Justiça Defesa de Sócrates diz que acusação é "romance vazio de factos"

Defesa de Sócrates diz que acusação é "romance vazio de factos"

Em comunicado às redacções, os advogados João Araújo e Pedro Delille classificam a acusação de "infundada, insensata e insubsistente" e prometem usar "todos os meios do direito para derrotar" as acusações.
Defesa de Sócrates diz que acusação é "romance vazio de factos"
Paulo Zacarias Gomes 11 de outubro de 2017 às 13:53
Os advogados do ex-primeiro-ministro José Sócrates, acusado da prática de 31 crimes no âmbito da Operação Marquês, consideram que esta acusação "infundada, insensata e insubsistente" destina-se a "reanimar a suspeição" em torno do antigo governante e prometem "derrotá-la".

"A um primeiro relance, trata-se de um romance, de um manifesto, vazio de factos e de provas, pois não pode ser provado o que nunca aconteceu. Trata-se de retomar e desenvolver os mesmos temas numa iniciativa de grande espectáculo," afirmam os advogados de Sócrates em comunicado enviado às redacções esta quarta-feira, 11 de Outubro depois de ter sido conhecidos os contornos da acusação.

No documento, a defesa diz ter tido hoje conhecimento da dedução da acusação e volta a censurar o tempo da investigação, que superou "largamente" todos os prazos da lei. O processo agora concluído destina-se, segundo João Araújo e Pedro Delille, a "reanimar, a alimentar e a expandir a suspeição lançada sobre a pessoa e a acção de um ex-Primeiro Ministro e do seu Governo."

A defesa de Sócrates compromete-se ainda a utilizar "todos os meios do direito para derrotar, em todos os terrenos, essa acusação infundada, insensata e insubsistente." E, manifestando "absoluta confiança no direito", nota que a acusação retira do Ministério Público os poderes de direcção do processo, passando a estar "sujeito ao controlo jurisdicional por juiz competente, isento e imparcial."

José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, primeiro-ministro entre 2005 e 2011, foi acusado de 31 crimes pelo Ministério Público no âmbito da Operação Marquês. A maior parte dos crimes (16) diz respeito a alegado branqueamento de capitais, nove por falsificação de documento, três por corrupção passiva de titular de cargo político e três por fraude fiscal qualificada.

Além de José Sócrates (que está acusado num processo levantado por factos ocorridos entre 2006 e 2015), o processo conta com mais 18 arguidos singulares – entre os quais Carlos Santos Silva, Ricardo Salgado, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro – bem como nove pessoas colectivas.

O Ministério Público alega que dinheiro transferido a partir de grupos e empresas que teriam sido beneficiadas directa ou indirectamente por decisões do ex-primeiro ministro (Lena, Espírito Santo e Vale do Lobo) para contas na Suíça, num montante superior a 24 milhões de euros, teve utilizações no interesse de José Sócrates.



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mais votado Justiça Portuguesa Há 1 semana

Esta Justiça parece mais corrupta do que os acusados... Andam há anos em investigações, acusações, coisa e tal e ninguém se entende, ninguém paga nada, ninguém é preso, ninguém é condenado nunca mais...
Não se entende este país... Como poderão os de fora acreditar em nós, se nós mesmos não acreditamos nesta fantochada toda que mais parece uma versão ridícula de uma novela mexicana.
4000 páginas? 200 testemunhas? Oh raios, não chega?
Eles estão todos à soltinha!!!!!!!!!!!!

comentários mais recentes
tristeza canhota Há 1 semana

Tão caladinhos que estão hoje os xuxxas, os kumunas e os brochiistas.

José Albuquerque Há 1 semana

Os Socialistas que foram visitar o José Socrates à Prisão e dar-lhe apoio, são os mesmos que estiveram em Governos Corruptos PS e muitos estão no actual Governo PS.
Depois de ter sido acusado de 31 crimes, quem ainda não acreditar que José Sócrates é Corrupto e Ladrão, é porque é muito infantil.

Água Ráz Há 1 semana

O problema é que o dinheiro está cativo e se for desbloqueado o estado fica com ele quase todo pelas irregularidades fiscais e se não é do Socas é do Silva que é santo mas os santos também têm tentações isto se sobrar algum !Estes advogados andaram mal de estratégia apoiaram-se no Mario Soares

Anónimo Há 1 semana

"todos os meios do direito para derrotar", o que equivale a dizer procurar o erro processual e lá estamos nós safos. Mas os milhões, esses ninguém lhes toca. Ah grande país este onde temos um Oeirense a cada esquina! Viva os todos os Isaltinos da nossa vida.

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