Conjuntura Crescimento do turismo permite que Portugal volte a ter excedente externo

Crescimento do turismo permite que Portugal volte a ter excedente externo

Julho foi marcado por um regresso das contas externas a um saldo positivo. Um cenário que é sustentado pelo crescimento do turismo, numa altura em que as importações estão a crescer a um ritmo superior ao das exportações elevando o défice da balança de bens.
Crescimento do turismo permite que Portugal volte a ter excedente externo
Pedro Zenkl/Correio da Manhã
Sara Antunes 20 de setembro de 2017 às 11:57

As contas externas nacionais voltaram a dar sinais positivos em Julho, num período em que o saldo da balança de pagamentos (balança corrente e balança de capital) passou de negativo para positivo. Assim, Portugal registou um excedente externo de 280 milhões de euros até Julho, revelou esta quarta-feira, 20 de Setembro, o Banco de Portugal.

 

Este valor representa uma melhoria face ao verificado nos primeiros seis meses do ano, período em que se verificou um défice externo de 685 milhões de euros, mas é uma deterioração face ao ano passado, quando o excedente externo se situou nos 1.058 milhões de euros.

 

E a justificar a melhoria das contas nacionais está sobretudo o turismo, cujo excedente aumentou mais de mil milhões de euros até Julho para um total de 5.396 milhões de euros.

 

Este sector permitiu que a balança de bens e serviços registasse um excedente de 1.596 milhões de euros, ainda assim, inferior ao observado há um ano. Isto porque o saldo comercial é negativo, numa altura em que as exportações estão a crescer 11,8%, enquanto as importações aumentaram 14%. Dito isto, "o aumento do excedente da balança de serviços, em 1.026 milhões de euros, foi insuficiente para compensar o incremento do défice da balança de bens de 1.685 milhões de euros", explica o Banco de Portugal.

 

Já a balança de rendimento primário registou um aumento do défice para 3.299 milhões de euros, devido "à redução de subsídios recebidos da União Europeia e ao aumento do défice da balança de rendimentos de investimento."

 

Positiva está também a balança financeira, tendo registado "um acréscimo dos activos líquidos de Portugal sobre o exterior no valor de 907 milhões de euros", um desempenho que é justificado pelo "investimento em títulos de dívida por parte do sector financeiro e na redução do passivo das administrações públicas", adianta a mesma fonte.

 

O Banco de Portugal realça ainda que, precisamente em Julho, Portugal reembolsou antecipadamente o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1,7 mil milhões de euros.

Balança de pagamentos

A balança de pagamentos regista as transacções que ocorrem num determinado período de tempo entre residentes e não residentes numa determinada economia. Essas transacções são de natureza muito diversa encontrando-se classificadas em três categorias principais:

- balança corrente, que regista a exportação e importação de bens e serviços e os pagamentos e recebimentos associados a rendimento primário (ex: juros e dividendos) e a rendimento secundário (ex: transferências correntes);

- balança de capital, que regista as transferências de capital (ex: perdão de dívida e fundos comunitários) e as transacções sobre activos não financeiros não produzidos (ex. licenças de CO2 e passes de jogadores);

- balança financeira, que engloba as transacções relacionadas com o investimento, nomeadamente investimento directo, investimento de carteira, derivados financeiros, outro investimento e activos de reserva.

Fonte: Banco de Portugal




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comentários mais recentes
JCG Há 3 semanas

A nossa situação é de enorme fragilidade e vulnerabilidade enquanto não conseguirmos uma balança de bens com saldo positivo.
O negócio do turismo é altamente volátil e bastará que no norte de África se registe uma acalmia e maior segurança para manadas de turistas irem para lá em vez de virem para Portugal.

Uma outra área que me preocupa é a da balança de rendimentos que com juros e dividendos tende a registar um défice balúrdico, a menos que consigamos reduzir a dívida externa, mas a venda de grandes empresas ao desbarato já foi feita e o fluxo de rendimentos para o exterior será eterno.

General Ciresp Há 4 semanas

A jovem diz:numa altura em que as "importacoes esmagam as exportacoes",em que momento da nossa historia contemporanea isso nao aconteceu?Esconder os males e a grande arte destes fraquinhos.

Anónimo Há 4 semanas

tudo obra do passos coelho!
OU TALVEZ NÃO!

Anónimo Há 4 semanas

E as remessas de emigrantes onde estão?

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