Zona Euro Centeno vê "janela de oportunidade" para reforçar a Europa

Centeno vê "janela de oportunidade" para reforçar a Europa

A um dia de assumir oficialmente o cargo de líder do Eurogrupo, em Paris o ministro Mário Centeno disse querer aproveitar a actual conjuntura económica e política para "progredir na construção europeia".
David Santiago 12 de janeiro de 2018 às 13:24

Mário Centeno assume o compromisso de, enquanto presidente do Eurogrupo, ser um agente para reforçar a integração europeia. No dia em que recebeu, em Paris, o "sino do Eurogrupo" (uma espécie de passagem de testemunho) das mãos do ainda líder Jeroen Dijsselbloem, o ministro português das Finanças falou num "desafio muito motivante" e prometeu trabalhar em prol de um "processo de construção de uma Europa mais robusta e resistente a crises".

 

Para Mário Centeno, o bom momento proporcionado pela actual conjuntura, quer política quer económica, deve ser aproveitado para avançar com as reformas necessárias no seio do bloco do euro.

 

Nesse sentido, Centeno avisa que será determinante assegurar que os Estados-membros do euro mantenham um compromisso com o processo de construção europeia. Centeno fala numa "janela de oportunidade que tem duas dimensões" que criam as condições necessárias "para progredir na construção europeia".

 

A primeira é "política" e decorre do "início de novos ciclos políticos em vários países relevantes na Europa", como a França e a Alemanha, onde esta manhã foi alcançado um acordo de princípio entre o bloco conservador (CDU/CSU) da chanceler Angela Merkel e o SPD de Martin Schulz para dar início de conversações formais para a formação de governo.

Centeno considera que este acordo na Alemanha "é uma boa notícia". Em Março haverá também eleições em Itália, a terceira economia do euro, porém são grandes as perspectivas de instabilidade política no país uma vez concluído o acto eleitoral.

 

Já segunda dimensão está relacionada com a vertente económica, com o reforço do crescimento e a posição orçamental mais equilibrada dos países da moeda única e com a poupança líquida e externa favorável à Europa.

 

Tendo em conta estas condições, Centeno pretende agora "trazer essas poupanças para o investimento no futuro da Europa, concluir a União Bancária e discutir uma capacidade orçamental para a União que promova o investimento e funcione como mecanismo de estabilização".

Centeno insiste em orçamento comum na Zona Euro 


O ministro português reitera assim a intenção de criar mecanismos na Zona Euro de corrigir choques assimétricos e de constituir uma capacidade orçamental comum na região, em linha com as propostas para a Europa feitas pelo presidente francês Emmanuel Macron, com quem Centeno esteve hoje reunido e com quem partilha "preocupações e ambição".

 

"A posição do presidente Emmanuel Macron é muito importante. Temos de alavancar nessa ambição para promover um processo de reformas a nível europeu", declarou Centeno aos jornalistas. O diagnóstico é conhecido: "completar a integração na área do euro que hoje ainda é incompleta".

 

Assim, Mário Centeno assume que as "questões orçamentais estão no centro desta discussão", o que passa por "saber se a União Económica e Monetária deve, ou não, ter uma capacidade autónoma". "É um debate longo mas que, estando em cima da mesa, eu comprometo me a tê-lo com todos. Sempre com o objectivo de criar consensos equilibrados face à vontade das partes", acrescentou o governante luso.

 

Apesar da incompletude da Zona Euro, Centeno lembra que a Europa "enfrentou uma crise muito séria e actuou", tendo os Estados-membros do euro realizado "reformas ambiciosas nas diferentes áreas", tudo "reformas que têm de se manter".

 

Por fim, palavras ainda sobre a execução orçamental da França e de Portugal. Sobre o país de Macron, Centeno garantiu não estar preocupado com a perspectiva de que Paris volte a violar as regras europeias registando um défice superior a 3% do PIB. Centeno salientou a existência o "forte compromisso" das autoridades gaulesas em ter uma execução orçamental que "leve a França a sair do procedimento por défices excessivos".


Quanto a Portugal, o ministro recordou que uma vez mais o Governo cumpriu "todas as metas que apresentámos", porém Centeno voltou a não esclarecer se o défice orçamental de 2017 se fixou mesmo em 1,2% como avançado esta semana pelo primeiro-ministro António Costa, um número que o titular das Finanças lusas rejeitou confirmar.  




A sua opinião7
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
mais votado Anónimo 12.01.2018

Hoje em dia a UE já faz transferências e concede ajudas e financiamentos aos Estados-Membros menos ricos e desenvolvidos. No futuro, com uma UE federal com um orçamento maior e mais competências políticas a nível federal, mais direitos (como mais transferências para os Estados e economias que têm menos, e mais e melhor cidadania europeia) implicarão ainda mais deveres (como reformas adequadas feitas na íntegra e de forma atempada) para cada Estado-Membro. Esses deveres, tantas vezes referidos por instituições como a Comissão Europeia, o FMI e a OCDE de forma quase informal e geralmente inconsequente, hoje em dia não são cumpridos. Com uma UE federal existirão meios e ferramentas para que as reformas, os deveres, avancem no seu tempo e Estados-Membros como Portugal e a Grécia não se desleixem e atrasem tanto por força dos seus políticos eleitoralistas mais irresponsáveis, dos seus sindicalistas chantagistas mais fundamentalistas e dos seus banqueiros criminosos mais extorsionários.

comentários mais recentes
pertinaz 13.01.2018

DOUTOR DA MULA RUSSA

Mr.Tuga 12.01.2018

PACOVIO....
O que tu e os xuxas querem é continuar a viver a custa de terceiros....
Vai trabalhar malandro e vê menos fuitibois para não ficares mais imbecilizado.....

Anónimo 12.01.2018

A ruína e atraso de Portugal, face aos seus congéneres europeus mais desenvolvidos e ricos, tem como base o facto de se ter criado em Portugal um sistema que, gradualmente, gerou duas seguranças sociais públicas. Uma oficial e outra oficiosa. A oficiosa é parte integrante não de um Estado de Bem-Estar Social legítimo mas antes de um Estado de Bem-Estar Salarial iníquo e insustentável para sindicalizados, em especial do sector público, que auferem uma onerosa e injustificável prestação social sob a forma de remuneração em clara situação de sobreemprego vitalício ou sobrepagamento em crescendo, mesmo quando o preço de mercado para as tarefas que realizam não pára de descer nos mercados mundiais ou a procura, em variadíssimos casos, pura e simplesmente desapareceu se é que alguma vez existiu. Os 4000 despedimentos na banca lusa em 2017, tirados a ferros de forma tardia, cara e incompleta, foram apenas a ponta de um vergonhoso icebergue que as esquerdas teimam em querer esconder.

Anónimo 12.01.2018

A razão e o bom senso, que habita a cúpula da UE, vai reeducar Centeno. Os reformistas pró-mercado e pró-liberalização que conduzem à criação de valor num clima de generalizada e crescente equidade e sustentabilidade, ganharam. Não tenhamos dúvidas disto.

ver mais comentários
pub