Economia Centeno: Ser presidente do Eurogrupo "não muda nada na política interna"

Centeno: Ser presidente do Eurogrupo "não muda nada na política interna"

O ministro das Finanças português diz que a sua eleição "não muda nada" na política interna, e garante que ter uma política orçamental cumpridora não será uma responsabilidade "nem nova, nem acrescida". Sobre o seu papel como Presidente, quer contribuir para "desafiar o que parecem ser equilibrios feitos" nos debates sobre o futuro do euro.
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Rui Peres Jorge 04 de dezembro de 2017 às 20:48

Mário Centeno garante que a sua eleição para a liderança do Eurogrupo não mudará nada nas prioridades económicas nacionais, nomeadamente na orientação da política orçamental que, defende, se tem pautado por princípios de credibilização e responsabilidade que, diz, contribuíram para a sua eleição.

 

Numa sessão com jornalistas portugueses, o ministro das Finanças foi instado a comentar as reações que foram surgindo em Portugal à sua eleição, e os desafios que tem pela frente na gestão do duplo papel de ministro e Presidente do Eurogrupo.

 

"Esta eleição na política interna de Portugal, na verdade, não muda nada", afirmou, quando questionado sobre as posições do PCP e do Bloco de Esquerda de que não esperam que Centeno mude alguma coisa nas prioridades europeias, nomeadamente de apertada fiscalização orçamental sobre o país. As garantias parecem ao mesmo tempo tentar descansar os dois partidos quanto ao risco de Centeno passar a adoptar medidas orçamentais mais restritivas.

"Nós temos um conjunto de compromissos na governação que não são de todo colocados em causa com estas eleições", reforçou.

 

Mas se a política orçamental não será mais restritiva, com certeza também não será mais flexível: "Já referi que temos um princípio de credibilização e responsabilidade no contexto económico e monetário em que Portugal se encontra", afirmou, defendendo que este é um princípio inscrito no "programa de governo" e que foi essa responsabilidade e os correspondentes resultados que permitiram a credibilização internacinal da economia portuguesa. De tal forma que "esta credibilização permitiu que o Ministro das Finanças fosse eleito presidente do Eurogrupo por unanimidade", disse, garantindo que, tal como no passado, as metas orçamentais de 2018 serão cumpridas - isto apesar do cepticismo da Comissão Europeia que coloca o Orçamento nacional em risco de não cumprimento das metas, uma avaliação que foi adoptada pelo Eurogrupo na mesma reunião em que foi eleito.

 

Neste contexto, Centeno não acompanha a ideia que de que o cargo lhe traz responsabilidade acrescida em Portugal, uma possível interpretação das palavras de Marcelo Rebelo de Sousa durante a tarde: "Agora que temos a presidência do Eurogrupo, somos ainda mais responsáveis do que éramos anteriormente. Portanto, não pode haver nem descuidos nem aventuras em matéria financeira em Portugal", afirmou o Presidente da República.

 

Na parte que lhe toca, Centeno diz que "não é uma responsabilidade acrescida, nem nova", e lembrou que nos últimos anos trabalhou para fechar o processo de sanções, depois para impedir o congelamento de fundos comunitários, e finalmente para sair do Procedimentos dos Défices Excessivos (PDE), exactamente em nome dessa responsabilidade e do cumprimento de metas e compromissos, embora reconheça que há "um novo patamar dessa exigência". "Estou certo que Portugal e os portugueses estarão dispostos e orgulhosos de podermos estar nesta posição".

 

O ministro seguiu para destacar que esta nomeação para o Eurogrupo "traz para o país uma distinção que nenhum outro [cargo] tinha trazido", pois trata-se do "ministro das Finanças de Portugal, que por acaso se chama Mário Centeno". "É uma honra para mim, e é uma distinção para o país".

 

Quanto ao seu papel enquanto presidente do Eurogrupo, Centeno ambiciona contribuir para "desafiar o que parecem ser equilíbrios feitos", assumindo que tentará "incutir um pouco mais de estrutura aos debates e arranjar instrumentos que permitiam trazer essas ideias para uma construção futura da área do euro".

* Jornalista em Bruxelas




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