Conjuntura Crescimento da economia nacional abranda para 2,2% este ano

Crescimento da economia nacional abranda para 2,2% este ano

A economia portuguesa deverá continuar a abrandar ao longo deste ano, em linha com a desaceleração registada na Zona Euro e em particular em Espanha.
Crescimento da economia nacional abranda para 2,2% este ano
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 04 de janeiro de 2018 às 15:15

A economia portuguesa deverá crescer entre 2,1% e 2,3% este ano, abaixo dos 2,6% estimados para 2017, de acordo com as previsões publicadas pelo Fórum para Competitividade esta quinta-feira, 4 de Janeiro.

 

Na Nota de Conjuntura de Dezembro, o economista Pedro Braz Teixeira assinala que o abrandamento já esperado para os últimos três meses do ano passado "deverá prosseguir ao longo de 2018, não só porque o primeiro semestre de 2017 apresentou um crescimento empolado, mas porque o enquadramento é de desaceleração".

As estimativas do Fórum para a Competitividade estão em linha com as avançadas pelo Governo e FMI (2,2%) e ligeiramente abaixo do projectado pelo Banco de Portugal (2,3%).

 

A economia da zona euro deverá abrandar de 2,2% para 2,1%, sendo que para Espanha é esperada uma travagem "mais significativa", de 3,1% para 2,6%, "o que não deixará de afectar Portugal, que exporta para o nosso vizinho cerca de um quarto do total".

 

A subida das taxas de juro e a diminuição da folga da economia portuguesa com a sucessiva queda do desemprego são os outros factores apontados pelo Fórum para Competitividade para justificar o abrandamento da economia portuguesa.

 

Acrescenta que o BCE deverá abrandar o processo de expansão quantitativa, com "impacto provável numa ligeira subida das taxas de curto, mas Portugal poderá não ser particularmente afectado por isso, ao beneficiar das subidas de "rating’ entretanto corridas".

 

No que diz respeito à poupança, o Fórum para Competitividade assinala que caiu no terceiro trimestre para um novo mínimo (4,4% do rendimento disponível).

 

"Este desenvolvimento é particularmente grave por dois motivos. Em primeiro lugar, porque as famílias eram habitualmente a principal fonte de poupança da economia; em segundo lugar, porque o investimento ainda se acha muito deprimido e, sem poupança, a recuperação do investimento traduzir-se-á em défices externos, que foram sempre a razão da necessidade de programas de resgate externo", refere.

 

No que diz respeito às contas externas, a evolução é favorável e está relacionada "com a balança de viagens e turismo, que atingiu no mês de Outubro um excedente de 1.192 milhões de euros". Em 2017 o excedente externo deverá ficar ligeiramente abaixo de 1% do PIB.




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