Política Monetária Divergência no BCE sobre fim do programa de compra de activos

Divergência no BCE sobre fim do programa de compra de activos

Peter Praet defende que ainda é cedo para afirmar que a inflação está alinhada com os objectivos do BCE e por isso o programa de compra de activos pode não terminar em Setembro.
Divergência no BCE sobre fim do programa de compra de activos
Economista-chefe do BCE quer sinais mais sustentados de subida da inflação na Zona Euro
Bloomberg

Depois de o governador do banco central da Holanda ter defendido que o programa de compra de activos do BCE tem de terminar "o mais rápido possível", o economista-chefe da autoridade monetária do euro veio colocar água na fervura.

 

Para Peter Praet, o BCE está ainda "a alguma distância" de cumprir os três critérios que permitem concluir que o programa de compra de activos atingiu os objectivos.

 

Os três critérios assinalados pelo economista-chefe do BCE dizem todos respeito à inflação, que terá de convergir para a meta dos 2%, terá de existir confiança que as expectativas de aumento dos preços se materializem e esta tendência terá de ser resiliente.

 

"O período de transição para a normalização da política monetária vai começar quando tivermos estabelecido que há um ajustamento sustentado no ritmo da inflação", afirmou Praet em Bruxelas, citado pela Bloomberg, acrescentando que a pressão nos preços a nível doméstico permanece moderada.

 

Estas declarações do economista-chefe do BCE (que também integra a comissão executiva do banco central) contrastam com as efectuadas pelo governador do banco central da Holanda. Para Klaas Knot, o programa de compra de activos "já fez aquilo que realisticamente era esperado", afirmou citado pela Bloomberg.

 

Na última quinta-feira, após o encontro dos governadores do banco central, Mario Draghi, presidente do BCE, deu uma conferência de imprensa na qual não deu detalhes sobre o fim do programa de compra de activos que, desde o arranque do ano, pode adquirir até 30 mil milhões de euros mensais em obrigações. Um programa que vai manter-se, pelo menos, até Setembro deste ano.

 

Se as declarações de Klaas Knot indiciam que Setembro poderá ser o último mês do programa, as afirmações de Praet sugerem que no BCE ainda há dúvidas sobre quanto tempo vai durar.  

 
As palavras de Knot tiveram impacto no mercado de dívida, com a "yield" das obrigações alemãs a 5 anos a passarem para terreno positivo pela primeira vez em mais de dois anos.

A Bloomberg assinala que vários responsáveis do BCE preferem adiar para Junho uma decisão sobre a alteração da comunicação sobre o programa de compra de activos, aguardando por mais sinais de aumento da inflação. Outros querem começar já na reunião de Março a alterar o discurso, para sinalizar a alteração a curto prazo na sua política monetária. 




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