Política Demitiu-se comandante da Protecção Civil

Demitiu-se comandante da Protecção Civil

O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, já aceitou a demissão de Rui Esteves e o lugar será ocupado pelo segundo comandante. O comandante da Protecção Civil sai depois de ser conhecido que a maior parte das cadeiras da sua licenciatura foi obtida por equivalências.
Demitiu-se comandante da Protecção Civil
Ricardo Almeida/CM
Paulo Zacarias Gomes 14 de setembro de 2017 às 17:44
Rui Esteves (na foto), comandante operacional nacional da Protecção Civil, demitiu-se esta quinta-feira, 14 de Setembro, ao fim de oito meses no cargo, período que coincidiu com os incêndios de Pedrógão Grande onde morreram 64 pessoas, e depois de ser conhecida uma acumulação de funções ilegal, e que 90% da sua licenciatura foi feita por equivalências.

O Ministério da Administração Interna já confirmou ter recebido e aceitado a "cessação da comissão de serviço". De acordo com um comunicado enviado às redacções pelo organismo tutelado por Constança Urbano de Sousa, o lugar de comandante operacional "será assumido interinamente" por Albino Tavares, actual segundo comandante operacional nacional.

Segundo a televisão pública, a saída ocorre numa altura em que o processo de licenciatura do responsável - grau sem o qual não pode ocupar o cargo de comandante nacional - foi posto em causa numa notícia avançada pelo Público também esta quinta-feira e por uma investigação do programa Sexta às 9 da RTP.

De acordo com ambas as fontes, das 36 cadeiras que suportam a licenciatura de Rui Esteves na Escola Superior Agrária de Castelo Branco, apenas quatro foram feitas por frequência curricular, tendo as restantes - como Matemática, Química e Física - resultado de equivalências com base em "experiência profissional".

Depois de serem tornados públicos estes factos, o Instituto Politécnico de Castelo Branco (onde a licenciatura foi obtida) pediu à Inspeção Geral do Ensino Superior para investigar a atribuição dos créditos, tendo depois o Ministério do Ensino Superior aberto um inquérito. Ao Público, Rui Esteves garantiu que tudo foi feito "em conformidade com a lei vigente", tendo as equivalências correspondido à sua formação "ao longo de 30 anos de carreira".

O decreto-lei que entrou em vigor no início do ano estabelece que o cargo de comandante operacional nacional só pode ser ocupado por um licenciado, tendo sido esta lei também a suportar a substituição de 19 comandantes distritais da Protecção Civil. À RTP, comandantes e antigos comandantes distritais da Protecção Civil ligam a dimensão da tragédia de Pedrógão Grande ao facto de, alegadamente, os operacionais mais experientes terem sido "afastados de funções para dar lugar a boys do PS", lê-se no site da RTP.

No final da semana passada, depois de notícias que davam conta da acumulação "ilegal" de funções de Rui Esteves - era, em simultâneo, director do aeródromo de Castelo Branco -, Constança Urbano de Sousa exigiu a sua demissão, o que o comandante nacional não aceitou. O Ministério - diz a RTP - iniciou um processo disciplinar com um prazo de 30 dias de conclusão, mas Rui Esteves acabou por se demitir volvida menos de uma semana.

(Notícia actualizada às 18:06 com mais informação)



A sua opinião26
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado 5640533 14.09.2017

Outro sem vergonha. Quem viu na RTP Sexta Às Nove sabe de que se tratal

comentários mais recentes
Camponio da beira 16.09.2017

Não se esqueçam de o processar pelas 64 mortes (nacionas).Ainda faltam as estrangeiras.

Atento! 15.09.2017

Vivas pr'á GERINGONÇA...

TinyTino 15.09.2017

Química, física e matemática por equivalência? Uau! Einstein dizia que só havia duas coisas infinitas O universo e a estupidez humana, e que tinha dúvidas quanto à primeira. Creio que a falta de vergonha (para não lhe chamar outra coisa) é capaz de ser a terceira.

Anónimo 15.09.2017

Mais um artista Português concerteza. Fertil em trafulhas este país. Qdo é q os exportamos? Ora aí está algo q podiamos exportar e de borla.

ver mais comentários
Saber mais e Alertas
pub