Ambiente Consequências mais graves em Pedrógão poderiam ter sido evitadas, diz comissão independente

Consequências mais graves em Pedrógão poderiam ter sido evitadas, diz comissão independente

A Comissão Técnica Independente sobre os incêndios na região Centro, em Junho, admitiu hoje que poderiam ter sido tomadas medidas nas primeiras horas do combate ao fogo para evitar consequências mais graves.
Consequências mais graves em Pedrógão poderiam ter sido evitadas, diz comissão independente
Reuters
Lusa 12 de outubro de 2017 às 12:53
A conclusão foi anunciada pelo presidente da comissão, João Guerreiro, após ter entregue o relatório ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

João Guerreiro afirmou que, nas primeiras horas, deveriam ter sido dadas ordens para retirar as pessoas das aldeias em torno de Pedrógão Grande.

A partir de certa altura, acrescentou, "tornou-se impossível" combater o incêndio, pela sua intensidade.

Alerta precoce poderia ter evitado maioria das mortes

Um alerta precoce poderia ter evitado a maioria das 64 mortes registadas no incêndio que começou a 17 de junho em Pedrógão Grande, sublinha o relatório da comissão técnica independente, hoje divulgado.

No item intitulado "O que poderia ter sido diferente", lê-se que "esta ausência de alerta precoce, por não ter sido feita a leitura do incêndio às 18:00 (e mesmo antes), não permitiu impedir a maioria das fatalidades".

Este trabalho de antecipação, acrescenta a comissão, "deveria ter sido feito no seio do comando e planeamento desta operação de socorro e deveria ter resultado na mobilização dos meios necessários, incluindo a GNR, para evitar que se tivesse verificado uma fuga para a morte, tal como veio a acontecer".

"Por sua vez, tal trabalho de antecipação só poderia ter sido feito com o apoio de analistas de incêndios e de meteorologistas especializados, que permitisse uma adequada avaliação da situação em tempo real. A verdade é que nenhuma destas competências existe na Autoridade Nacional de Proteção Civil, apesar da enorme gravidade e frequência dos incêndios em Portugal", indica o documento, hoje entregue no parlamento e disponibilizado no 'site' da Assembleia da República.

O relatório diz também que, uma vez que as mortes na Estrada Nacional (EN) 236-1 ocorreram na sequência da fuga a partir das aldeias localizadas a este desta via, "poderia ter-se colocado a hipótese de proceder ao corte das estradas de acesso à EN 236-1", o que teria um desfecho "provavelmente ainda pior, pois teria eventualmente implicado a ocorrência de mais vítimas, incluindo os próprios agentes da autoridade".

"Excluída esta hipótese, duas medidas poderiam no entanto ter sido tomadas, ambas dependentes de informação que a GNR não dispunha. Poderia ter sido ordenada a evacuação atempada das aldeias ameaçadas ou poderiam ter sido tomadas medidas para que as pessoas não saíssem de casa", descreve a comissão.

Qualquer uma destas decisões deveria, no seu entender, ter resultado de "uma análise adequada da situação, de modo a prever o comportamento potencial do incêndio iniciado há mais de cinco horas".




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comentários mais recentes
A Tentar Perceber 12.10.2017

É varrer o Sistema implantado que vive à sombra dos incêndios, enquanto existir Gorilas a Governarem-se com os FOGOS,n vão Parar, é 1 Negócio muito Rico, sustento de muita Gente, devem investir os milhões que poupam em varrer o sistema,em Cuidar do Ambiente, torná-lo mais Saudável, menos Incêndiavel

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