Economia CEO da Coface admite que "fazer previsões é cada vez mais difícil"

CEO da Coface admite que "fazer previsões é cada vez mais difícil"

As empresas precisam de ser "mais flexíveis e capazes de reagir rapidamente", avisa Xavier Durant, líder da seguradora de créditos, aconselhando a preparação de vários cenários.
CEO da Coface admite que "fazer previsões é cada vez mais difícil"
Pedro Elias/Negócios
António Larguesa 25 de maio de 2017 às 13:35

O presidente executivo do grupo Coface reconheceu esta quinta-feira, 25 de Maio, que "tentar prever o que vai acontecer no mundo é cada vez mais importante, mas também difícil", apontando o "paradoxo" de isso acontecer agora, quando nunca houve tanta informação, credível e actualizada, assim como ferramentas modernas para a analisar.

 

Dando o exemplo do Brexit - "infelizmente ainda não conseguimos prever o resultado de uma eleição ou referendo", brincou -, Xavier Durant avisou os empresários que já não é possível "basear o [andamento de um] negócio num único resultado". "Podemos é preparar alguns cenários e tentar antecipar formas de gerir esses eventos", acrescentou.

 

Durante uma conferência organizada pela Coface, no Porto, o líder máximo desta seguradora de créditos dramatizou que as empresas precisam de ser "flexíveis e capazes de reagir rapidamente", sustentando ainda que "a volatilidade nos mercados não quer dizer que seja mais difícil fazer negócios, só torna mais importante a gestão dos riscos".

 

Maria Albert, responsável de Risco País da Coface, diagnosticou que "já estamos mais habituados aos riscos políticos" e é por isso que os efeitos deste tipo de eventos nos indicadores financeiros "já não é tão forte como antes". Mas alertou para os riscos que chegam de várias geografias, como os Estados Unidos - "as notícias não são tão boas" -, o Reino Unido - "o choque do Brexit ainda não aconteceu - ou da Rússia e do Brasil, em que "a recuperação da recessão vai ser lenta".

 

Em termos globais, porém, o arranque de 2017 mostra "boas notícias para a economia mundial" e o mapa da Coface regista mais subidas do que descidas no nível de riscos. E a responsável particularizou o caso português, dizendo que a companhia de origem francesa está "relativamente confiante" com as notícias mais recentes que chegam de Portugal. "Mas temos de ter em mente que ainda há fraquezas no sector financeiro e no nível de dívida pública", alertou.

 

O economista-chefe do Novo Banco, Carlos Andrade, concordou que Portugal atravessa "um momento conjuntural bom, mas continua com um nível de dívida alto, com empresas descapitalizadas e com problemas na qualificação dos recursos humanos". E sublinhou que, pelas suas características, é precisamente um país "vulnerável à mudança dos ciclos económicos". 


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