Economia Comissão e BCE vêem sinais positivos na banca, mas "recuperação não está concluída"

Comissão e BCE vêem sinais positivos na banca, mas "recuperação não está concluída"

A banca portuguesa está hoje mais sólida do que há alguns meses, mas o sistema financeiro continua a apresentar riscos importantes. Medidas nesta área estão entre aquelas que a Comissão e o BCE consideram mais urgentes.
Comissão e BCE vêem sinais positivos na banca, mas "recuperação não está concluída"
Nuno Aguiar 05 de julho de 2017 às 19:02
É bom, mas não chega. Podia resumir-se assim a opinião da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE) sobre os desenvolvimentos recentes observados na banca portuguesa. "A recuperação do sector bancário tem tido progressos positivos, mas ainda não se encontra concluída", pode ler-se na sexta avaliação pós-programa, publicada hoje, 5 de Julho.

As duas instituições comunitárias notam que o sistema financeiro apresenta ainda níveis baixos de rendibilidade, almofadas de capital limitadas e rácios de malparado elevados (embora em queda). "Os esforços contínuos dos bancos para melhorarem a sua solidez financeira, bem como a sua governação interna, são essenciais", acrescentam os técnicos, que estiveram em Lisboa entre 26 de Junho e 4 de Julho. 

É recomendado que a reestruturação de empréstimos de empresas viáveis avance mais rápido, ao mesmo tempo que os créditos a empresas inviáveis são resolvidos. A plataforma para melhorar a coordenação em relação à gestão do malparado e o reforço do enquadramento para a reestruturação da dívida das empresas são "iniciativas importantes a este respeito". 

A missão comunitária pede ao Governo português que avance com "uma estratégia abrangente" nesta área, com um "calendário ambicioso" e "objectivos claros". O quadro jurídico merece especial atenção, no sentido de acelerar a já referida reestrutração dos créditos das empresas viáveis e tirar do balanço as outras.

Em comunicado, o Ministério das Finanças reagiu a avaliação da CE e do BCE, sublinhando que a estabilização do sistema bancário tem sido "uma prioridade do Governo" e que a missão da CE e do BCE "saúda" esses esforços.




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

Mas onde é que está escrito que os colaboradores assalariados da banca não são elegíveis para requerer o RSI junto do Instituto da Segurança Social após uma bem planeada reestruturação que elimine ou reduza o excedentarismo detectado? Para os da Função Pública está escrito na constituição, temos que os gramar (e sustentar) quando são excedentários, mas para os da banca onde é que isso está escrito? É que mesmo estando em Portugal, para esses casos, se atentarmos ao pormenor legislativo não parece existir base legal que sustente que esta classe de bandidos nos possa andar a roubar da forma que o tem feito. Nenhum Estado do mundo desenvolvido vai à falência se despedir excedentários, flexibilizar as regras laborais para o sector público e privado e atribuir um RSI a cada um.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Portugal ou entra nos eixos e despede como os outros ou vai ser sempre o traseiro da Europa.

Anónimo Há 3 semanas

Numa das suas mais recentes rondas de despedimento de colaboradores excedentários, o Deutsche Bank em reestruturação decidiu fechar 200 agências só na Alemanha e despedir também naquele país 4000 excedentários. A nível internacional os números do encerramento de agências e do despedimento de colaboradores excedentários foram ainda mais elevados, obviamente - 35 mil postos de trabalho cortados em 2 anos, entre 2015 e 2017. ("The bank will close 200 branches in Germany -- with the loss of 4,000 jobs" http://money.cnn.com/2015/10/29/investing/deutsche-bank-job-losses/).

Anónimo Há 3 semanas

O Jornal de Negócios, enquanto órgão de informação económica com notabilidade a nível nacional, que insista na pedagogia e no esclarecimento cabal em relação ás inevitáveis transformações urgentes que se impõem nas economias mais avançadas, às quais a portuguesa, por mais capturada e mal orientada que se afigure, não estará imune se quiser permanecer no chamado Primeiro Mundo. Na Holanda as organizações não dão guarida ao excedentarismo sindicalizado de carreira que atrasa o mais económico e eficiente progresso tecnológico, obstaculiza a justiça social, impede a sustentabilidade do Estado e enfraquece a economia por via do entorpecimento do empreendedorismo, do investimento reprodutivo e da capacidade de inovação. "Fewer people and more technology – that is the plan just announced by ING. The largest financial services company in the Netherlands is getting rid of 7,000 positions." http://www.euronews.com/2016/10/03/netherlands-bank-ing-to-cut-7000-jobs-in-digital-quest

Anónimo Há 3 semanas

Em países que se deixaram capturar por uma cultura desonesta, onde o mais desonesto vence, e provinciana, pouco atenta à realidade global e à modernidade tal como ela lhes chega do mundo mais desenvolvido, com leis atrasadas, estupidamente redigidas e permissivas a todos os abusos e abusadores, o sindicalismo e o capitalismo de compadrio são capazes de pôr o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com zero procura de mercado na economia, chamemos-lhe o vendedor de areia no deserto, a viver tão ou mais confortavelmente do que o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com muita procura de mercado nessa mesma economia, chamemos-lhe o vendedor de água no deserto. E é claro, uma economia assim cheia de distorções, frontalmente anti-mercado, atrasa-se e empobrece.

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