Chipre inicia conversações sobre resgate
02 Julho 2012, 10:14 por Eva Gaspar | egaspar@negocios.pt, Alexandra Machado | amachado@negocios.pt
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No primeiro dia útil da sua primeira presidência da União Europeia, o Chipre recebe hoje a troika para começar a negociar um resgate motivado pelas perdas na banca, provocadas pela crise grega.
Uma delegação da troika, que integra técnicos da Comissão Europeia, FMI e BCE, deve chegar hoje a Nicosia para analisar a situação da banca e das contas públicas do pequeno país que se viu forçado a pedir ajuda aos parceiros devido às ondas de choque geradas na Grécia.

A chegada da troika à capital cipriota surge no primeiro dia útil da primeira presidência da União Europeia que está desde ontem, 1 de Julho, nas mãos do Governo cipriota. Essa coincidência de tarefas e de exigências tem gerado o receio de que a Administração Pública de um pequeno país estreante nestas andanças europeias, submetido a um programa de assistência externa, possa não conseguir dar conta do recado em Bruxelas. A favor de Nicosia está, no entanto, a circunstância de a chefia das principais formações (Conselho Europeu, Eurogrupo e Conselho de relações externas) estarem agora atribuídas a representantes permanentes (Herman Van Rompuy, Jean-Claude Juncker e Catherine Ashton, respectivamente).

Chipre aderiu à União Europeia em 2004 e tornou-se membro do euro em 2008. É o quinto país da união monetária que, perante as condições mais gravosas impostas pelos mercados financeiros, pede auxílio financeiro aos seus parceiros. O primeiro a fazê-lo foi a Grécia, em Maio de 2010. Seguiram-se Irlanda e Portugal. Espanha pediu há um mês ajuda, mas só para a banca.

Chipre precisa de angariar o equivalente a 10% do seu PIB só para recapitalizar o seu segundo maior banco, muitíssimo exposto à crise grega.

É por isso que se antecipa um pedido de ajuda para a banca de dois mil milhões de euros, a que se juntaria seis mil milhões para ajuda ao financiamento do próprio país. Mas a Reuters e a Bloomberg avançam que a ajuda pode chegar aos 10 mil milhões de euros, o que é mais de metade do que a economia cipriota gera. O Chipre é o terceiro país mais pequeno da zona euro com uma economia de 17,3 mil milhões de euros.

Trabalho de casa feito?

O Governo cipriota também tem colocado ênfase no facto de a ajuda ser essencialmente por causa da banca. O porta-voz do Governo, Stefanos Stefanou, citado pelo Cyprus Mail, afirmou, ontem, que o principal objectivo do pedido de ajuda é ter dinheiro para a recapitalização da banca, admitindo que o Governo continuava à procura de fechar acordos para empréstimos bilaterais com outros países. "O nosso pedido tem um ponto base de necessidades para a recapitalização da banca. Como se sabe há uma data limite para todos os bancos de 30 de Junho", afirmou, quando questionado se o pedido de ajuda era apenas para a banca.

As negociações vão agora começar. Mas quando confrontado com a imposição de medidas de austeridade por parte da União Europeia em troca do empréstimo, o porta-voz do Governo tentou atenuar o cenário. "Explicámos aos nossos parceiros que, em nosso entender, avançamos de forma muito satisfatória em vários sectores, como no Serviço Nacional de Saúde, pensões, Segurança Social, etc". Por isso, diz acreditar que as medidas não vão ser muito duras. "Acreditamos que isto é bastante satisfatório e vai ser valorizado pelas instituições europeias como uma acção voluntária e política que tem conduzido a República do Chipre na direcção da resolução dos problemas estruturais e na melhoria dos procedimentos no Chipre". Também salianta o trabalho feito na redução do sector público, bem como na redução dos custos operacionais.

Mas o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, já fez saber que associado ao empréstimo estarão medidas para endereçar os desafios da economia cipriota.

Mas não é de agora que a Comissão Europeia tem pedido ao Chipre para cortar o seu défice abaixo do tecto dos 3% e aumentar a competitividade da sua economia. O Governo diz que tem caminho nesse sentido e apontou para um défice, este ano, de 2,5% do PIB. No ano passado, o défice orçamental foi de 6,3% do PIB, enquanto a dívida pública atingiu 71,6% do PIB.

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