Economia Civis "fazem" de bombeiros para ajudar a prevenir reacendimentos em Pedrógão Grande

Civis "fazem" de bombeiros para ajudar a prevenir reacendimentos em Pedrógão Grande

Muitos civis são uma ajuda preciosa para os bombeiros que combatem os reacendimentos em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, sinalizando novos focos de chamas às autoridades que vigiam a zona.
Civis "fazem" de bombeiros para ajudar a prevenir reacendimentos em Pedrógão Grande
Vítor Mota/Correio da Manhã
Lusa 20 de junho de 2017 às 14:48

Na localidade da Foz do Alge, Manuel Batista Antunes, 59 anos, e Jorge Silva, 40, foram os primeiros a chegar ao local de um reacendimento. E foram eles que foram avisar uma equipa de bombeiros da Benedita e Bombarral que descansavam uns metros acima, na encosta.

 

"Ao menos para salvar as casas", que é o "mais importante", explica Manuel Batista Antunes, motorista de profissão, que há três dias não trabalha. "Há coisas mais importantes", diz.

 

"Temos de estar sempre alerta e alguma fagulha ir para as casas e se uma pessoa perde uma casa perde uma vida", explica o morador na Foz do Alge.

 

"Se nos vai embora a casa, ficamos sem nada", desabafa Manuel Antunes, que tem a mulher com dificuldades em mover-se e, por isso, não tenciona voltar ao trabalho até que o perigo passe.

 

"Eu tenho de lá estar" e "vigilante", diz. Por isso, "andei a passear aqui para ver se o fogo estava perto das casas".

 

Jorge Silva foi quem hoje viu o fogo a renascer perto da Foz do Alge. "Eu vinha a passar, dei-me com estes reacendimentos" e fui chamar os bombeiros simplesmente", diz o morador, que usa o seu pequeno carro todo-o-terreno para monitorizar as encostas.

 

"Muita gente da terra está sem trabalhar por causa disto" para "ajudar quem pode", até porque "no meio do caos não há organização possível", explica Jorge Silva, que se mostra preocupado com o futuro do concelho de Figueiró dos Vinhos.

 

"Já está quase toda a gente sem nada. Do concelho de Figueiró dos Vinhos já só há este cantinho verde. É a única coisa que falta" arder.

 

Perto da Foz do Alge, os bombeiros rapidamente extinguiram o fogo, mas este foi um exemplo dos muitos que acontecem por estes dias naqueles concelhos.

 

Em muitas estradas são visíveis carros com civis a vigiar as matas, num esforço pouco organizado, mas útil, porque ajuda os bombeiros a cobrir a vigilância de mais mata.

 

Se os moradores estão empenhados, esse sentimento estende-se a quem é filho da terra e vive longe, como é o caso de Paulo David, que veio de Lisboa para ajudar os bombeiros de Castanheira de Pera.

 

Antigo bombeiro, Paulo David recorda as últimas 72 horas: "Foi um verdadeiro inferno em termo de mar de chamas".

 

Agora, com o jipe, equipado com antenas de comunicações rádio, "tento ajudar os meus colegas", desde transportando pessoas ou ajudando na logística.

 

"Desde levar águas, colocar meios que nos pedem para certas zonas da serra e aldeias" até "detectar novos focos de incêndio", exemplifica Paulo David, que diz que os meios da protecção civil nunca serão suficientes para lidar com o incêndio que devastou a região, causando mais de seis dezenas de mortos.

 

"O que aconteceu foi uma coisa fora do normal", disse.

 

Em declarações à Lusa, José Dias, comandante dos bombeiros de Castanheira de Pera, agradece o esforço e só lamenta que esta atenção não se repita noutros períodos do ano.

 

Por estes dias, "é natural que haja mais preocupação das pessoas porque está mais perto das habitações", afirmou.




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comentários mais recentes
Alguém tem de estar no contra para animar 20.06.2017

Até sei que escreves o contrário do que pensas, mas os incêndios não começaram junto às casas. Já somos velhos comentadores, cumprimentos.

Anónimo 20.06.2017

Estou chocada com estes incêndios e ainda não começou o Verão !!!
Há que apurar responsabilidades. A culpa não pode morrer solteira como é apanágio no nosso País.

Anónimo 20.06.2017

Já que os "civis" não limparam ao redor das suas casas, ou não limparam os seus eucaliptais para que dessem 10 metros limpos às estradas ou 50 metros às casas dos outros, agora ao menos que ajudem nesta fase.

Carne para canhão 20.06.2017

Os verdadeiros heróis são estes civis que sem qualquer instrução ou cursos de combate estão no terreno a colaborar e bem com os especializados. Senhores governantes, aqui não há problema de desempenhar uma missão de alto risco sem carteira profissional? pois, só nas outras profissões é que exigem.

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