Américas Com Trump na Casa Branca, empresários na Web Summit preferem esperar para ver

Com Trump na Casa Branca, empresários na Web Summit preferem esperar para ver

No Web Summit, em Lisboa, os empresários estão sobretudo surpreendidos com a vitória de Donald Trump. Alguns confiantes de que o republicano não mudará o rumo dos Estados Unidos. Outros com algum receio do que está para vir.
Com Trump na Casa Branca, empresários na Web Summit preferem esperar para ver
Miguel Baltazar
Rita Faria 09 de Novembro de 2016 às 12:36

Nos bastidores do Web Summit, em Lisboa, as conversas sobre a vitória de Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos ouvem-se aqui e ali. Mas o tema não rouba a atenção dos participantes, focados nas oportunidades do mega evento de tecnologia e inovação.

 

Entre os empreendedores, o sentimento é, sobretudo, de surpresa. Quanto ao futuro da maior economia do mundo, preferem esperar para ver.

 

"Precisamos de esperar para saber se [Trump] vai ficar agarrado às ideias que tem vindo a defender", diz Karthik Arumugam, gestor da TRIPR, uma start-up do Luxemburgo. "Não estou preocupado, mas estou incrivelmente surpreendido".

 

Alexander Egorov, um empreendedor de Moscovo, também foi apanhado de surpresa com o veredicto dos norte-americanos. "Pensava que Hillary Clinton ia vencer. Nunca pensei que Trump ganhasse. Não espero grandes mudanças, mas vemos ver coisas interessantes a acontecer. Ele não vai mudar tudo de repente, o sistema é tão grande", antecipa o CEO da GIFTD.

 

Aos norte-americanos presentes no Web Summit, o tema diz respeito de forma mais directa. É o caso de Robert Llanes, co-fundador da Wafer Messenger, que veio dos Estados Unidos para apresentar a sua start-up em Lisboa. Confessa que o resultado é "surpreendente" porque "contrariou as sondagens. No entanto, o empresário nâo vê motivos para preocupação.

 

"Não tenho medo de nada, o mundo vai continuar a girar, e tudo ficará bem. Vai ser só um pouco diferente. Vai haver um choque inicial, com medo do proteccionismo. Mas penso que nada disso vai acontecer, acho que está a ser tudo um pouco dramatizado. Sou um optimista", confessa.

 

Dos Estados Unidos – mais propriamente de São Francisco – veio também Alexander Holtermann, fundador e CEO da iCrowdU, uma plataforma dedicada ao financiamento.

"Penso que a questão é: será que vai ter um impacto para nós, no negócio? Eu, pessoalmente, acredito que não importa quem é o líder político. No nosso caso, o crowdfunding tem crescido de forma impressionante nos últimos tempos. Agora é mais fácil angariar fundos nos EUA, e isso também é do interesse do Partido Republicano", afirma.

 

O empresário, que tem nacionalidade alemã, acredita até que "os Estados Unidos como um todo podem beneficiar". "Internamente, pode criar-se o tipo de nacionalismo que tivemos no passado, na era de Reagan", concretiza. "Mas já estamos a ver a reacção do mercado, o dólar está a cair, por isso as pessoas não estão satisfeitas com este resultado".

 

Insatisfeita revela-se a italiana Elena Martella, CEO da ProNatives, que receia vir a ter um novo Berlusconi em Itália.

 

"Saímos da era de Berlusconi, e não posso dizer que estamos melhor agora, mas para mim foi uma sensação de vitória na mesma. Vi [na altura] esperança", confessa. "Mas este não é um bom sinal, sinto que estamos dar um passo para trás. Itália é muito influenciada pelos Estados Unidos e estou muito preocupada que venhamos a ter outro Berlusconi".




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