Política Costa e a polémica com Marcelo: "Eu tenho nervos de aço"

Costa e a polémica com Marcelo: "Eu tenho nervos de aço"

Em resposta à polémica sobre o "choque" do Governo com as palavras de Marcelo a propósito dos incêndios, o primeiro-ministro disse esperar que a "cooperação exemplar" que marcou a convivência entre as instituições se mantenha nos próximos anos.
Costa e a polémica com Marcelo: "Eu tenho nervos de aço"
Miguel Baltazar/Negócios
Paulo Zacarias Gomes 27 de outubro de 2017 às 17:02

O primeiro-ministro pronunciou-se esta sexta-feira publicamente pela primeira vez sobre a polémica em torno da relação do Governo com o Presidente da República a propósito dos incêndios dos últimos meses no Norte e Centro do país, argumentando ter "nervos de aço" e afirmando que o país espera que os órgãos de soberania continuem a relacionar-se com uma "cooperação exemplar" nos próximos anos.

"Acho que aquilo de que o país precisa é que os órgãos de soberania continuem a fazer o que têm feito ao longo destes dois anos, que é ter uma cooperação exemplar entre si, contribuindo para um bom relacionamento institucional, porque esse tem sido um dos fatores mais importantes da motivação dos portugueses," afirmou, acrescentando:

"Eu tenho nervos de aço, sou um optimista, às vezes talvez irritante, mas um optimista."

Em causa está a notícia de ontem do Público segundo a qual o Executivo socialista tinha ficado "chocado" com a declaração do Presidente da República na terça-feira da semana passada, em que pedia uma mudança de ciclo depois dos mais de 40 mortos resultantes dos incêndios de dia 15.

A fonte não identificada, citada pelo periódico, alegava que Belém estava a par de tudo o que estava a ser preparado pelo Governo: as medidas que vieram a ser tomadas no Conselho de Ministros extraordinário de sábado, o calendário a seguir e mesmo o momento escolhido para a saída da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

Ontem também, o Presidente da República respondeu à polémica a partir dos Açores: "Chocado ficou o país com a tragédia vivida, os milhares de pessoas atingidas," afirmou, aludindo às consequências dos incêndios. (...) Esse país não pode ser esquecido sistematicamente. E faltam menos de dois anos para o termo da legislatura, e portanto deste Parlamento e deste Governo - há uma urgência," acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

"Quem olha para o disse-que-disse especulativo não entendeu e não entende nada do que se passou em Portugal nas últimas semanas," disse ainda o PR, numa referência às vagas de incêndios de Junho e de Outubro que fizeram 110 mortos (65 em Pedrógão Grande e 45 nos incêndios de 15 de Outubro).

"Vamos retomar todos esses esforços de cooperação que os portugueses têm apreciado muito da parte da Presidência da República, da Assembleia da República. (...) É isso que o país deseja, e é isso que o país espera," acrescentou António Costa. "O que tem corrido bem nos últimos anos não vai deixar de correr bem nos próximos", sustentou.

O primeiro-ministro, que falava em Vila Nova de Poiares depois da visita a uma base logística de distribuição de alimentação animal para os produtores afetados pelos incêndios de 15 de Outubro, deixou ainda um apelo para que todos os portugueses colaborem activamente no "grande esforço de mobilização" para evitar incêndios florestais nos próximos dias, quando as condições meteorológicas serão favoráveis a novas ocorrências. 

"É absolutamente proibido fazer queimadas, o tempo não está para queimadas. (...) É como se estivéssemos a meio de Agosto," acentuou António Costa, que disse haver 4.000 bombeiros mobilizados, um reforço do patrulhamento da GNR, da PSP e das Forças Armadas (estas com 88 patrulhas no terreno).




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