Europa Cortes na imigração podem desacelerar (ainda mais) crescimento económico sueco

Cortes na imigração podem desacelerar (ainda mais) crescimento económico sueco

O crescimento da Suécia pode está prestes a sofrer um abrandamento ainda maior. Em causa estão as restrições à imigração, que nos últimos anos alimentou a dinâmica económica do país. Bancos suecos dividem-se em opiniões.
Cortes na imigração podem desacelerar (ainda mais) crescimento económico sueco
Reuters
Negócios 17 de Outubro de 2016 às 15:08

O crescimento da economia sueca, caracterizada pela sua força nos últimos anos, poderá vir a abrandar, avança a Bloomberg. O valor da coroa sueca está em depreciação acelerada e os problemas acumulam-se numa das empresas mais importantes do país, a Ericsson. Roger Josefsson, economista-chefe do Danske Bank afirma que a economia vai "normalizar" e abrandar para uma economia de "crescimento lento".


Dados do Eurostat divulgados pela mesma fonte demonstram que a Suécia tem vindo a ultrapassar o ritmo de crescimento da zona euro, pelo menos desde 2010. No entanto, o grande obstáculo ao crescimento sueco está relacionado com as restrições à imigração impostas depois do surgimento de forças de extrema-direita no país.

De acordo com Anna Breman, as limitações colocadas ao fluxo imigratório serão nefastas para o crescimento económico, dado que foi no passado um dos seus maiores potenciadores. A Bloomberg revela que a Suécia criou mais de meio milhão de postos de trabalho, sendo que dois em cada três novos postos eram ocupados por imigrantes.

"O PIB nunca chegaria perto dos valores que regista actualmente se não fossem aquelas 350.000 pessoas estrangeiras que se juntaram ao mercado de trabalho", defende a economista-chefe do Swedbank. O Instituto de Estatística da Suécia revela que a imigração tem tido um impacto cada vez mais positivo desde Janeiro de 2006.

Magdalena Andersson, ministra das Finanças sueca, afirma que o governo não está alheado dos desafios e que está a tomar medidas para potenciar o crescimento económico, nomeadamente com investimentos na educação e nas infra-estruturas, aumentando os postos de trabalho no sector público, e tornando mais barato para as empresas a contratação de mão-de-obra entre os desempregados de longa duração.

Em entrevista na passada quinta-feira, a ministra acrescenta que o crescimento demográfico e uma indústria competitiva são pontos favoráveis às estratégias do Estado. Magdalena Andersson avança ainda que as baixas taxas de juro e de inflação e um alto desemprego permitirão que a economia recupere apenas o seu crescimento após um período de dois anos.


A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, citada pela Bloomberg, apresenta uma visão optimista para a economia sueca. A organização prevê um crescimento da economia sueca duas vezes acima do dos restantes 35 membros.

Robert Bergqvist, economista-chefe do banco SEB AB, sublinha que existe uma preocupação exagerada entre os investidores estrangeiros, afirmando que "ninguém investiga em profundidade e pensa sobre aquilo que está a abrandar a economia sueca".


Stefan Ingves tem um ponto de vista semelhante. O governador do banco central sueco afirma esta segunda-feira ao Financial Times que uma taxa de juro de -0,5% tem causado poucos problemas aos bancos e que a economia se encontra a crescer. "As várias preocupações que têm sido divulgadas em várias partes do mundo não têm sido claramente materializadas", acrescenta, numa prespectiva "desdramatizada".

Noutra perspectiva, o Swedbank e o Danske Bank revelam que o potencial crescimento económico caiu para os 1,5%, com fracas exportações, apesar da coroa sueca se encontrar no valor mais baixo relativamente ao euro em mais de seis anos.

No segundo trimestre deste ano, o produto interno bruto (PIB) da Suécia cresceu 0,3% em relação ao trimestre precedente, período em que se registou um forte abrandamento de 1,6% para 0,4%. Em termos homólogos, a economia cresceu 3,1%, que compara com 4,1% nos primeiros três meses do ano. 




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comentários mais recentes
alberto9 Há 3 semanas

A europa não precisa de mão de obra para produzir mais, precisa é de quem compre o que se produz. E se não se produz mais é porque não há necessidade, a China é a maior produtora do mundo e abastece todos. O modelo economico que foi seguido até aqui está esgotado, pode-se encontrar alguns nichos de mercado para escoar alguns produtos, ou diminuir o valor da mão de obra para tornar a produção mais barata e com isso conseguir exportar, mas isso é sempre circunstancial. Genericamente, as máquinas substituiram as pessoas na produção e com isso também foi aumentada a produtividade, mas só é necessário produzir se houver quem consuma, como o principal rendimento das pessoas é proveniente do trabalho e elas hoje em dia não são necessárias, quem irá consumir o que se produz? Serão as máquinas? Podem-se baixar consecutivamente o custo dos bens para apelar ao consumo, mas com isso também se reduz os vencimentos e com isso a capacidade de consumir, isto não é dificil de compreender e os economistas já há muito que sabem disto, mas estão todos a empurrar com a barriga e não o publicitam publicamente à boca cheia.
Ou o modelo economico é alterado a bem, ou então isto vai correr muito mal.

Anónimo Há 3 semanas



Comemorações Oficiais

FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


AS PENSÕES DOURADAS DA CGA

As reformas mais antigas são as mais elevadas porque tiveram fórmulas mais favoráveis.
São também aquelas em que as pessoas se reformaram/aposentaram com menos idade.
Por isso devem ter os maiores cortes.

Ex: Muitas pessoas reformaram-se/aposentaram-se com 36 anos de descontos e 54 de idade.
Ou seja, muitas dessas pessoas vão estar mais anos a receber a pensão, do que os anos que trabalharam e descontaram.
Basta que vivam até depois dos 90 anos, o que se verifica com cada vez mais pessoas.

Pergunta: Estas pessoas fizeram descontos suficientes para terem a pensão que recebem?

Resposta: Não, nem para metade.

Anónimo Há 3 semanas



PS - PCP - BE -- ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


NOVAS PENSÕES MÍNIMAS SERÃO SUJEITAS A PROVA DE RENDIMENTO...

para se gastar mais dinheiro com os subsídios às pensões douradas da CGA.


(As pensões da CGA são subsidiadas em 500€, 1000€, 1500€ e mais, por mês.

Estas pensões sim, devem ser sujeitas a condição de recursos.

E não as mínimas.)

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