Cultura Death Star está de volta. O que a sua destruição significa para a economia do Império?

Death Star está de volta. O que a sua destruição significa para a economia do Império?

“O Regresso do Jedi” termina com sorrisos de Han Solo e Luke Skywalker e com Ewoks a dançar felizes à volta da fogueira, mas a ressaca do dia seguinte não seria tão agradável para os cidadãos galácticos. Fique a conhecer um pouco mais sobre a economia de Star Wars, uma semana depois de o novo filme ligado à saga – “Rogue One: Uma História de Star Wars” - ter estreado em Portugal.
Death Star está de volta. O que a sua destruição significa para a economia do Império?
Bloomberg
Nuno Aguiar 24 de dezembro de 2016 às 12:00

(Este texto foi originalmente publicado pelo Negócios a 19 de Dezembro de 2015, quando estreou "O Despertar da Força". O seu ponto de partida são aparições anteriores da Death Star, que voltou a ser uma personagem central na narrativa de Star Wars nos últimos dois filmes.) 

 

"Yeah! Os rebeldes deram cabo da Death Star!" Para as almas mais ingénuas, a destruição das duas Death Stars na saga Star Wars pode ter sido motivo de enorme festejo, mas as consequências económicas de um evento dessa seriam catastróficas, segundo um estudo publicado há um ano. Os Rebeldes até podem ter vencido a guerra, mas terão de enfrentar um resgate da economia equivalente a 20% do produto interno bruto do Império Galáctico.


"O resultado mais surpreendente foi a dimensão do colapso económico", explica o autor do estudo "It’s a Trap: Emperor Palpatine’s Poison Pill", Zachary Feinstein. "Sem um resgate, existia uma hipótese não negligenciável de uma quebra de 30% na dimensão da economia galáctica, da noite para o dia, mais do que as perdas com a Grande Depressão ao longo de quatro anos."

E não se pense que as consequências seriam apenas uma "questão estatística". Tal como aqui na Terra, em que todos fomos afectados pela queda do Lehman Brothers, no Império, todos - de Gungans a Rodians – sofreriam com o desfecho dos filmes. "As perspectivas parecem ser muito negativas para o cidadão comum do Império", refere Feinstein ao site da Universidade de Washington, onde lecciona. "Acho que é pouco provável que a Aliança Rebelde tenha a vontade política e os recursos financeiros para oferecer o resgate bancário antes que seja tarde demais."

A análise parece tão fantasiosa como fazer o Percurso de Kessel em menos de 12 parsecs, mas o estudo tenta agarrar todas as pontas. Por onde começar? Talvez pela Casa Branca. Alguns deverão lembrar-se da épica resposta da Casa Branca em 2013 a uma petição para que os Estados Unidos construíssem uma Death Star. Na altura, o conselheiro para a ciência e tecnologia da Administração Obama explicou que construir essa infraestrutura teria um custo de 850 triliões de dólares só em aço, algo totalmente incomportável para os cofres públicos norte-americanos. "A Administração não apoia explodir planetas […] porque haveríamos de gastar incontáveis dólares dos contribuintes numa Death Star com um defeito fundamental, que pode ser aproveitado por uma nave espacial de um só homem?"

A resposta era obviamente uma brincadeira. Contudo, agora há quem queira levar este exercício ainda mais longe. Zachary Feinstein, professor da faculdade de Engenharia da Universidade de Washington, propôs-se calcular as repercussões financeiras de fazer explodir "duas estações espaciais de tamanho lunar" – i. e. duas Death Stars – no período de quatro anos, juntando-lhe ainda a dissolução do governo galáctico. "A ênfase deste trabalho  é calibrar e simular um modelo do sistema bancário e financeiro da galáxia", escreve Feinstein, no seu paper. "Nessa linha, calculamos o nível de risco sistémico que pode ser gerado pela morte do Imperador Palpatine e a destruição da segunda Death Star", acrescenta, dizendo que são também estimados os recursos que os Rebeldes teriam de ter em reservas para evitar uma crise financeira.

O grau de detalhe é grande. O académico calcula que construir a primeira Death Star tenha custado 193 quadriliões de dólares. É difícil imaginar este valor, certo? Pense que isso representa "apenas" 4,2% da economia do Império, estimada em 4,6 quintiliões de dólares. Note ainda que a economia dos Estados Unidos tem uma dimensão de quase 18 biliões de dólares, logo 0,0000004% do Império. A segunda Death Star seria ainda mais cara: 419 quadriliões de dólares.

Como é que Feinstein chega aqui? Esta é a parte divertida. Ele parte da previsão de gastos com aço para construir a Death Star I já utilizada pela Casa Branca e usa como modelo a estrutura de custos do USS Gerald Ford. Ou seja, se o porta-aviões nuclear tivesse o tamanho de uma lua, quanto custaria? Sabendo o custo da Death Star I, o autor considera que ela deve ter um peso na economia galáctica semelhante ao que o Projecto Manhattan - que desenvolveu a bomba atómica - teve na economia dos EUA. Assim se chega ao PIB do Império, aquilo a que chama o Produto Galáctico Bruto (PGP).

No entanto, Feinstein só está interessado na dimensão da economia para estimar o tamanho do seu sistema financeiro. Entre os 1,75 milhões de mundos que fazem parte do Império, ele antecipa que existe um "grande" banco por cada 100 mundos e que um em cada 100 desses bancos é "gigante". Isto dá um total de 17.500 bancos para incluir no modelo do paper, para além do Clã Bancário Inter-Galáctico, que Feinstein equivale à Reserva Federal dos EUA. No total, o sistema financeiro deve ter activos equivalentes a 60% do PGP do Império.

Os bancos são decisivos nesta equação, porque foram eles que emprestaram dinheiro para construir as duas Death Stars. É assumido que metade do custo da Death Star I já tinha sido pago e que a Death Star II ainda estava totalmente por pagar, o que significa que existe uma dívida de 515 quintiliões de dólares (financiado a juros de 0%). Assume-se também que o Imperador Palpatine é um conservador no que diz respeito ao controlo das contas públicas e que o Império não tem mais nenhuma dívida para além das Death Stars.

A destruição dessas infra-estruturas, a morte do ditador que geria o Império e a vitória dos rebeldes teria efeitos imediatos. Tomando como exemplo a reacção das bolsas aos ataques de 11 de Setembro de 2001 ao World Trade Center, Feinstein esperaria uma quebra de 20% dos mercados financeiros, o que provocaria perdas ainda antes do incumprimento da dívida.

Como já percebemos, é aí que está o maior problema: na dívida. Tendo financiado a construção das duas Death Stars, os bancos do Império terão obrigações que, com a queda do regime, não serão pagas. Esse incumprimento deixaria o sistema financeiro numa situação muito difícil e poderia até provocar uma corrida aos bancos. As ondas de choque seriam rapidamente propagadas pelo Universo.

Segundo as conclusões de Feinstein, a Aliança Rebelde precisaria de se preparar para um resgate de "pelo menos 15%, e provavelmente 20% do PGP", para aliviar os riscos sistémicos e um colapso económico "catastrófico" da destruição de duas Death Stars em apenas quatro anos. Sem esse resgate, argumenta o estudo, "a economia galáctica entraria uma depressão económica de proporções astronómicas".

Este é o primeiro exercício deste género, mas existem outros semelhantes. Por exemplo, há quem argumente que Feinstein não tomou em linha de conta a possibilidade de existir um banco central activo no Império e que, com ele, as consequências da destruição da Death Star não seriam tão dramáticas. Já a Wired explica porque é que construir uma Death Star no meio do "nada" não faz sentido nenhum (dica para os Sith Lords do futuro: usem um asteróide).

Se o universo de Star Wars existisse mesmo, qual seria a probabilidade destes números e previsões fazerem sentido? "Never tell me the odds."

 

GLOSSÁRIO

Death Star - A tradução é Estrela da Morte. É uma estação espacial do tamanho de uma lua - 120 quilómetros de diâmetro -, equipada com uma arma que é capaz de destruir planetas inteiros. Foram construídas duas Death Stars ao longo da saga.

Império - Foi a forma de governo que substitui a República Galáctica. Conquista sucessivos sistemas solares e esmaga qualquer tentativa de rebelião.

Imperador Palpatine - Sheev Palpatine é o nome de nascença de Darth Sidious. Durante a República, Palpatine era senador de Naboo, tendo conseguido manipular o sistema para ascender a Chanceler e depois a Imperador. Na realidade, tinha sido treinado nas artes Sith. É o principal vilão da saga e o mestre de Darth Vader.


Rebeldes - São um grupo resistentes ao Império, determinados a derrubá-lo.

Percurso de Kessel em menos de 12 parsecs - É uma frase dita por Han Solo (Harrison Ford) para mostrar a velocidade da sua nave, Millennium Falcon. No entanto, a frase parece estranha, porque um parsec é uma unidade de distância e não de tempo.

Ewoks, Gungans, Rodians, etc. - São algumas das espécies do mundo Star Wars. Os Ewoks são uma espécie de ursos pequenos. Fizeram tanto sucesso que tiveram direito a dois telefilmes.

Han Solo - Um contrabandista solitário que, com o co-piloto Chewbacca, se junta à Aliança Rebelde. Interpretado por Harrison Ford, é uma das principais personagens da saga.

Luke Skywalker - É o principal herói dos primeiros três filmes (episódio IV, V e VI). Um cavaleiro jedi, que está no centro da luta contra o Império.

Jedi - São os guardiões da paz na República. Controlam a Força, o que lhes dá poderes especiais. A sua arma de eleição é um sabre de luz.

Força - Não é fácil de definir, mas é uma energia omnipresente criado por todas as forças vivas. Os Jedi e os Sith controlam a Força, com os segundos a representarem o seu lado negro.

 




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