Política Correia de Campos chega ao CES para ser "gerador de consensos"

Correia de Campos chega ao CES para ser "gerador de consensos"

O ex-eurodeputado tomou posse enquanto presidente do CES sublinhando o "dever de emitir opiniões em matéria económica e social" deste órgão que "tem exercido e demonstrado capacidade crítica das políticas económicas" que vão sendo seguidas em Portugal.
Correia de Campos chega ao CES para ser "gerador de consensos"
Miguel Baltazar / Negócios
David Santiago 19 de Outubro de 2016 às 18:41

Numa cerimónia realizada esta quarta-feira, 19 de Outubro, na Assembleia da República, Correia de Campos tomou finalmente posse como presidente do Conselho Económico e Social (CES). O ex-eurodeputado do PS prometeu ser um "facilitador e gerador de consensos" sem com o intuito de alcançar "resultados que façam mover o país".

 

Realçando que este órgão tem a "obrigação constitucional" de ser "consultado" e também o "dever de emitir opiniões em matéria económica e social", Correia de Campos quis enquadrar o seu papel enquanto presidente do CES, que tem de responder perante os "conselheiros" deste órgão e "perante os que o elegeram (deputados)".

 

Já depois das trocas de elogios entre Correia de Campos e o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, que presidiu à cerimónia, o também antigo ministro socialista da Saúde salientou ainda o papel do CES ao longo destes 25 anos em que "tem exercido e demonstrado a capacidade crítica das políticas económicas", o que permitiu "constituir-se como recurso de inestimável valor para a análise do desempenho da economia".

 

Correia de Campos sublinhou também o facto de o CES ter consolidado um "estatuto de órgão auxiliar constitucional" mediante deliberações autónomas e vinculativas". E destacou o papel do CES enquanto plataforma facilitadora da concertação social, o que lhe confere o "dever de olhar para além do imediato, intuindo o que vai acontecer" e apoiando "os órgãos de soberania a trilhar o caminho sem surpresas".

 

O militante socialista fez ainda questão de apontar o "direito de iniciativa" do CES, denotando uma aparente intenção de que enquanto presidente da concertação social Correia de Campos não se limitará a um papel passivo.

 

Antes, Ferro Rodrigues tinha valorizado o percurso de Correia de Campos, referindo-se ao novo presidente como um "servidor público como há poucos". No entanto, o presidente da Assembleia abordou ainda indirectamente o impasse verificado na eleição de Correia de Campos, que só à segunda votação – e por apenas um voto – conseguiu ver o seu nome aprovado pelos deputados.

 

Ferro recordou a importância das "convergências políticas estratégicas (…) que vão além do ciclo das legislaturas", aludindo à necessidade de "diálogo político parlamentar", dizendo que foi precisamente isso a permitir "superar o impasse".

 

Na sexta-feira da semana passada Correia de Campos foi eleito presidente do CES, beneficiando no Parlamento de 146 votos favoráveis, conseguindo assim a necessária maioria de dois terços por apenas um voto. Foram ainda registados 54 votos em branco e 19 nulos. Antes, ainda em Julho, com apenas 105 votos a favor Correia de Campos tinha falhado a eleição, expondo a incapacidade de concertação ente PS e PSD.

 

Se socialistas e social-democratas tivessem cumprido o alegado compromisso alcançado em torno do nome de Correia de Campos, o agora líder teria obtido pelo menos 175 votos - ficou a 54 votos no universo PS-PSD – o que motivou fortes críticas, por exemplo, do presidente do PS, Carlos César, que falou mesmo numa "falha de honra parlamentar" do partido presidido por Passos Coelho.


Numa demonstração de convicção no trabalho que será realizado pelo socialista à frente do CES, Ferro Rodrigues mostrou-se seguro de que "se agora teve o apoio de dois terços dos votos expressos em urna, estou certo que no final do mandato sairá com o apoio praticamente unânime dos deputados e parceiros sociais".

 

A Constituição atribui ao CES dois tipos de competências, "uma consultiva e uma de concertação social", sendo este um órgão que tem "por principais objectivos a promoção da participação dos agentes económicos e sociais nos processos de tomada de decisão dos órgãos de soberania". É também considerado "o espaço de diálogo entre o Governo, os Parceiros Sociais e restantes representantes da sociedade civil organizada", patrões e trabalhadores, por exemplo.




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comentários mais recentes
Manuel Pina Há 3 semanas

Má escolha.

Anónimo Há 3 semanas


Um governo de ladrões

PS - PCP - BE - ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


Novas pensões mínimas serão sujeitas a prova de rendimento...

para se gastar mais dinheiros com os subsídios às pensões douradas da CGA.


(As pensões da CGA são subsidiadas em 500€, 1000€, 1500€ e mais, por mês.

Estas pensões sim, devem ser sujeitas a condição de recursos.

E não as mínimas.)

ccorreia Há 3 semanas

Não percebo nada disto!

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