Vítor Constâncio admite que o regresso de Portugal aos mercados no final de 2013 pode "ser examinado" se as condições económicas europeias e mundiais se deteriorarem.

O vice-presidente do
Banco Central Europeu (BCE) declarou hoje que a evolução das taxas de juro portuguesas "não é inteiramente o reflexo" da situação do país, que tem cumprido o programa de ajustamento firmado com a 'troika'.
"Até este momento o país tem estado a cumprir o programa que acordou com as instituições europeias. As condições vão no sentido do acesso [aos mercados] ser possível" no final de 2013, disse
Vítor Constâncio em Bruxelas, à margem da apresentação do Relatório Anual de 2011 do
BCE, apresentado no
Parlamento Europeu, perante a Comissão de Assuntos Económicos e Monetários.
Para Constâncio, as taxas de juro de mercado hoje "não são o indicativo" do regresso de Portugal aos mercados, cenário que, reconhece, pode "ser examinado" se as condições económicas europeias e mundiais se deteriorarem, admite.
O vice-presidente do BCE advertiu ainda para a necessidade de "ajustar algumas políticas" caso o crescimento económico não atinja os valores desejados pelas instituições europeias".
Nesse sentido, sublinhou, o Banco Europeu de Investimentos (BEI) "poderá ter um papel importante", desde que "as condições do seu próprio balanço sejam reforçadas pelos Estados-membros".
Falando aos eurodeputados, Constâncio sublinhou também que a situação de aperto orçamental que países como Portugal atravessam gera "inevitavelmente" efeitos negativos sobre o crescimento económico a curto prazo.