Função Pública Centeno: “Temos de tornar as carreiras financeiramente sustentáveis”

Centeno: “Temos de tornar as carreiras financeiramente sustentáveis”

Os sindicatos duvidam que haja condições para o fazer, mas a avaliar pelas palavras do ministro das Finanças, a intenção mantém-se. O Governo está disponível para negociar o tempo de serviço, acelerando as progressões, mas insiste na necessidade de alterar as carreiras.
Centeno: “Temos de tornar as carreiras financeiramente sustentáveis”
Bruno Simão/Negócios
Catarina Almeida Pereira 20 de dezembro de 2017 às 11:23

O ministro das Finanças insiste: o Governo está disponível para debater o processo "difícil e complexo" de recuperação do tempo de serviço prestado entre 2011 e 2017, acelerando as progressões de alguns profissionais, mas quer também que as carreiras se tornem "financeiramente" mais sustentáveis.

Na comissão de Trabalho e Administração Pública, onde está a ser ouvido, Mário Centeno afirmou que é preciso evitar que, num futuro período de congelamento de progressões, o tempo de serviço volte a ficar congelado, como tem acontecido frequentemente, por razões orçamentais. O que só é possível se as carreiras forem mais sustentáveis ou, por outras palavras (que o ministro não utilizou), se tiverem progressões mais lentas.

"Procuraremos soluções sustentáveis que não voltem a parar o cronómetro. Temos de tornar as carreiras da administração pública sustentáveis financeiramente", afirmou Mário Centeno, aos deputados.

Em causa está uma ideia quea equipa das Finanças tem repetido de formas diferentes e que a UGT considera que não se concretizará.

A questão tem gerado alguma tensão entre o Governo e os sindicatos de professores, que não aceitam qualquer revisão da estrutura da sua carreira.

Na sexta-feira passada, após a última reunião com os professores, a secretária de Estado da Administração Pública, Fátima Fonseca, afastou o cenário de  uma revisão da carreira docente nos próximos tempos.

"Estamos disponíveis para discutir todos os temas. Nós sabemos que o cenário de diálogo neste quadro com os nossos parceiros não coloca em cima da mesa uma revisão da carreira docente neste ‘timing’, neste momento, o que não quer dizer que as questões não possam ser ponderadas", afirmou a secretária de Estado aos jornalistas, em resposta à questão colocada pelo Negócios.

O descongelamento de progressões custará 650 milhões de euros nos próximos três anos e a eventual recuperação do tempo, que também não se prevê que seja feita de um momento para o outro (se chegar a sê-lo), custaria outros mil milhões de euros, segundo cálculos do Governo.

Destes mil milhões, 600 milhões dizem respeito à recuperação do tempo na carreira dos professores. O Governo já assinou um compromisso para que o tempo de serviço prestado pelos docentes entre 2011 e 2017 seja reconhecido até ao final da próxima legislatura, o que na prática pode acelerar as progressões dos docentes entre 2019 e 2023.




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mais votado Anónimo 20.12.2017

Portugal deixa de ser pobre quando o excedentarismo, a corrupção, o sindicalismo radical, o neoludismo, o eleitoralismo irresponsável e a demais má despesa pública forem erradicados. É isso que impede o país, que tem uma economia considerada avançada, de se desenvolver, prosperar, internacionalizar a sua economia com sucesso e poder iniciar a constituição de um Fundo de Riqueza Soberano, criar um mercado de capitais alargado mais activo e em simultâneo equilibrar as contas públicas. Há quem queira que o país nunca se consiga aproximar da Noruega, de Singapura ou da Coreia do Sul porque vive da iniquidade, insolvência e insustentabilidade que limitam grandemente o progresso económico e social do país.

comentários mais recentes
Anónimo 20.12.2017

Os sindicalistas portugueses são ruinosamente irresponsáveis. Idiotas de megafone a piratear a economia e o Estado.

Anónimo 20.12.2017

Economias avançadas como as da Alemanha, Suíça, Holanda, Suécia e Dinamarca (mercado laboral flexível, mercado de capitais forte e dinâmico) já emitiram dívida com taxa negativa a 10 anos, e mais em alguns casos, e anda Portugal do PS a deitar foguetes por causa de atingir os 1,75% a 10 anos quando quase todos os outros a emitem a uma taxa bem próximo de 0%? Contratem mais assessores de marketing. Mas paguem-lhes com o vosso dinheiro s.f.f. Não com o dos restantes cidadãos.

Anónimo 20.12.2017

Centeno, ninguém que conheça este governo e o seu Poortugal, pode confiar em ti. Falas mas não dizes nada e ainda menos fazes. E isso reflecte-se no IDE, na figa de capitais, etc. Portugal da geringonça é e será bom para fazer turismo. Mais nada.

E AS PENSOES Q FORAM REDUZIDAS e OU CONGELADAS? 20.12.2017

SE HA PRA UNS RECEBEREM TUDO AQUILO Q PERDERAM com o congelamento das progressoes na carreira entao TAMBEM TEM DE HAVER PRA TODOS aqueles que plas MESMAS RAZOES, viram as SUAS PENSOES REDUZIDAS e OU ORDENADOS CONGELADOS. Os Pensionistas e todos os outros trabalhadores TAMBEM foram afetados.

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