União Europeia Cristas: Suspensão de fundos comunitários seria politicamente incompreensível

Cristas: Suspensão de fundos comunitários seria politicamente incompreensível

A líder do CDS-PP considera, numa carta ao presidente do Parlamento Europeu, que a suspensão dos fundos comunitários a Portugal não se justifica e seria "politicamente incompreensível", defendendo que o Governo deverá ter uma palavra a dizer.
Cristas: Suspensão de fundos comunitários seria politicamente incompreensível
A. F. Alhajji 02 de Outubro de 2016 às 00:21

"O passado recente da nossa governação, acompanhado de resto pela Comissão Europeia de forma muito positiva, o caminho feito e os sacrifícios suportados pelos portugueses não justificam e tornam politicamente incompreensível esta iniciativa", lê-se numa carta enviada pela líder do CDS-PP, Assunção Cristas, ao presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, a que a Agência Lusa teve acesso.

 

Em qualquer circunstância, acrescenta Assunção Cristas, nada deve ser "seriamente decidido" sem uma "análise rigorosa" dos pressupostos legais, políticos, económicos e sociais de tal diligência e "sem dar ao atual Governo de Portugal a palavra no âmbito do processo de diálogo estruturado".

Pois, prossegue, é o executivo liderado por António Costa que conduz os destinos do país e, "em concreto, dispõe dos instrumentos de controlo orçamental que a muito curto prazo podem tornar este processo totalmente inútil".

 

Na missiva, Assunção Cristas reafirma ainda a sua total oposição à aplicação de qualquer tipo de suspensão de fundos a Portugal, insistindo que tal não se justifica, nem no plano técnico nem no plano político.

 

A líder do CDS-PP lembra também que, em 2011, quando o anterior Governo de coligação PSD/CDS-PP tomou posse, o défice ultrapassava os 11% e, quatro anos depois, esse valor foi reduzido para menos de 3%.

 

"Demonstrámos consistência e empenho na aplicação das nossa políticas e conseguimos resultados para além de quaisquer dúvidas", refere Assunção Cristas, considerando ter toda a legitimidade para dizer que a suspensão dos fundos não oferece "vantagem política ou económica a ninguém" e "corre o sério perigo de não ser compreendida pela opinião pública".

 

Além disso, continua, "arrisca-se até a não se enquadrar nos normativos regulamentares em vigor, considerados os dados públicos da execução orçamental deste ano apresentados pelas autoridades portuguesas e as previsões de controlo das contas públicas que o actual governo garante que irá apresentar" no seu Orçamento de Estado para 2017.

 

Assunção Cristas questiona ainda a forma como o processo tem sido conduzido, interrogando como se pode concordar com "um processo de diálogo estruturado" entre instituições europeias que pode resumir-se a "uma exígua audiência de duas horas entre a Comissão Europeia e uma parte dos parlamentares europeus no início da próxima semana".

 

"Como aceitar que seja possível, a não ser de modo puramente formal, que em tão curto encontro seja efectuada uma estimativa rigorosa, substancial e concreta dos efeitos económicos e sociais de tais medidas suspensivas, não permitindo sequer que as autoridades nacionais, com o ministro das Finanças português à cabeça, possam expor os seus pontos de vista sobre as suas consequências nefastas para o País e prestar eventualmente as garantias orçamentais que lhes sejam solicitadas?", pergunta a presidente do CDS-PP.

 

Além de Martin Schulz, a líder do CDS-PP endereçou cartas idênticas para o presidente do grupo parlamentar do PPE, Manfred Weber, para o presidente do grupo parlamentar do PPE e para os presidentes das comissões de Economia e Regionais do Parlamento Europeu.

 

 




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comentários mais recentes
Anónimo 02.10.2016

Esta também tanto quer sobressair que faz asneira , ou será que também não sabe que não é o orçamento de 2015 que está em causa .Sou do CDS mas sinceramente , acho que a Crista meteu a pata .como se costuma dizer.As vezes é melhor estar calada ou quieta.

alberto9 02.10.2016

É preciso não esquecer que o incomprimento é relativo ao periodo de 2012 a 2015 em que Portugal teve uma saida "LIMPA" do programa de resgate. Se a oposição quer fazer alguma coisa pelo país tem de colocar-se ao lado do governo para impedir que estes cortes sejam feitos, em vez de andar à pancada com o governo

Anónimo 02.10.2016

A suspensao de fundos comunitarios podem ser politicamente incompreensivel,mas sao politicamente JUSTO,ACERTADO embora com atraso.Nao faz sentido haver um rebanho de praticamente 27 ovelhas das quais um numero muito reduzido ateimam em serem ranhosas.

Anónimo 02.10.2016


FP – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES DO PRIVADO

Lá vem mais dinheiro para a malta dos direitos adquiridos...

E mais impostos para os outros portugueses.

Viver à custa dos outros é muito bom. Mas para quem paga... não tem piada nenhuma.

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