Conjuntura Crise angolana faz recuar 10 anos a relação comercial com Portugal

Crise angolana faz recuar 10 anos a relação comercial com Portugal

A crise económica vivida em Angola nos últimos dois anos teve um impacto substancial nas relações comerciais com Portugal. Em 2016, as empresas portuguesas venderam a Angola o valor mais baixo desde 2006.
Crise angolana faz recuar 10 anos a relação comercial com Portugal
Nuno Aguiar 09 de fevereiro de 2017 às 14:09

Em 2016, Portugal exportou 1,5 mil milhões de euros para Angola, o que representa uma quebra de 28,4% face ano anterior. Uma contracção que se seguiu a uma quebra de 33,9% registada em 2015. Isso significa que, em apenas dois anos, o valor das exportações portuguesas de mercadorias para Angola caiu para menos de metade.

A história das vendas portuguesas para Angola tem sido contada com crescimentos sucessivos. Entre 2000 e 2014 só houve um ano de queda. Em todos os outros as exportações avançaram e quase sempre com variações de dois dígitos. Em 1999, Angola comprou a Portugal 276 mil euros em mercadorias. Quinze anos depois – em 2014 -, esse valor ascendia a quase 3,2 mil milhões de euros.

No entanto, as dificuldades económicas sentidas pelas empresas e pelo Estado angolano resultaram em duas contracções substanciais em 2015 e 2016, que levaram o valor das exportações para o nível mais baixo em dez anos.

Do lado das importações, assiste-se a um fenómeno semelhante. Estão a cair há três anos consecutivos, tendo registado em 2016 o mais baixo volume de compras a Angola desde 2010.

Entre os 20 principais clientes de Portugal, Angola teve o maior recuo homólogo no ano passado (-28,4%), seguido pela China (-19,3%). Contudo, essas quebras foram compensadas por ganhos importantes nos dois principais compradores de bens portugueses: as exportações para Espanha e França, avançaram 5,6% e 4,9%, respectivamente.

No total, as exportações portuguesas de mercadorias cresceram 0,9% em 2016. A variação mais baixa desde 2009. 






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comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Com ou sem crise petrolífera/cambial , existem muitos caloteiros neste País que agora aproveitam para dar mega-calotes ( fornecedores-trabalhadores-estado ) seja a quem for . Se ligados ao regime ficam impunes, riem-se e distribuem a roubalheira/saque entre si. Surrealista !

Anónimo Há 2 semanas

Já vivi em alguns países, inclusive, Angola. Nunca me senti estrangeiro em Angola, pela língua e pelas pessoas k conheci. Angola não é um mercado fácil, é duro, mas é muito importante para as empresas portuguesas. É um mercado natural mas muito dependente do crude. Preocupante e triste.

Juca Há 2 semanas

E se o petróleo continuar em baixa, o que é o mais certo, e com uma boa parte do petróleo Angolano propriedade dos chineses, estou a ver a economia Angolana a descambar para um poço... sem fundo.

zed Há 2 semanas

Para países caloteiros mais vale não exportar.

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