Política Costa: "Espero que Renzi e Hollande continuem" a liderar os seus países

Costa: "Espero que Renzi e Hollande continuem" a liderar os seus países

O primeiro-ministro espera que Hollande e Renzi continuem a prazo a liderar respectivamente a França e Itália, diz que o social-democrata germânico Martin Schulz faz sempre falta, mas também identifica vontade de mudança em liberais e democratas-cristãos.
Costa: "Espero que Renzi e Hollande continuem" a liderar os seus países
Miguel Baltazar
Lusa 25 de Novembro de 2016 às 16:12

Afirmações proferidas por António Costa em entrevista à agência Lusa, após ser confrontado com o cenário de em breve o actual presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, poderem abandonar os seus cargos, perdendo assim dois importantes aliados socialistas no Conselho Europeu.

 

"Temos de trabalhar com quem está [no Conselho Europeu] e, para já, Renzi está lá, Hollande também está lá e espero que lá continuem, assim como outros se juntem. Porém, não tenho só encontrado nos socialistas a vontade de reforma, mas também em outros líderes de governos liberais e do Partido Popular Europeu (PPE)", frisou o secretário-geral do PS.

 

Para António Costa, a reunião que se realizou em Setembro dos primeiros-ministros do Sul da Europa em Atenas - e que terá em Portugal uma segunda edição a 28 de Janeiro - "mostra bem que também alguns líderes do PPE consideram fundamental que a Europa perceba os sinais que são enviados pelos cidadãos e que haja capacidade de responder positivamente a esses desafios".

 

Já sobre a saída do social-democrata germânico Martin Schulz da presidência do Parlamento Europeu, para se candidatar a chanceler nas próximas eleições gerais alemãs, Costa respondeu: "Aos amigos desejamos sempre as maiores felicidades do mundo por maior que seja o desafio em que se lançam".

 

"Martin Schulz faz sempre falta no sítio onde deixa de estar, assim como fará falta no sítio onde possa não estar. Se pudesse acumular ser chanceler alemão e presidente do Parlamento Europeu era mesmo a síntese ideal", declarou.

 

Interrogado se os seus objectivos na frente europeia não ficam enfraquecidos com uma diminuição de peso de socialistas nas principais instituições europeias, o primeiro-ministro insistiu antes na tese de que "cada vez mais é necessário um bloco reformista para mudar a União Europeia".

 

"Quando vemos os eleitores do Reino Unido a votarem pelo abandono por falta de confiança na União Europeia, quando vemos em tantos países da Europa a florescerem as correntes populistas e antieuropeias, isso só pode significar uma coisa, que a Europa precisa rapidamente de se reformar para recuperar a confiança dos cidadãos e fortalecer o projecto europeu", defendeu.

 

Na actual conjuntura, o primeiro-ministro afirmou que se está perante "sinais por vezes são contraditórios".

 

"O programa que [o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude] Juncker, apresentou vai no bom sentido, já que reforça o investimento, inverte a política económica da União Europeia de forma a que os países com maiores saldos (caso da Alemanha) reforcem o investimento, intensifica a cooperação em matéria fronteiriça e adopta a ideia de tratar-se das migrações a montante com um grande programa de investimento africano. Estamos perante a recuperação de um conjunto de valores de solidariedade e partilha que há muito estavam afastados do discurso das instituições europeias. Infelizmente, há outros sinais que não vão no mesmo sentido", referiu.

 

Questionado se não adoptou uma linguagem politicamente correta na sua reacção à vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, António Costa salientou a importância da diplomacia entre países aliados e com relações históricas.

 

"É o que se espera de um primeiro-ministro. Nunca direi uma coisa diferente do politicamente correto relativamente a qualquer representante de um Estado estrangeiro. É o que se deve esperar de um primeiro-ministro", sustentou.




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