Ajuda Externa "Credores estão a monitorizar cuidadosamente reversão" de reformas em Portugal, diz fundo de resgate

"Credores estão a monitorizar cuidadosamente reversão" de reformas em Portugal, diz fundo de resgate

Fundo de resgate faz um balanço sem reparos ao programa de ajustamento em Portugal que diz ter rapidamente relançado a economia nacional. Avisa para o risco de reversão de reformas pelo governo de António Costa.
"Credores estão a monitorizar cuidadosamente reversão" de reformas em Portugal, diz fundo de resgate
Bloomberg
Rui Peres Jorge 07 de dezembro de 2016 às 13:09

Numa nova página dedicada ao empréstimo concedido a Portugal, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) considera que a recuperação reflecte o sucesso do programa de ajustamento da troika que fortaleceu o sistema financeiro, as contas públicas e a competitividade do país, e deixa um aviso: a reversão de reformas decididas no tempo da troika tem riscos que "os credores estão a monitorizar cuidadosamente".

O sítio concentra toda a informação sobre a relação do MEE com Portugal, incluindo os sucessivos relatórios de avaliação da Comissão Europeia produzidos desde 2011, a caracterização das tranches que compõem os 26 mil milhões de euros emprestados ao país, um sistema de perguntas e respostas frequentes, e uma avaliação geral da instituição liderada por Klaus Regling sobre a situação portuguesa.
  
"Graças à implementação de reformas, Portugal teve sucesso a melhorar as contas públicas, a reforçar o sistema financeiro e a trazer a economia de volta a uma trajectória de recuperação", lê-se por exemplo numa das respostas oferecidas pelo MEE, que relembra que a economia está a crescer desde 2014 e que o défice orçamental deverá este ano ficar abaixo dos 3% do PIB.

Num texto introdutório, o fundo de resgate defende a abordagem de financiamento por tranches condicional à implementação de reformas que adoptou nos vários programas de ajustamento europeus, considerando que "Portugal reformou com sucesso a economia", tornando-a "mais competitiva internacionalmente". Ao mesmo tempo "o governo controlou os défices" e, "apoiada na abordagem de dinheiro-por-reformas do Fundo Europeu de Estabilização Financeira [o fundo que sucedeu ao MEE e emprestou dinheiro a Portugal] a economia voltou a crescer". Em suma, "o país terminou o programa em 2014, e está agora de novo de pé".

A página é mais uma das fontes de informação de investidores e observadores internacionais sobre a situação financeira portuguesa, e contrasta o sucesso das reformas e do programa que "rapidamente deu resultados" com os riscos da reversão de reformas promovido pelo executivo liderado por António Costa. "O novo governo de Portugal, que entrou em funções no final de 2015, começou a reverter algumas das medidas adoptadas durante o programa do FEEF. Os credores estão a monitorizar cuidadosamente se tal irá prejudicar a competitividade de Portugal, e sua situação orçamental", lê-se no texto síntes.

A criação da página sobre Portugal acompanha outros esforços de comunicação por parte do Mecanismo Europeu de Estabilidade quanto às suas responsabilidades e funções, incluindo um sistema de perguntas e respostas mais alargado sobre os vários programas e empréstimos, assim como sobre os instrumentos que tem disponíveis.


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comentários mais recentes
COLX 08.12.2016

Esta auto-avaliação condescendente da troïka atinge o ridículo quando afirma que graças às reformas "estruturais" Portugal "reforçou o sistema financeiro". O BES e o BANIF bem como os COCOs por resgatar do BCP e a recapitalizacao da CGD que só vieram à superfície depois da saída dita "limpa" são expressão deste rotundo sucesso!
Aliás este comunicado recheado de auto-elogios é duma desfaçatez absolutamente chocante.

Anónimo 08.12.2016

Passado um ano a mesma conversa diária dos pafs já fede.

pilhadiabos 07.12.2016

Pertinaz, o diabo escorregou ao sair da porta do inferno, quebrando todos os seus planos neo-liberais de castigo do povo "por viver acima das possibilidades". A Espanha cuidou a tempo e horas da Banca e já cresce a mais de 3%, Cá a preocupação foi lixar os pobres, funcionários e classe média.

E os canhões? 07.12.2016

Se não tiverem canhões podem espreitar à vontade que resvalam na nossa indiferença. Mas calma aí se os tiverem deem só um tiro no Costa e deem-me tempo de fugir,fugir , vão atacar outros

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