Empresas CGD tem quatro milhões “enterrados” na falida Vida de Cristo

CGD tem quatro milhões “enterrados” na falida Vida de Cristo

O falido Museu da Vida de Cristo, em Fátima, não recebeu uma só proposta de compra até às 15 horas desta sexta-feira, prazo-limite fixado para o efeito. A CGD detém 64% dos créditos reconhecidos sobre a insolvente - quatro milhões de um total de 6,1 milhões de euros.
CGD tem quatro milhões “enterrados” na falida Vida de Cristo
Inaugurado em 2007, o Museu da Vida de Cristo representou um investimento de 12 milhões de euros.
Rui Neves 20 de outubro de 2017 às 16:22

Inaugurado em Abril de 2007, próximo do Santuário de Fátima, num investimento de 12 milhões de euros, o Museu da Vida de Cristo faliu com 6,1 milhões de euros de dívidas e não tem interessados na sua aquisição.

 

Até às 15:00 desta sexta-feira, 20 de Outubro, prazo-limite para a apresentação de propostas de compra do museu, que foi colocado à venda com um valor-base de 7,5 milhões de euros, a administradora de insolvência da empresa, Tatiana Brás, não recepcionou qualquer manifestação de interesse sobre este activo, confirmou a própria gestora judicial ao Negócios.

 

A comissão de credores da empresa Vida de Cristo - Parques Temáticos, liderada pela credora hipotecária Caixa Geral de Depósitos (CGD), que tem a haver cerca de quatro milhões de euros (64% do total de créditos reconhecidos), deverá agora provavelmente optar por levar o museu novamente à praça com um preço mínimo mais baixo.

 

No ano passado, a Vida de Cristo - Parques Temáticos ainda tentou implementar um Processo Especial de Revitalização (PER), mas, em Novembro desse ano, os credores, incluindo a determinante CGD, chumbaram o plano de recuperação da empresa.

 

Entre as razões invocadas para a situação em que se encontrava o museu, os proprietários referiam a redução do número de visitantes, de 80 mil em 2010 para 38 mil em 2015 e 2016, mostrando "a verdadeira dimensão da crise" que afectou o país e Fátima, cidade do concelho de Ourém, no distrito de Santarém, que vive essencialmente do turismo religioso.

 

A sentença de insolvência da Vida de Cristo viria a ser proferida a 30 de Janeiro. Em 28 de Março, reunidos em assembleia, os credores determinaram o encerramento da actividade e a venda dos activos da empresa.

 

Os activos incluem os dois pisos do museu e ainda 14 lojas no Porticus Galerias, quatro arrecadações na cave e dois pisos de estacionamento em cave (100 lugares), tendo a administradora de insolvência alertado, na altura, para o facto de duas fracções não terem sido licenciadas, estando por isso "clandestinas", o que pode ser extensível a todo o prédio, "contaminando as verbas dos bens imóveis inventariados".

 

Instalado num edifício moderno com mais de quatro mil metros quadrados de área e pensado para captar cerca de 200 mil visitantes por ano, este museu apresenta ao público 210 figuras em cera, vestidas com roupas feitas com tecidos fabricados na zona da Sertã em teares manuais de artesãs portuguesas, representando 33 cenas diferentes da vida de Cristo.

 

A Vida de Cristo - Parques Temáticos garantia que o museu tinha sido considerado o terceiro melhor museu de cera do mundo por Tony Julius, director da empresa londrina que fabricou as figuras de cera e ex-colaborador do Museu Madame Tussaud.




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mais votado Anónimo Há 4 semanas

A CGD serve para isso mesmo, para pôr o dinheiro do povo nos investimentos falhados. Afinal o que são 4 milhões comparados com os 4.000 milhões de dívidas à CGD e que são irrecuperáveis ?

comentários mais recentes
As religiões Há 3 semanas

Uma praga sem qualquer sentido nos tempos de hoje.

Peçam a Fátima Há 3 semanas

A religião é um negócio, peçam a Fátima que só o que vendem em velas ao pessoal do século 10 chega.

Anónimo Há 3 semanas

Com pregos Alcobia, nada disto acontecia!

invicta Há 3 semanas

Nem sabia que existia esta mamarracho. Tinha de ser a CGD a ficar a arder. Para compensar estas e outras, bem maiores, os depositantes pagam e pagam bem, por tudo o que usam e não usam. Pedir responsabilidades a quem emprestou, nada. Assim também eu era gestor!

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