Orçamento do Estado Costa: "Não podemos consumir todos os recursos com quem trabalha no Estado" se queremos investir na educação e saúde

Costa: "Não podemos consumir todos os recursos com quem trabalha no Estado" se queremos investir na educação e saúde

O primeiro-ministro considerou hoje uma ilusão a ideia de que é possível "tudo para todos já", advertindo que a consolidação financeira é fundamental e que os recursos disponíveis não podem ser só alocados a quem trabalha no Estado.
Costa: "Não podemos consumir todos os recursos com quem trabalha no Estado" se queremos investir na educação e saúde
Negócios com Lusa 21 de novembro de 2017 às 13:16
"A ilusão de que é possível tudo para todos, já não existe isso. Temos de negociar com bom senso, com responsabilidade, procurando responder às ansiedades das pessoas, mas com um princípio fundamental: Portugal não pode sacrificar tudo o que conseguiu do ponto de vista da estabilidade financeira, porque isso, no futuro, colocaria em causa o que foi até agora conquistado", alegou.

António Costa falava aos jornalistas em Tunes, na Tunísia, no final do Fórum Luso-Tunisino, depois de confrontado com as crescentes expectativas dos trabalhadores do Estado em relação à política de rendimentos do Governo.

O primeiro-ministro afirmou mesmo que um "princípio fundamental" do programa do Governo "é a consolidação das finanças públicas, a eliminação do défice e a redução da dívida para desonerar a economia e as finanças públicas portuguesas".

"Todos estes objectivos devem ser cumpridos para aumentar a capacidade de o país investir onde é necessário. Se queremos investir mais na qualidade da educação, na qualidade do sistema de saúde e nos serviços públicos não podemos consumir todos os recursos disponíveis com quem trabalha no Estado", defendeu o líder do executivo.

Perante os jornalistas, o primeiro-ministro sublinhou que o seu executivo, com a linha até agora seguida, permitiu que Portugal possua agora "o maior crescimento económico desde o princípio do século, o menor défice desde o início da democracia, uma redução muito significativa da taxa de desemprego, com melhorias em simultâneo das condições de vida e um nível de confiança recorde".

"Temos de manter essa linha. É preciso responsabilidade para que haja irreversibilidade nos passos dados por este Governo", acrescentou.

Questionado sobre o eventual aumento do défice no próximo ano, em vez dos projectados 1,1% com a contabilização das despesas para a prevenção e combate a incêndios, o primeiro-ministro recusou que essa fasquia seja ultrapassada.

"O défice para 2018 está fechado. Tendo sido tomada a decisão política de incorporar no Orçamento as medidas que em 2018 são possíveis - e que decorrem do relatório da Comissão Técnica Independente sobre incêndios -, isso tem naturalmente consequências sobre a previsão do défice. Agora, no que respeita a outras matérias, não haverá qualquer alteração" em relação à meta do défice em 2018, frisou António Costa.



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mais votado Anónimo Há 3 semanas

As mortes ocorridas e os perigos vários a que sujeitaste a população são resultado de Portugal ter atingido o nível mais baixo de investimento público em percentagem do PIB desde 1960, numa altura em que tão grandes transformações nas sociedades, assentes no capital com elevada incorporação de tecnologia que poupa grandemente em factor trabalho elevando a produtividade, a competitividade, a eficiência e a economia de produtos, tarefas e processos, se está a dar em toda a parte. A assinatura de mais este triste descalabro que resulta da protecção cega e desmedida ao flagelo do excedentarismo sindicalizado de carreira, nos bancos, na administração pública e no capitalismo subsidiado e protegido de compadrio, claro está, é a do PS e da sua geringonça das esquerdas unidas. Devias ter vergonha de seres tão falso.

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Não foram despedindo excedentários ao longo do tempo como os mais elementares princípios da boa gestão indicavam, agora sempre que se confrontam com o sistema económico e o Estado falidos e a mendigar resgates caridosos é que se lembram de melhorar a política de recursos humanos nas organizações capturadas pelo oneroso excedentarismo sindicalizado de carreira.

Anónimo Há 3 semanas

É sobejamente conhecido o número de países que estão a fazer efectivamente reformas tão profundas quanto acertadas ou não fossem esses países cada vez mais fortes socialmente e economicamente. Dos escandinavos aos da Oceania, dos da América do Norte ao Reino Unido e à Alemanha. E reformas neste contexto, entenda-se, implicam invariavelmente liberalização e flexibilização quase plena dos mercados de factores produtivos, de bens e de serviços. Promovendo um mercado saudável e funcional onde quer o pós-doutorado como o rapazola das Novas Oportunidades ganham consoante o valor que sabem criar, dadas as reais condições de oferta e procura de mercado face àquilo que têm para oferecer na economia, e não consoante a moldura legal que os torna mais ou menos imunes às forças de mercado no decorrer de toda uma carreira assente na mais pura extracção de valor sem qualquer pertinência, sentido ou justificação. Estas reformas, obviamente, compelem todos os agentes económicos para a criação de valor.

pertinaz Há 3 semanas

NÃO HÁ DINHEIRO E O DESGOVERNO ESTÁ ENCURRALADO POR BRUXELAS E PELAS AGÊNCIAS DE RATING...!!!

Anónimo Há 3 semanas

O Jornal de Negócios que foque a sua atenção para os bons exemplos que nos chegam das sociedades e economias mais prósperas e avançadas:
Reino Unido, Primeiro Mundo (2015): "Job cuts to shrink civil service to 1940s size" https://www.thetimes.co.uk/article/job-cuts-to-shrink-civil-service-to-1940s-size-5blwv2z6qmd
EUA, Primeiro Mundo (2014): "The Federal Government Now Employs the Fewest People Since 1966" https://blogs.wsj.com/economics/2014/11/07/the-federal-government-now-employs-the-fewest-people-since-1966/
Austrália, Primeiro Mundo (2016): “The intention of this reform is to streamline administration and governance arrangements and consolidate government agencies, bodies, boards and committees,” www.dailytelegraph.com.au/news/nsw/treasurer-gladys-berejiklians-plan-for-public-service-job-cuts-to-streamline-departments/news-story/7c73fcba059e7f8ee8102112c9f63850

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