Américas Chelsea Manning libertada sete anos após divulgar documentos à Wikileaks

Chelsea Manning libertada sete anos após divulgar documentos à Wikileaks

A soldado americana Chelsea Manning, que em 2010 divulgou centenas de milhares de documentos que expuseram diversos segredos sobre a diplomacia e o exército americano, foi libertada esta quarta-feira da prisão de Fort Leavenworth, no Kansas.
Chelsea Manning libertada sete anos após divulgar documentos à Wikileaks
Reuters
Bruno Simões 17 de maio de 2017 às 13:24

Chelsea Manning, responsável por uma das maiores fugas de informação da história recente dos Estados Unidos - tornada pública através da página Wikileaks - foi libertada esta quarta-feira da prisão de Fort Leavenworth, no estado do Kansas, confirmou um porta-voz do Exército americano à BBC. Manning cumpriu quase sete anos de prisão, depois de ter sido condenada a 35 anos atrás das grades por acusações de espionagem.

 

A sentença de Chelsea Manning foi reduzida em Janeiro por Barack Obama, depois de Chelsea Manning se ter tentado suicidar por duas vezes na prisão. Obama não concedeu, contudo, um perdão, pelo que Chelsea não é considerada inocente e continuará a lutar pela reversão da sua sentença. Ainda assim, o ainda presidente declarou, na altura, que já se tinha feito justiça.



Detida em Maio de 2010, Manning (que então tinha Bradley como nome próprio) anunciou atrás das grades que era transgénero e mudou o seu nome para Chelsea, o que lhe valeu uma longa batalha judicial para que os seus direitos fossem reconhecidos. Apesar de ter conseguido garantir um tratamento hormonal, Manning esteve sempre em prisões destinadas a homens e era sujeita a cumprir os padrões de vestuário e de corte de cabelo destinados aos homens.

Há dois dias, através de uma conta de Twitter alimentada por amigos, Chelsea Manning diz que está à procura de um seguro privado de saúde como a maioria dos americanos.

Em 2010, o então soldado Bradley Manning decidiu divulgar um conjunto de documentos diplomáticos e militares secretos que recolheu enquanto analista de informação destacado no Iraque no ano anterior. Os documentos – que incluíam vídeos de ataques aéreos em Bagdade, Iraque, e Granai, no Afeganistão, bem como 251 mil telegramas diplomáticos e 483 mil relatórios militares – foram divulgados a partir de Abril de 2010 pela Wikileaks e por um conjunto de jornais.

 

Um dos vídeos, relativo a um ataque aéreo em Julho de 2007 em Bagdade, mostra os soldados americanos a rir-se enquanto abrem fogo sobre civis a partir de dois helicópteros Apache, ainda que estes não tenham dado sinais de estarem armados. Desse ataque resultaram 12 mortos, entre os quais um fotógrafo e um condutor que estavam a trabalhar para a Reuters.

 

Em Novembro de 2010 foram divulgados os telegramas diplomáticos, que eram trocados entre as embaixadas norte-americanas de todo o mundo. Foi através desses documentos que foi possível perceber que o rei Abdullah, da Arábia Saudita, exigiu por diversas vezes que os Estados Unidos atacassem o Irão para porem cobro ao programa nuclear de Teerão.

 

Vários dos telegramas tinham origem na embaixada de Lisboa dos EUA. Alguns deles confirmaram que os Estados Unidos pediram a Portugal para que os voos da CIA com suspeitos de terrorismo aterrassem na base das Lajes, a caminho de Guantánamo.


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