Política “Chocado ficou o país”, responde Marcelo sobre incómodo socialista

“Chocado ficou o país”, responde Marcelo sobre incómodo socialista

O Presidente da República responde ao alegado incómodo do Governo com a declaração de Marcelo sobre a resposta do Executivo aos incêndios. "Chocado ficou o país com a tragédia vivida, os milhares de pessoas atingidas," afirmou o Chefe de Estado nos Açores.
“Chocado ficou o país”, responde Marcelo sobre incómodo socialista
Bruno Simão/Negócios
Paulo Zacarias Gomes 26 de outubro de 2017 às 13:03
A notícia faz primeira página do Público esta quinta-feira, 26 de Outubro. Citando fontes do Executivo socialista, o periódico diz que o Governo liderado por António Costa ficou "chocado" com a declaração do Presidente da República na terça-feira da semana passada, em que pedia uma mudança de ciclo depois dos mais de 40 mortos resultantes dos incêndios de dia 15.

"Estávamos à espera de um discurso duro, mas ficámos chocados", diz a fonte não identificada, alegando que Belém estava a par de tudo o que estava a ser preparado pelo Governo: as medidas que vieram a ser tomadas no Conselho de Ministros extraordinário de sábado, o calendário a seguir e mesmo o momento escolhido para a saída da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa. 

A reacção de Marcelo Rebelo de Sousa, visado na notícia, chegou ao início da tarde, a partir dos Açores, onde está em visita oficial: "Chocado ficou o país com a tragédia vivida, os milhares de pessoas atingidas," afirmou, aludindo às consequências dos incêndios. 

"Em relação ao que se passou há uma semana - não, há duas semanas, - há duas maneiras de encarar a realidade. Uma é o 'disse-que-disse', saber se foi A quem ficou mais chocado com o discurso de B, se foi B com discurso de A. A segunda maneira é a de compreender que chocado ficou o país com a tragédia vivida, milhares de pessoas atingidas. (...) Entendo que a forma correcta é a segunda", explicitou o Chefe de Estado na Ilha Terceira, depois de assistir a um exercício militar, acrescentando que "esse país não pode ser esquecido sistematicamente. E faltam menos de dois anos para o termo da legislatura, e portanto deste Parlamento e deste Governo - há uma urgência". 

O Público refere que o sentimento no Governo é o de que Marcelo foi alterando a sua acção entre as conversas que ia tendo com Costa e a mensagem que acabou por dirigir ao país na semana passada pedindo um "novo ciclo" e lida como um ultimato ao Governo - nas horas seguintes, a ministra da Administração Interna pediria a demissão, depois de meses de pressão política para a sua saída. 

"Quem olha para o disse-que-disse especulativo não entendeu e não entende nada do que se passou em Portugal nas últimas semanas," acrescentou agora o PR, numa referência às vagas de incêndios de Junho e de Outubro que fizeram 110 mortos (65 em Pedrógão Grande e 45 nos incêndios de 15 de Outubro). 

Ainda esta manhã o Público dava a conhecer uma outra manifestação de incómodo dentro das hostes socialistas com a atitude de Marcelo, com um artigo de Simões Ilharco, um jornalista aposentado, que escreveu num artigo de opinião no jornal oficial do PS, o Acção Socialista, que o Presidente da República "exorbitou claramente os seus poderes constitucionais" e tem manifestado "demagogia e populismo". 

Perante a insistência dos jornalistas para comentar o incómodo dentro do Governo e junto dos socialistas, o Presidente reafirmou: "Já disse o que tinha a dizer e que os portugueses esperam que o Presidente da República diga. Que coloque o essencial muito acima daquilo que não tem importância nenhuma. Essencial são as vidas desaparecidas, as vítimas que esperam a reconstrução, o recomeço das suas vidas. O resto parece-me totalmente irrelevante."

(Notícia actualizada às 13:23 com mais informação)



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