Emprego Como trabalhar seis horas por dia permite gerar poupanças

Como trabalhar seis horas por dia permite gerar poupanças

Um projecto-piloto na Suécia poderá ter falhado na conclusão que menos horas de trabalho por dia traz vantagens de longo prazo.
Como trabalhar seis horas por dia permite gerar poupanças
SeongJoon Cho/Bloomberg
Bloomberg 18 de abril de 2017 às 17:00

Em Fevereiro, após quase dois anos a trabalhar seis horas por dia, as enfermeiras do centro de cuidados de idosos Svartedalens em Gotemburgo, na Suécia, voltaram a fazer turnos de oito horas - apesar de as pesquisas recentemente publicadas mostrarem os benefícios da redução do horário de trabalho.

 

O município de Gotemburgo não prolongou a experiência em parte porque o financiamento acabou. Contratar os 17 funcionários extras necessários para cobrir as lacunas criadas pelos turnos mais curtos custou cerca de 12 milhões de coroas suecas (1,3 milhões de dólares). A cidade tinha previsto um orçamento apenas para dois anos e os deputados consideraram que implementar o projecto no município inteiro ficaria muito caro.

 

Assim, por agora, o projecto chegou ao fim. No entanto, existem economias de longo prazo que o estudo não levou em conta. Trabalhar menos horas por dia melhorou a saúde das funcionárias, concluiu o investigador Bengt Lorentzon num novo artigo académico. As enfermeiras "estavam menos cansadas, adoeciam menos e tinham mais energia quando voltavam para casa e mais tempo para fazerem actividades", disse Lorentzon.

Mais especificamente, as enfermeiras tiraram menos dias de licença médica do que quando trabalhavam oito horas por dia. As licenças médicas também diminuíram comparando com os enfermeiros do grupo de controlo. As enfermeiras inseridas no projecto experimental tiraram menos dias de licença médica do que todos os enfermeiros de Gotemburgo.

 

Outros benefícios

 

O estudo detectou benefícios para a saúde e a produtividade, mas não mediu a possível economia de custos com enfermeiras mais saudáveis no longo prazo. Mas uma coisa é clara, segundo Lorentzon: a melhoria da atitude e da saúde resultou num atendimento de melhor qualidade no lar de idosos.

 

Funcionários mais saudáveis gastam metade em cuidados de saúde, concluiu um novo estudo publicado na Mayo Clinic Proceedings. Na análise de 10.000 funcionários em um sistema de saúde na Flórida, EUA, investigadores descobriram que os que tinham uma saúde cardiovascular "ideal", segundo a medida Life’s Simple 7 da American Heart Association, gastavam menos 4.000 dólares em cuidados médicos do que os que tinham uma saúde cardíaca "deficiente".

 

"Uma análise mais completa [da Suécia] deveria incluir os benefícios da experiência", disse Eduardo Sanchez, um dos autores do estudo nos EUA e director médico de prevenção da American Heart Association. "A pergunta é: o que mediram em termos de custos e o que foi e não foi incluído?"

A experiência de Svartedalens não calculou a economia de custos de saúde que significam enfermeiras mais saudáveis, e muito menos as economias a longo prazo.

Nos EUA, algumas empresas gastam centenas de dólares por funcionário em programas de bem-estar no espaço de trabalho, na esperança de economizar em gastos de saúde e de manter a produtividade, mas entendendo que o dia de trabalho de oito horas deveria ser considerado no melhor dos casos como um mínimo.

 

Talvez a solução não passe por caminhadas e concursos de dietas, mas dias de trabalho mais curtos.

 




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mais votado Anónimo Há 1 semana

Quer seja na banca ou no restante sector público oficial ou oficioso, a base do problema tem sido sempre a mesma: excedentarismo. O excedentarismo é a sobrealocação de factor produtivo trabalho sem procura real na economia, que quando associado ao fenómeno do sobrepagamento (pagamento acima do preço de mercado), torna os Estados, as economias e as sociedades em Estados insustentáveis, economias pouco competitivas e sociedades iníquas. Chama-se por isso a isto uma crise de equidade e sustentabilidade.

comentários mais recentes
pertinaz Há 1 semana

UI... POR CÁ HÁ ESPECIALISTAS EM ZERO HORAS DE TRABALHO POR DIA... TAMBÉM DEVÍAMOS EXPORTÁ-LOS... SEMTINO DIXIT...

Anónimo Há 1 semana

O problema central da economia de Portugal é a adulação feita ao factor trabalho mesmo quando aquele se deixa de justificar e o ódio ao factor capital mesmo que não haja justificação alguma para esse ódio. Onde não se pode despedir, onde não deixam desalocar e realocar convenientemente capital e factor trabalho de modo rápido, inteligente e descomplicado, nunca é possível obter boas e funcionais organizações dignas da realidade contemporânea do Primeiro Mundo em que, apesar de tudo, vivemos.

Anónimo Há 1 semana

Quer seja na banca ou no restante sector público oficial ou oficioso, a base do problema tem sido sempre a mesma: excedentarismo. O excedentarismo é a sobrealocação de factor produtivo trabalho sem procura real na economia, que quando associado ao fenómeno do sobrepagamento (pagamento acima do preço de mercado), torna os Estados, as economias e as sociedades em Estados insustentáveis, economias pouco competitivas e sociedades iníquas. Chama-se por isso a isto uma crise de equidade e sustentabilidade.

Anónimo Há 1 semana

Mas você está sempre aqui. O dia todo, todos os dias?

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