas injustificadas aos enfermeiros que aderiram ao protesto.

O braço de ferro entre enfermeiros e Ministério da Saúde prolonga-se desde Julho, com a reivindicação da integração da categoria de especialista na carreira.

Depois do Sindicato dos Enfermeiros e do Sindicato Independente do Profissionais de Enfermeiros, na quinta-feira, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) decidiu também convocar uma greve para 3, 4 e 5 de Outubro.



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mais votado JCG Há 5 dias

Este caro, um misto de palhaço rico com o Grouxo Marx, diz que há restrições orçamentais para enfermeiros, e há, mas já não viu tais restrições para enfiar um balúrdio na CGD para em parte alimentar uma manada de baronetes pagos a peso de ouro, grande parte deles absolutamente inúteis, e para mandar para casa milhares de trabalhadores com prémios e condições que ultrapassam (e atropelam) em muito o que está previsto da lei geral. Já agora espero que não se esqueçam de actualizar a remuneração da rapaziada elite da CGD pois se o critério foi o da média da banca, essa média deve ter subido muitos nos últimos tempos. Pelo menos o gangue do BCP já anunciou a duplicação dos seus "salários".

comentários mais recentes
eduardo santos Há 5 dias

GOVERNO ? . . . . Uma corja de gente de má fé .
Ontem.........diziam ao povo que já tinha acabado com tudo o que era mau agora recusam-se a confirmar a afirmação ? ! . . . .
Isto é gente, senhores ? . .....

Anónimo Há 5 dias

Oh parolo quando estiveres esticado numa cama de hospital ,vais saber onde os enfermeiros passam o tempo o trouxa

Hipocresia da direitalha a manobrar os trabalhadoe Há 5 dias

No outro governo aonde estava esta gente com tanto tempo de antena ? Ainda não fui creditado do roubo do Passos com um vencimento de 640 euros foi obrigado a pagar taxas moradoras e IRS e não fui aumentado,mas tenho esperança que os ladrões do passado nunca mais mamam os nossos impostos,tenho fé

Observador Há 5 dias

Atênção a alguns comentadores que gruhen ... o mérito desta greve é dos afectos ao PSD ,o sindicato grevista e a Ordem Dos Enfermeiros são PSD não tem nada a vêr com os COMUNAS . Para mim sejam de um lado ou outro são trabalhadores , não me importa saber o partido mas sim a justesa da luta

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